Overload Music Fest: Um festival que melhora a cada ano

Resenha - Overload Music Fest (Via Marquês, São Paulo, 06/09/2015)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


































Um projeto que se aprimora a cada ano é o melhor modo de começar esta resenha. O Overload Music Fest, que nasceu com a ideia de trazer projetos e bandas alternativas da cena rock e metal para os palcos brasileiros, veio em sua segunda edição sabendo já dos erros e acertos da de 2014. Fizeram a lição de casa e não tiveram medo algum de mudar muita coisa em sua estrutura, corajosos que são por investirem na música alternativa. Essa resenha tem como objetivo discutir um pouco estas condições e, também, mostrar um breve resumo das apresentações do festival, com as fotos de Fernando Yokota.

Fotos: Fernando Yokota. Galeria completa neste link.

O FESTIVAL

Virando sinônimo de bandas inusitadas, o Overload este ano vai ganhando cara. Com proposta bastante diferente da edição de 2014, este ano o festival resolveu apostar em dois dias e, especialmente, em um horário mais cedo. Com um número maior de bandas, ficaria realmente impossível realizar todos os espetáculos em um único dia, mas isso também traz mais consistência ao festival. Os shows de dia foram bem-vindos e ajudam a cansar menos o público, apesar que o horário do sábado possa ter assustado algumas pessoas que trabalham neste dia.

Outra iniciativa bastante louvável, que tiro o chapéu, foi a forma como o público foi tratado, com meet and greet gratuito com as bandas alternativas – quem imaginava que algumas delas viriam o Brasil, e ainda por cima com meet and greet??? – e uma belíssima seleção de merchandising. O som no geral foi muito bem tratado e o espaço entre os shows demonstra o planejamento muito bem feito da produtora, que pouco sofreu atrasos.

Por outro lado, o merchandising foi posicionado em um local que não se pode ver – na área do mezanino – e a produtora poderia ter avisado mais vezes durante o festival sobre isto. Também o meet and greet faltou sinalização, e isso pode ter deixado alguns meio perdidos. O preço das bebidas – especialmente da água, não é admissível um valor destes – não são viáveis e um preço menor, poderia facilitar o consumo. Cabe ao Via Marquês, no caso, repensar esta prática.

DIA 05/09: Riverside domina e Anathema enfrenta problemas

O Festival teve uma agenda muito bem divulgada antes da realização, com os horários exatos de que cada show seria realizado. Às 16h30m, a banda NOVEMBERS DOOM subiu ao palco para abrir o espetáculo. O show foi anunciado como acústico, mas havia uma guitarra e um baixo plugados. O tom das músicas foi bastante sombrio, a qualidade de áudio estava excelente, porém o som acústico da banda não foi dos melhores. As músicas ficaram arrastadas demais, especialmente para quem não é fã da banda, afinal 1h15m foi um tempo bastante longo.

Novembers Doom setlist:
1. Silent Tomorrow
2. The Fifth Day of March
3. Twilight Innocence
4. Clear
5. Through a Child's Eyes
6. For Every Leaf That Falls
7. Serenity Remembered
8. Autumn Reflection
9. Of Age and Origin (Part 2)

O segundo show foi de ANDY MCKEE. E para quem nunca ouviu uma música do cara como eu, admito, foi realmente uma gratíssima surpresa. Andy é o tipo de músico que arrasa com seu instrumento, domina a arte da música. Com rapidez e feeling, o cara agradou muito o público, que não tirou os olhos dele durante todo o show. Belo destaque para os excelentes covers de Michael Hedges, uma das grandes influências do cara. Músicas próprias como “Common Ground”, mostraram também que o cara sabe compor e tem muita rapidez nos dedos. Quem é fã de Folk, tem que conhecer o trabalho deste cara.

Andy McKee setlist:
1. Common Ground
2. Everybody Wants to Rule the World (cover do Tears for Fears)
3. Africa (cover do Toto)
4. Drifting
5. Ebon Coast
6. Tight Trite Night (cover de Don Ross)
7. Because It's There (cover de Michael Hedges)
8. Aerial Boundaries (cover de Michael Hedges)

Os poloneses do RIVERSIDE vieram em seguida. Sou bastante suspeito para falar destes caras, já que conheço o trabalho deles há um bom tempo, mas foi sem dúvidas um dos grandes destaques do festival. Com um progressivo bastante firme, e uma qualidade de som inigualável, os caras deram um choque no público que até então estava ainda na marcha das bandas anteriores. Da melodia de “Lost” até passando pelo ritmo potente de “Saturate Me”, a banda mostrou que é realmente uma das grandes novidades da cena prog, e que com essa técnica precisa ainda podem evoluir muito. Quem gostar, confira o último disco da banda, “Love, Fear and the Time Machine”, que é realmente um passo adiante na carreira desta promissora banda.

Riverside setlist:
1. Lost (Why Should I Be Frightened By a Hat?)
2. Feel Like Falling
3. Hyperactive
4. Conceiving You
5. 02 Panic Room
6. The Depth of Self-Delusion
7. Saturate Me
8. Egoist Hedonist
9. Escalator Shrine

Se a pegada do Riverside foi extrema, o que fica de destaque do REIGN OF KINDO é a excentricidade da banda. Já ouvi muitas coisas bizarras nessa vida, mas esta banda está um nível acima no termo “bizarro”. Mas não é pejorativo, pois os caras são muito bons no que fazem. A mistura de ritmos é insana, passando do progressivo para o jazz, e então para o rock clássico, e então para a música latina, e então para a música pop. Eles não tem limites nessa transição, e foram muito apegados aos detalhes. Na verdade, é difícil ouvir o som da banda e não ter sua mente invadida por esta dualidade, “trialidade” ou “multialidade” que eles trazem no som. Destaque enorme para os percussionistas, que deram um show no solo que fechou o espetáculo. Haja fôlego e vontade!

The Reign of Kindo setlist:
1. Impossible World
2. Feeling In The Night
3. Thrill of the Fall
4. Needle & Thread
5. Bullets In The Air
6. Romancing A Stranger
7. Battling the Years
8. Till We Make Our Ascent
9. The Moments In Between
10. Hold Out
11. The Hero, The Saint, The Tyrant, & The Terrorist
12. Just Wait

O show anterior já havia atrasado 15 minutos, e o Anathema demorou ainda mais 30 minutos para subir ao palco. Pelo que parece, os problemas técnicos atingiram em cheio a banda que ia fechar o dia, e a qualidade do som decaiu um tanto dos shows irrepreensíveis das duas antecessoras. Isso não tirou a animação do público, que recebeu com muito prazer seus ídolos, que estavam muito animados. Tanto quanto eles estavam também os fãs, nem parecia que tinham visto a banda há pouco mais de 6 meses no fatídico show da Clash Club.

O show foi bastante similar, e a única música que não foi tocada em fevereiro e foi tocada neste show foi “A Simple Mistake”. A qualidade do som estava decente, com algumas variações como um aumento meio excessivo na base em algumas músicas como “Untouchable”, por exemplo, mas nada que retirasse a qualidade do espetáculo. Vincent também teve problemas na guitarra, que foram resolvidos prontamente. Destaques do show, “Lost Song” foi tocada na íntegra, em sequência, que emocionou e fez chorar muita gente.

Anathema:
1. Anathema
2. Untouchable, Part 1
3. Thin Air
4. The Lost Song, Part 1
5. The Lost Song, Part 2
6. The Lost Song, Part 3
7. The Beginning and the End
8. A Simple Mistake
9. Universal
10. Closer
Bis:
Intro: Firelight
11. Distant Satellites
12. A Natural Disaster
13. Fragile Dreams

DIA 06/09: Som insano da banda MONO. Novembers Doom arrasa!

Com menos bandas, o segundo dia de festival foi marcado por um planejamento ainda melhor. O dia começou mais uma vez em ponto, quando o ANTIMATTER subiu ao palco para fazer sua apresentação. O show dos caras também não foi acústico, pois havia uma guitarra plugada. Porém o preciosismo de Mick Moss foi o diferencial para a apresentação acústica do Novembers Doom no dia anterior. Foi uma grande apresentação, nos detalhes, e que aproveitou a qualidade do palco do Via Marquês. Agradou muito ao público e abriu muito bem o domingo. Foram 45 minutos de show com gostinho de quero mais – a setlist podia ser mais extensa.

Antimatter setlist:
1. Over Your Shoulder
2. The Last Laugh
3. Mr. White (cover do Trouble)
4. Dream
5. A Place in the Sun
6. Uniformed & Black
7. Leaving Eden
8. Monochrome
9. Conspire
10. The Power of Love (cover de Frankie Foes to Hollywood)

A banda seguinte a se apresentar foi o MONO. Os japoneses são aquele tipo de banda diferente, inusitado, que você quase não vê ao vivo aqui no Brasil. O instrumental dos caras mistura o pesado, a pancada, o “wall of sound”, com uma melancolia de momentos arrastados, que parecem não ter fim. Ouvi-los ao vivo é totalmente diferente do que em disco. Ao vivo você vê o sentido que a banda quer passar em suas músicas, esse senso de vazio e solidão. É um som que me lembra muito em alguns momentos o post-rock europeu, bandas como a islandesa Sólstafir (uma bela pedida para um próximo Overload Music Fest), que traz também este mesmo estilo de vazio. A banda é diferente e não agrada muitos ouvidos, mas mostra a marca do festival: unir os diversos gêneros e bandas que você nunca veria ao vivo.

Mono setlist:
1. Ashes in the Snow
2. Pure as Snow (Trails of the Winter Storm)
3. Kanata
4. Halcyon (Beautiful Days)
5. Recoil, Ignite
6. Death In Reverse

A Novembers Doom voltou para o segundo dia do festival para tocar o seu heavy metal. E olhem, foi muito bom! No meu ver, a melhor apresentação do segundo dia foi deles. Som potente, muita qualidade e surpresas interessantes no setlist – como “Amour of the Harp” e “The Novella Reservoir”, que ninguém esperava ver ao vivo. A transição dos vocais guturais para os melódicos foi fantástica, Paul Kuhr estava num dia perfeito, e a banda encantou os fãs brasileiros.

Sem dúvidas fizeram esquecer o show sem sal apresentado no primeiro dia – onde claramente faltava feeling para a banda. O negócio desses caras é música pesada, guitarras potentes e uma bateria estrondosa, como apresentado neste show.

Novembers Doom setlist:
1. Rain
2. Bled White
3. The Jealous Sun
4. Harvest Scythe
5. The Novella Reservoir
6. Just Breathe
7. Amour of the Harp
8. Heartfelt
9. Dark Fields for Brilliance
10. I Hurt Those I Adore
11. Buried
12. The Pale Haunt Departure

Foi do PARADISE LOST o encargo de fechar o festival. Falar sobre a fama e a qualidade destes caras é chover no molhado. Diferente do show em 2014, a banda veio desta vez divulgar seu novo álbum “The Plague Within”, lançado há 3 meses. “No Hope in Sight”, uma das tocadas, caiu na graça do público logo de cara, e mostrou junto com a também ótima “Victim of the Past” e “Terminal”, que o novo álbum foi muito bem recebido pelos fãs.

A banda foi agraciada com um público muito receptivo, que pulou e cantou junto o tempo inteiro do show. A qualidade do som também agradou. Além das novatas, a banda também soube trazer seus maiores clássicos para o palco. Sucessos como “One Second”, “As I Die” e “Say Just Words” não ficaram de fora, além dos belíssimos solos de guitarra de “Gothic” e a não tão velha “Faith Divides Us – Death Unites Us”, que também é desejo do grande público. Foi um show fantástico, que deixou um gostinho de quero mais em todos os presentes.

Paradise Lost setlist:
1. The Enemy
2. No Hope in Sight
3. Gothic
4. Tragic Idol
5. Erased
6. True Belief
7. Victim of the Past
8. Hallowed Land
9. Faith Divides Us - Death Unites Us
10. Pity the Sadness
11. Isolate
12. Terminal
13. One Second
Bis:
14. An Eternity of Lies
15. As I Die
16. Say Just Words

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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