Monsters Tour: Motorhead, Judas e Ozzy em Porto Alegre
Resenha - Monsters Tour (Estádio do Zequinha, Porto Alegre, 30/04/2015)
Por Guilherme Dias
Postado em 04 de maio de 2015
Uma honrosa fatia do festival "Monsters of Rock" de São Paulo se apresentou em Porto Alegre com o título de "Monsters Tour". O nome do festival diz tudo o que representa as bandas que, de fato, são monstros do rock and roll. Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne são artistas com mais de 40 anos de história na música, que juntos proporcionaram um momento único para os gaúchos.
Fotos por: Liny Oliveira
facebook/photoslinyoliveira
Antes do horário previsto, às 18:20, a Zerodoze entrou em ação em um dos maiores festivais de rock que Porto Alegre já recebeu. Cristiano Wortmann (guitarra e vocal), André Lacet (baixo) e Jean Montelli (bateria) mostraram peso e seriedade em seu som. Os destaques da apresentação foram os covers de "Symphony of Destruction" do Megadeth e "Wrathchild" do Iron Maiden e também da canção autoral da banda, "Black and Gray", que está na programação da rádio Ipanema e que recebeu agradecimento especial por parte da banda. Uma escolha muito justa para iniciar o cronograma de shows, agradando bastante o público, que ainda não estava completo até então.
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Eram 19 horas e 30 minutos quando o Motörhead subiu no palco, e nem todos os fãs da banda estavam presentes no estádio Passo d’Areia (mais conhecido como Zequinha), devido à longa fila e problemas no trânsito da região. Lemmy Kilmster (baixo e vocal) assustou seus fãs na semana que antecedeu o show, isso por causa do cancelamento da apresentação da banda no Monsters of Rock de São Paulo, no dia 25 de abril, por motivo de problemas estomacais. Porém para essa noite nada de problemas, quando entrou no palco foi direto ao microfone e disse "Nós somos o Motörhead e tocamos rock and roll". Phil Campbell (guitarra) e Mikkey Dee (bateria) estavam juntos ao frontman para realizarem um ótimo show para os fãs da banda. A apresentação teve início com "Shoot You in the Back" e sem muita conversa, foi seguida de "Damage Case", "Stay Clean" e "Metropolis" (ambas as três do clássico disco "Overkill").
O público estava muito morno para uma banda de peso como o Motörhead. Do fundo do palco Mikkey fez gestos insinuando que o público estava dormindo, e Lemmy pediu para o público fazer barulho em diversos momentos do show. Após "Over the Top", Phill com uma guitarra iluminada, realizou um solo cheio de sentimento, deixando de lado a agressividade do som da banda.
Do último álbum do power trio, chamado "Aftershock" (2013), duas canções fizeram parte do set-list, sendo elas "Do You Believe" e "Lost Woman Blues". "Doctor Rock" conteve um monstruoso solo de bateria de Mikkey Dee. Pra finalizar a apresentação, "Going to Brazil" e "Ace of Spades" fizeram o público reagir como o Motörhead merece. Para o bis, "Overkill" finalizou a primeira parte da grande festa.
Em ótima fase, a banda liderada pelo "Metal God" Rob Halford (vocal) aumentou o ânimo do público, que já era muito mais volumoso em comparação ao do início da apresentação do Motörhead. Glenn Tipton e Richie Faulkner (guitarras), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) completavam o grande time do Judas. Muitos clássicos e algumas músicas novas preencheram um pouco mais de uma hora de show da banda. O show teve início com "Dragonaut", do novo trabalho "Redeemer of Souls" (2014), também desse álbum incluíram na apresentação a faixa título e "Halls of Valhalla".
A segunda música do set foi um dos hinos do heavy metal, "Metal Gods". "Devil’s Child", "Victim of Changes" e "Turbo Lover" agradaram o público, muito devido a importância das músicas na carreira da banda.
Após "Breaking the Law", outro clássico do metal, a banda se retirou rapidamente do palco. Escutava-se apenas o ronco dos motores de uma motocicleta, deixando óbvio o retorno de Rob em cima de uma moto para "Hell Bent For Leather". Antes do bis a introdução "The Hellion" para "Eletric Eye". Scott brevemente assumiu os microfones na bateria, convocando o público para a matadora "Painkiller", com destaque para os perfeitos vocais de Rob Halford, que não deixou a desejar em momento algum. Na despedida, "Living After Midnight", que só não deixou o público com depressão pós-show porque a noite ainda estava longe do fim.
Judas Priest e Motörhead dividem opiniões na preferência musical, diferente de Ozzy Osbourne, que é unanimidade entre todos, fazendo aquele show que não há quem não goste, seja pela sua fase solo ou pelo seu tempo de Black Sabbath.
Próximo das 23 horas, era a vez do Madman fazer o seu show. Com o público já ocupando praticamente todos os espaços do campo e das arquibancadas do estádio, "Bark At The Moon" e "Mr. Crowley" enlouqueceram todos. Desde o início Ozzy "presenteou" os seus fãs que estavam mais próximos do palco. Com uma mangueira, fez chover espuma nas primeiras filas. Os fotógrafos mais preocupados usaram capas de chuva e protegeram de todas as formas possíveis os seus equipamentos, a fim de não terem os seus instrumentos de trabalho danificados.
Ozzy apresentou os seus competentes companheiros, Gus G. (guitarra), Rob Nicholson (baixo), Tommy Clufetos (bateria) e Adam Wakeman (teclado) antes de anunciar "Suicide Solution". A canção que emociona a todos, "Road to Nowhere", não ficou de fora, assim como a hardera de "Shot in the Dark".
Em meio as canções de Ozzy, ainda havia espaço para clássicos do Black Sabbath como: "War Pigs", e a instrumental "Rat Salad" (com solos destruidores de Gus G. e Tommy) . Em "Iron Man", Adam Wakeman (filho do lendário tecladista Rick Wakeman) assumiu a guitarra, acompanhando Gus G..
"I Don’t Want to Change the World" e "Crazy Train" conseguiram tirar a voz do público, que estava notavelmente cansado, mas com muita vontade ainda. No decorrer do show além de chuva de espuma, Ozzy também jogou balde de água na galera. Estava frio em Porto Alegre, então com certeza não foi muito agradável tomar esse banho de água fria, mesmo sendo do Madman.
Era mais de meia-noite quando Ozzy e seus companheiros se despediram com mais um clássico do Black Sabbath, "Paranoid", não faltando mais nada para alegrar a noite de quem estava presente no estádio.
O local escolhido para a apresentação teria sido perfeito caso tivesse mais entradas e saídas. A mesma demora para entrar no estádio foi vista na saída também. A grande estrutura de palco e alta qualidade sonora foram os pontos positivos. Mais de 15 mil pessoas compareceram ao local, mostrando que a cena do hard rock e heavy metal ainda é muito forte no estado do Rio Grande do Sul, merecendo mais shows de monstros do rock and roll.



















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