Silver Mammoth: aula de rock and Roll no Wild Horse Music de SP

Resenha - Silver Mammoth (Wild Horse Music, São Paulo, 12/11/2017)

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Por Wallace Ricardo Magri
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Noite de domingo e estamos aqui, mais uma vez, cobrindo e apoiando o Rock nacional em suas mais variadas vertentes. E hoje o negócio acontece em alto estilo: espaço agradável, público seleto, set list grandioso cobrindo toda a carreira da banda, com direito à execução do álbum "Mindlomania" e "Singles" na íntegra. Rock de qualidade? Sim, temos aqui no Brasil, que não deve nada para banda de lugar algum do globo - e o SILVER MAMMOTH vem esta noite para deixar isto muito claro.

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Após a introdução psicodélica "The Cave, The Hole, The Escape", o show abre com "Bewitched", um dos clipes mais legais produzidos em 2015, mostrando de cara que a banda está afiadíssima e que sobe uns 5 níveis o peso de suas composições ao vivo. Mantendo a intensidade do show lá em cima, emendam com "Mindlomania" em que Marcello manda o seu melhor Ozzy numas das melhores composições da banda até hoje, com direito a duelo de guitarras nos solos.

A esta altura, a essência do Hard Rock está insaturada no pub, que é firmada com muito groove em "Sadness", na qual os teclados old school de Leão se sobressaem. O som da casa está muito bom, todos os instrumentos agradavelmente audíveis sem embolar ou estourar, vocal com ligeiro destaque, como deve ser. Embora a presença de palco fique limitada pelo espaço disponível versus quantidade de músicos, o visual da banda é muito legal e os cabelos aos ares dão conta de trabalhar o movimento.

Seguindo o show, a próxima é a balada "The Time Has Come", interlúdio muito oportuno para equalizar a energia da apresentação e demonstrar a versatilidade do repertório da banda e a qualidade dos músicos: Guilherme é o mestre dos solos mais viscerais, haja vista sua escola Dimebag, mas sabe mostrar feeling invejável nas músicas mais cadenciadas; Teio é discreto atrás de sua Les Paul, mantendo as bases e aparecendo em solos com wah wah e muito groove, bem na linha Page, Box, Frehley; a cozinha está em ótimas mãos com Chakal, baixista de corpo e alma, competente e orgânico que segura todos os andamentos com aquela tranquilidade típica de baixista nato, enquanto Liba cadencia o ritmo, sabendo a hora de groovar e a de martelar, chamando as músicas para os momentos de mais peso; Leão é um músico fora da curva, conferindo um DNA extravagante à sonoridade da banda; e Marcello é um showman na essência do termo, desde presença de palco, passando pela interpretação das letras e contato com o público - além da qualidade inegável como vocalista - e sabe dar crédito aos coautores de algumas músicas, presentes na ocasião, o que demonstra humildade e consideração.

De volta ao show, o Rock antigão rola solto com "Madman Doc" que lembra aquela pegada "Let me Go Rock and Roll" do KISS, só que com a tecladeira comendo solta dando todo clima festivo no andamento da música ao vivo. Em seguida, mais uma baladinha, esta do álbum de estreia, "Natural Love", simples, naquela linha WHITESNAKE, bem inspirada e melódica. "Wild Wolf" vem anunciando o final da primeira parte do show, apoiada em um riff bem pesado, voltando a render homenagens às raízes setentistas da banda naquele estilo "proto-metal" na linha PENTAGRAM. A sequência pesadaça começa com a clássica "Trojan War", que deixa muita banda de Heavy Metal no chinelo, um misto de "Outshined" do SOUNDGARDEN com "NIB" do BLACK SABBATH. Que paulada!! E Marcello aproveita para dar um show à parte no quesito performance e inspiração na interpretação da letra da música.

Em seguida vem "Pride Price", outra paulada fenomenal com todos os instrumentos "na cara" do público - todos os presentes vidrados olhando para o palco de queixos caídos. A seguir é a hora de "Liars" e aquela pegada Punk Rock impagável remetendo, mais uma vez, às raízes da banda, fazendo todos os presentes cantarem juntos o refrão ("you fucking liars"). "Shining Star" traz psicodelia para a apresentação, quase numa linha post-Grunge, lembrando "The Ocean", do PEARL JAM. É chegada a hora de trocar as afinações para tocar as músicas do compacto em vinil "Singles", "Let Me Hide You" e "Coup To The End", que ganham nova roupagem com maior destaque aos teclados ao vivo, tornando-as ainda mais classudas.

E, enfim, chegamos à última parte do show em clima de psicodelia pura, com cover de "Riders On The Storm", do THE DOORS, quando Leão rouba a cena e leva o público ao delírio com uma execução perfeita dos teclados. Por falar em cover, em "Dancing in the Moonlight" Teio assume os vocais e mostra seu estilo THIN LIZZY no vocal. E, para levar o público ao delírio, mandam versão para "White Line Fever", do MOTÖRHEAD, um dos destaques do álbum tributo de que faz parte esta música. Marcelo define bem o que ouvimos, ao final da execução: parece mais BLACK SABBATH do que MOTÖRHEAD. É aquela velha história, cover nota por nota qualquer um faz, agora uma versão original de um clássico de uma das maiores bandas de Rock do mundo com a assinatura da banda que presta o tributo é para poucos.

E, para encerrar, ainda temos a trinca "Shock Therapy", "Silver Mammoth" e "Friend in London"; a primeira, um verdadeiro épico, com direito a execução em alta rotação na Kiss FM; a segunda, a música tema da banda, com um solo de teclado simplesmente insano e também solo de guitarra inspiradíssimo de Teio, com uma levada que deixaria a rapaziada do GHOST ruborizada tamanha a energia envolvida; e, a última, também é tirada do álbum de estreia da banda retomando aquela levada mais simples na linha Punk Rock que caracteriza as primeiras composições da banda, encerrando este concerto irretocável com chave de ouro.

Apesar das duas horas de show, o público pede uma saideira e, quase chegando na primeira hora da segunda-feira, executam "Soldiers of Prey". Agora fica a torcida para a banda disponibilizar esta aula de Rock and Roll em DVD e/ou CD ao vivo. E já adianto, se isto acontecer, compre este material imediatamente, para participar desta experiência única.

Set List:

The Cave, The Hole, The Escape
Bewitched
Mindlomania
Sadness
The Time Has Come
Madman Doc
Let me Go Rock and Roll
Natural Love
Wild Wolf
Trojan War
Pride Price
Liars
Shining Star
Let Me Hide You
Coup To The End
Riders On The Storm
Dancing in the Moonlight
White Line Fever
Shock Therapy
Silver Mammoth
Friend in London
Soldier of Prey

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Sobre Wallace Ricardo Magri

Convertido ao rock desde 1983, quando o Kiss desembarcou no Brasil. Headbanger, que curte de Venom a Accept, de Ministry a The Darkness. Pesquisador do rock; religião que professa: Metal!

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