Saída de Emergência: Banda geriátrica? Só que não!

Resenha - Saída de Emergência (Estúdio Som, São Paulo, 25/05/2018)

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Por Nelson de Souza Lima
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O título dessa matéria pode parecer depreciativo. Mas não é nada disso. Trata-se de uma brincadeira que explico mais pra frente. Rolou no último dia 25 de maio lá no simpático Estúdio Som, na incensada Teodoro Sampaio, o pocket show da banda Saída de Emergência. Liderado pelo vocalista/guitarrista/letrista Dino Chaves o grupo tá com disco novo na área trazendo 14 faixas que bebem no mais puro rock and roll. Se o álbum tá na praça então o negócio é divulgar certo? É exatamente o que os caras estão fazendo. Reuniram a galera, fãs, família, amigos e imprensa para um churras/show que foi de boa. O espetinho tava muito bom, vinagrete de prima, bebida à vontade e rock na veia.

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Cheguei lá pouco depois das 20 horas acompanhado da fotógrafa Letícia Nunes Lima (vejam os cliques) sendo muito bem recebidos pelas queridérrimas assessoras Briba Castro e Fernanda Balbino. (Essas têm história pra contar). Conseguimos chegar tranquilamente mesmo com o carro apresentando um probleminha no câmbio, mas tinha gasolina no tanque. Rsssssss

Entre um refri e outro (pois bebida e direção não combinam) troquei ideia com as meninas e fui apresentado ao Dino Chaves. Cara gente fina, simpático que nos tratou muito bem. Por volta das 21H10 os presentes foram conduzidos ao local da apresentação. Não é muito amplo, contudo é legal pra fazer uma sonzeira. O timbre dos instrumentos tava bem bacana. Às 21h16 Dino e companhia saudaram o público e mandaram rock do bom. Do lado esquerdo do Dino, seu filho Leandro de Castro na guitarra, no lado direito o baixista genial Thiago Espírito Santo, que tá substituindo temporariamente Lelo Carvalho. E pra segurar a pancadaria lá atrás o batera Locks Rasmussen.

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"Nova Velha Era" é o segundo disco da banda trazendo rock básico, direto, sem firulas, como manda a cartilha rocker. Mandaram "Ostentação", "Roupa Suja", "Filho da Terra". Trupe entrosada que devido à bagagem dos músicos não deixa a peteca cair. A cozinha Rasmussen/Espírito Santo é coesa e precisa. Os riffs de Leandro de Castro chamam atenção levando a bater o pé e sacudir a cabeça. À frente de tudo isso um front man simpático, que embora paradão, sabe conduzir a galera.

Legal quando Dino chamou ao palco uma lenda da guitarra brasileira: Rick Ferreira. O cara é brother e tem no currículo o fato de ter tocado em praticamente todos os discos de Raul Seixas. Rick prestou serviços para o Maluco Beleza a partir de "Gita" até "A Panela do Diabo". Além de Raul, tocou com outros grandes nomes da música brasileira como Erasmo Carlos e Zezé Di Camargo e Luciano.

De guitarra em punho Rick e a Saída mandaram outras boas canções como "Salve-se quem puder", "Tempestade" e "Século XXI". Uma bem legal pra cantar junto é "Radar 171" cujo refrão grudento diz "Você está sendo filmado/Para ser roubado". Um protesto velado à indústria da multa que tomou conta de nossa cidade. Levante a mão quem nunca foi multado? Pergunta para os que têm carro, naturalmente.

Lembram quando falei da brincadeira geriátrica, lá em cima? Ela rolou quando Dino chamou pro palco o lendário Sylvio Passos, roqueiro das antigas que foi chamado pra cantar uma do Raul. E por que? Passos travou contato com o Maluco Beleza quando tinha apenas 17 anos se tornando amigo pessoal do baiano. Além disso, criou o primeiro fã clube de Raul e detém boa parte de seu espólio. Não é pra qualquer um.

Raul é influência mais que óbvia também pro Saída de Emergência. Sylvio Passos brincou chamando os caras de banda geriátrica, pois ali todos já passaram dos 40 anos. Mas Leandro, que é o caçula da banda, tratou de protestar bem-humorado também.

Com Passos nos vocais mandaram "Capim Guiné", de Raul, crítica aos governantes corruptos e de mal caráter.

Aquela brodagem toda, Sylvio deixou o palco e mandaram "Eu Sou Brasileiro", mais uma porrada no Planalto, mostrando o quanto somos massacrados por governos corruptos que não se preocupam com as mazelas que o povo sofre. Aliás, se não disse isso é uma das marcas das letras de Dino Chaves: mandar pedrada no governo. Tá certo.

Terminada a apresentação chamei os caras pra trocar ideia. Com o batera Locks abordei a questão do rock no momento. Segundo ele, há bandas sensacionais desde os anos 70. "E não é diferente hoje. O problema é que o mercado monopolizou em cima de um som popular, de estilos diferentes do rock. Tem pouco espaço pro rock e esse espaço é disputado por muita gente boa. Só que infiltrados nesse meio têm muita gente ruim, o que acabou depreciando o mercado rock and roll. Eu vejo dessa forma. Mas acredito muito no rock nacional. Só ver no Sepultura, Angra, que fizeram nome lá fora", diz. A respeito do curioso nome ele comentou rindo ser uma longa história que não daria pra falar numa única entrevista. Em seguida conversei com o Dino. Suas referências musicais/roqueiras vão de Chuck Barry a Led Zeppelin. Sobre isso ele disse que o rock setentista é sua grande influência sendo claro que estejam em suas letras e melodias no processo de composição. De acordo com ele tem muitas bandas boas no momento, basta o público procurar. "Há grupos bons com uma proposta honesta", concluiu Dino Chaves.

Set List

Saída de Emergência – Estúdio Som – 25/05/2018

Ostentação
Roupa Suja
Filho da Terra
Nova Velha Era
Salve-se quem puder
Eu sou Brasileiro
Radar 171
Capim Guiné – Cover do Raul Seixas
Século XXI
Tempestade




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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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