Arcade Fire: sucesso reside na energia trocada entre fã e artista

Resenha - Arcade Fire (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 08/12/2017)

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Por Gabriel von Borell
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Em meio à aspectos negativos na fase atual da carreira (como a baixa venda de ingressos de seus shows e a crítica dividida do novo álbum "Everything Now"), o Arcade Fire fez uma apresentação memorável na última sexta-feira (8), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

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Inicialmente, o show seria realizado na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, que comporta 18 mil pessoas, porém, no início do mês passado foi anunciada a transferência da apresentação para a tradicional casa na Lapa, com capacidade máxima para 5 mil pessoas.

A medida foi determinante para o sucesso da "Infinit Content" (nome dado à turnê do disco lançado neste ano pelos canadenses). Isso porque o grupo liderado pelo vocalista/guitarrista Win Butler e pela multiinstrumentista Régine Chassagne parece especialista em performances mais intimistas. Não deu outra.

A abertura do show no Rio de Janeiro ficou por conta da banda colombiana Bomba Estéreo, que subiu ao palco por volta de 20h30 e aqueceu o público com seu som de batidas contagiantes, misturando eletrônico com ritmos latinos. As 21h51, quase dez minutos antes do horário previsto para o Arcade Fire subir ao palco, as luzes da Fundição Progresso se apagaram.

Imediatamente, os fãs, que compareceram em número razoável, explodiram em gritos e aplausos. Diante de um cenário que reproduzia um ringue de boxe, o telão mostrava os integrantes do grupo como se estivessem se preparando para uma luta. "Eles são os reis do indie, os cavaleiros do pop", anunciava um locutor, em português.

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Ao surgir em cena, a banda logo executou "Everything Now", colocando todo mundo para mexer o esqueleto com a faixa que remete à era disco do Abba. O show seguiu quente com "Rebellion (Lies)", do álbum de estreia do Arcade Fire, "Funeral", de 2004, e "Here Comes the Night Time", do CD "Reflektor" (2013).

Na sequência, veio a suave "Haiti", que faz referência à origem da família de Régine, que se mudou do país caribenho durante a ditadura de Jean-Claude Duvalier. Logo depois, o Arcade Fire tocou pela primeira vez ao vivo "Peter Pan", música presente em "Everything Now", deixando a plateia extasiada.

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Antes de "No Cars Go", do disco "Neon Bible" (2007), Win agradeceu a animação do público de modo mais afirmativo. "Nós estamos tão felizes de estar de volta. Obrigado, Brasil!", disse, com sorriso no rosto. O repertório continuou com as dançantes "Eletric Blue" e "Put Your Money on Me".

Em seguida, o telão mostrou uma mensagem que pedia para os fãs acenderem as luzes de seus smartphones. Com a Fundição Progresso devidamente iluminada pelos aparelhos eletrônicos, era hora de "Neon Bible". Já na introdução de "My Body is a Cage", o Arcade Fire adicionou um trecho de "Aquarela do Brasil", gravada por Ary Barroso em 1939, e que, posteriormente, ganhou versão em inglês na voz de Bob Russell.

Enquanto os integrantes trocavam de posições no palco, de acordo com os instrumentos que assumiam a cada faixa executada, os fãs iam à loucura com a sequência matadora de "Neighborhood #1 (Tunnels)", "The Suburbs" (com Régine na bateria), "Ready to Start" e "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)". O Arcade Fire voltou a homenagear a música brasileira em "It's Never Over (Oh Orpheus)", que teve introdução com "O Morro Não tem Vez", composição de Tom Jobim.

Mais tarde, durante "Afterlife", Win surgiu no meio da plateia, causando histeria nos fãs. O cantor, sob a proteção de seguranças, percorreu alguns metros em direção a uma saída lateral e foi acompanhado de perto pelo público, que, claro, seguiu atrás de seu ídolo, até o momento em que Win retornou ao palco. Ainda em "Afterlife", o frontman pegou das mãos de um fã a bandeira que simboliza o movimento LGBTQ e pendurou no pedestal do microfone, sendo ovacionado pelo público.

A reta final da apresentação teve "We Exist", executada pela primeira vez nesta turnê, "Creature Comfort" e "Neighborhood #3 (Power Out)", encerrando o show às 23h50. Alguns minutos depois, o grupo voltou ao palco para o bis, iniciado com a bela "We Don't Deserve Love".

Para fechar a apresentação carioca, Win e cia tocaram "Everything Now (Continued)" e a cartática "Wake Up", que emocionou não só a plateia como também a banda. Régine que o diga, foi às lágrimas. Como se não bastasse o final apoteótico, após cerca de 2h15 de show, o Arcade Fire ainda trouxe ao palco músicos, aparentemente brasileiros, que, munidos de instrumentos de tambor, como o surdo, batucaram em ritmo de Carnaval, ao mesmo tempo em que o grupo alegremente se despedia.

Depois de ficarem quase dez minutos cumprimentando os fãs, Win, Régine e os demais se dirigiram para os bastidores. Em sua terceira vinda ao país (a primeira foi em 2005 e a mais recente em 2014), o Arcade Fire provou que números não importam, pois o verdadeiro sucesso reside na inexplicável energia trocada entre o fã e o artista, tão bem representada naquela noite.

Fotos: Daiana Carvalho

Setlist:

1. "Everything Now"
2. "Rebellion (Lies)"
3. "Here Comes the Night Time"
4. "Haïti"
5. "Peter Pan"
6. "No Cars Go"
7. "Electric Blue"
8. "Put Your Money on Me"
9. "Neon Bible"
10. "My Body Is a Cage"
11. "Neighborhood #1 (Tunnels)"
12. "The Suburbs"
13. "The Suburbs (Continued)"
14. "Ready to Start"
15. "Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)"
16. "It's Never Over (Oh Orpheus)"
17. "Reflektor"
18. "Afterlife"
19. "We Exist" (Tour debut)
20. "Creature Comfort"
21. "Neighborhood #3 (Power Out)"

Bis:

22. "We Don't Deserve Love"
23. "Everything Now (Continued)"
24. "Wake Up"




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Sobre Gabriel von Borell

Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.

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