Yngwie Malmsteen: "Eu inventei o estilo neoclássico!"

Resenha - Yngwie Malmsteen (Teatro Pedro Ivo, Florianópolis, 30/08/2016)

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Por Saulo Castilho
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Florianópolis é uma cidade que costuma estar fora do mapa dos grandes shows internacionais de Heavy Metal que passam pelo Brasil. Mas se por um lado o calendário de eventos da cidade deixa a desejar, por outro, as escolas de música locais têm feito um belo trabalho para satisfazer os amantes das guitarras distorcidas, trazendo grandes nomes internacionais para workshops, promovendo a cultura e a disseminação do conhecimento artístico. Desta vez, a Escola de Música Rafael Bastos, que recentemente trouxe Steve Vai e Paul Gilbert, novamente encheu um dos grandes teatros da capital catarinense, agora com YNGWIE MALMSTEEN. Segundo a produção do evento, o público foi de aproximadamente 500 pessoas, superando as outras apresentações do artista nesta passagem pelo Brasil, realizadas em Fortaleza e São Paulo.

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O início estava marcado para as 20h, e às 20h15 a atração principal foi apresentada. O guitarrista sueco alternou a execução de músicas, em exibições de virtuosismo e malabarismos circenses com a guitarra, com respostas pacientes a perguntas da audiência, algumas das quais já deve ter ouvido pelo menos 1 milhão de vezes e que parecem não fazer sentido para ele, respondendo com um tom situado em algum lugar entre a simpatia, o sarcasmo e um orgulho egocêntrico. Algumas de suas frases, assim como seu figurino, poderiam perfeitamente ter saído de um vídeo do Massacration.

Vida pessoal? Comprem meu livro! Melhor álbum? O que acabei de lançar, comprem ele! Influências? Nenhuma, eu inventei este estilo! Técnica? Nunca estudei técnica, aprendi a tocar de ouvido aos 5 anos de idade.

Veja abaixo com mais detalhes as perguntas de espectadores aleatórios e as respostas que, de uma forma ou de outra, mais se destacaram:

Você acompanha o trabalho ou tem influência de algum guitarrista brasileiro?

Malmsteen: Não importa se é brasileiro ou não. Não tenho influência de guitarrista nenhum! Minhas influências são violinistas clássicos como Paganini, Vivaldi e Tchaikovsky. Todos os guitarristas fazem a mesma merda (exemplifica tocando uma escala pentatônica). Até gosto de alguns guitarristas como Angus Young e Ritchie Blackmore, mas eles não tiveram influência nenhuma no meu estilo de tocar. Nada! Zero!

Como foi sua mudança para os EUA e seu início de carreira por lá?

Malmsteen: Você pode encontrar tudo isso em detalhes no meu livro “Relentless”. Mas vou contar resumidamente: comecei a tocar guitarra aos 5 anos em um país nada amigável para artistas em geral, tudo o que não fosse considerado um emprego regular era mal visto. Fui criado numa terra socialista, eu posso falar do quanto o socialismo é ruim pois vivi isso. Gravei muitas coisas, toquei em várias bandas e eu não conseguia nada, pois lá ninguém ligava para isso. Um dia mandei uma fita demo para uma revista dos EUA e fui convidado a ir para lá. Eu tinha 18 anos e fui apresentado à banda Steeler, fiz apenas um show com eles, abrindo para o Glenn Hughes, para uma plateia de 30 pessoas. Quatro dias depois, eu vi uma fila dobrando quarteirões e ao perguntar quem eles iriam assistir me responderam: “eles estão aqui para ver você”. Só levou quatro dias! Então posso dizer: Deus abençoe a América!

Discute-se muito sobre qual seria seu melhor CD. O meu favorito é o “Unleash the Fury”, o que você poderia dizer sobre ele?

Malmsteen: Eu não tive abordagem diferente nesse álbum. No entando, minha vida passou por muitas fases distintas e isso se reflete nas músicas. Por exemplo, eu acabei de lançar o álbum “World on Fire” que é o álbum mais focado que eu já fiz. Na maioria dos meus álbuns, eu tive outras distrações durante o processo de gravação e o “Unleash the Fury” definitivamente foi um deles. A melhor coisa é poder gravar quando se está inspirado e não por obrigação e o “World on Fire” não tem nada além de inspiração. Quando estava inspirado eu ia para o estúdio, quando não estava, eu dava uma volta de carro, ao contrário de antigamente, em que eu ia para o estúdio quando eu era obrigado. Para vocês pode não fazer diferença, pois não são vocês que estão gravando. Obrigado por gostar desse álbum mas, para mim, ele é só mais um entre muitos e eu prefiro o “World on Fire”, que está disponível no iTunes.

Como é a sua técnica de palhetada?

Malmsteen: Eu nunca me preocupei com isso. Eu comecei a aprender sozinho na infância e não foram os Rolling Stones, os Beatles ou as outras bandas daquela época que me ensinaram a tocar o estilo neoclássico na guitarra. Esse estilo não existia, fui eu que criei. E eu criei ouvindo o violino. Quando eu escuto o violino, as notas são perfeitamente claras, cada nota separada da seguinte em uma sucessão perfeita e isso me cativou. Não quero citar nomes, mas a maioria dos guitarristas faz solos muito embolados e ruidosos, para mim isso é uma porcaria. Eu sempre procurei um som bem definido como o do violino e o que eu fiz foi aprender com meus ouvidos, gravando tudo o que eu tocava para conferir se estava bom e ver o que eu poderia melhorar, todos os dias, 18 horas por dia. Eu nunca pensei sobre palhetada alternada, palhetada econômica, “anchoring” e todos esses termos que atribuíram a mim depois. Quando eu tinha 19 anos eu fui ao Japão e me perguntaram como eu segurava a palheta, foi a primeira vez que eu parei para olhar isso.

Como é a sua técnica de vibrato?

Malmsteen: Isso é similar à pergunta anterior. Nunca me preocupei com a forma como faço isso, apenas com a sonoridade que eu tiro da guitarra.

Você poderia tocar um medley de músicas de todos os seus álbuns para nós?

Malmsteen: Você tem uma moeda? Desculpe, eu não sou uma jukebox em que você coloca uma moeda e pede uma música.

Entre as perguntas, o músico executou o setlist abaixo, acompanhado apenas por trilhas pré-gravadas:

Heavy E Phrygian
Spellbound
Baroque & Roll
Badinerie (Cover de Bach)
Never Die
Fugue
Blue
Far Beyond the Sun

Após a última pergunta da plateia, Malmsteen tocou a música “Far Beyond the Sun”, encerrando sua apresentação pontualmente às 21h. Apesar das tentativas da audiência, da produção e do próprio roadie de trazê-lo de volta ao palco, o guitarrista não voltou para nenhum bis.

Depois disso, restou ao público contentar-se em interagir com a figura carismática do roadie que acompanha o astro há 5 anos, levando muita bronca e aguentando seu temperamento. O assistente ficou feliz em responder perguntas técnicas sobre o equipamento do guitarrista, as quais o próprio não gosta de responder. Ele falou sobre todo o equipamento utilizado, incluindo guitarra, captadores, pedais, cubos e até mesmo palheta, tanto em gravações como em shows. Nesta etapa, o destaque foi para o relato de que não são utilizadas distorções dos amplificadores, elas são geradas apenas pelos seus pedais, mas seu efeito limpo tem uma leve saturação causada pelo fato dos amplificadores estarem sempre no volume máximo. Inclusive, foi anunciado que dois amplificadores queimaram durante a passagem de som por esse motivo.

Em geral, foi um evento interessante e muito bem organizado, do qual a grande maioria do público saiu satisfeita. Mas o tempo de palco do guitarrista, inferior a 45 minutos, foi o que deixou a desejar. Principalmente, se comparado ao evento similar protagonizado por Steve Vai, que durou quase 3 horas, e em que este último deu uma aula de simpatia, humildade e do que realmente é importante para ser um artista de sucesso. Mas para os admiradores do músico sueco, esses 45 minutos serviram para apreciar Malmsteen sendo Malmsteen, uma figura icônica, quase mitológica, fazendo jus a tudo o que se fala sobre ele, do talento ao ego.

Comente: Yngwie Malmsteen é egocêntrico ou apenas melhor que todo mundo?

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Sobre Saulo Castilho

Catarinense, bacharel em ciências da computação, mestre em matemática, fluente em língua inglesa e com conhecimento avançado ou intermediário em outros quatro idiomas não nativos. Além de músico, compositor, letrista e apreciador de todos os subgêneros do metal, em especial power metal e metal progressivo.

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