Premiata Forneria Marconi: show apaixonante para um público pequeno

Resenha - Premiata Forneria Marconi (Espaço das Américas, São Paulo, 19/04/2018)

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Por Diego Camara
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Na noite de quinta-feira, para um público pequeno, os fãs do progressivo se reuniram no Espaço das Américas para ver a novíssima turnê do PFM em solo brasileiro. Depois de 13 anos distante dos palcos paulistas, o público se extasiou com a excelente e insana performance de Di Cioccio e companhia, em uma apresentação magistral de um dos grandes expoentes do progressivo europeu de todos os tempos. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.

O show, como é comum no EDA, começa bem tarde. O horário das 22h é sempre complexo, especialmente em shows longos como dos de rock progressivo. É fácil que a apresentação atravesse a linha da madrugada, prejudicando as pessoas que costumam usar o transporte público. O show começou com atraso de quase 20 minutos do horário marcado, para um público pequeno que ocupava as cadeiras na parte frontal da pista da casa. Público bastante reduzido em comparação ao próprio Steve Hackett, que tocou recentemente para um público parecido.

A banda abriu o show com "We’re not na Island". Com bastante tranquilidade, já dominaram o público na largada. O som estava ótimo, e a música leve embalou os fãs. Di Cioccio lê a música a sua frente, algo bastante incomum. Na sequência, a banda encaixou outra música em inglês: "Four Holes in the Ground", carregada pelo seu toque bastante italiano no ritmo e o uso dos violinos de Fabbri. O ritmo mágico da música encantou os fãs presentes, mais uma vez extasiados e aplaudindo com vontade sua execução.

A banda porém ganhou o público quando resolveu deixar o inglês de lado e cantar seus sucessos em italiano. "La carrozza di Hans", sucesso do "Storia di un Minuto" e um dos melhores momentos do show, foi regada ao melhor do rock progressivo. Começando pelo lindíssimo e erudito solo de piano, ao melhor estilo italiano, seguida pelo excelente trabalho nas baterias da dupla Guali e Di Cioccio. O som caótico se mistura incrivelmente com a erudição da banda, em uma grande aula de progressivo que valeu os aplausos de pé dos presentes.

As músicas do novo disco, que vieram em uma sequência, não agradaram tanto o público quando as mais clássicas, sendo um dos pontos baixos do show. Os elementos mais pop das músicas, como no caso de "La danza degli specchi", deixam o som do PFM mais simplório e direto, perdendo a característica principal da banda: que é seu estilo complexo aliado a potência do rock.

Essa fica mais clara nas músicas antigas. O estilo dançante caótico de "Promenade the Puzzle", com direito a uma dancinha desengonçada do vocalista no palco, a incrível apresentação de "Harlequin", com sua complexidade inerente e o movimento bizarro da troca de bateristas no meio da música e a pegada firme do rock com a música "Mr. 9 Till 5" enumeram bem o que é o PFM: uma banda de rock, que não foge das suas origens musicais italianas, e alia como poucos os pontos melhores de ambos os gêneros.

Para completar o show, a banda ainda fez duas performances incríveis de música clássica. O tal jam prometido por Di Cioccio não rola aqui: temos uma apresentação concisa e impecável do progressivo se aliando a música clássica. A começar por Romeu e Julieta, de Prokofiev, incrível música que também foi tocada pelo Emerson, Lake and Palmer no disco "Black Moon" de 92, a banda fez uma rendição diferente da música aqui: Com a diferença que o sintetizador perde espaço para o violino, a música convida para um estilo mais clássico que a dos britânicos.

A apresentação do Overture de Guilherme Tell, em uma apresentação bastante rápida, fechou muito bem o show. Pouco após, a banda retornou para o bis de "Celebration". É difícil compreender porque não preferiram a versão original em italiano da música, muito superior. O arregaço no palco, porém, funcionou plenamente, e o PFM se sagrou como um dos melhores shows do ano. Uma pena que no final não foram tantas pessoas que tiveram a sorte de ver a apresentação deles.

Setlist:
1. We're Not An Island
2. Four Holes in the Ground
3. Photos of Ghosts
4. Il banchetto
5. Dove... quando...
6. La carrozza di Hans
7. Impressioni di Settembre
8. La lezione
9. La danza degli specchi
10. Freedom Square
11. Promenade the Puzzle
12. Harlequin
13. Romeo e Giulietta: Danza dei cavalieri (cover de Sergei Sergeyevich Prokofiev)
14. Mr. 9 Till 5
15. Guillaume Tell Ouverture (cover de Gioachino Rossini)
Bis:
16. Celebration



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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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