O guitarrista que Lemmy disse ter ficado "ainda melhor" depois de morrer
Por Bruce William
Postado em 21 de fevereiro de 2026
Lemmy Kilmister sempre foi daquele tipo de personagem que rendia entrevista boa mesmo quando estava falando de alguém que admirava. Bastava uma frase torta, meio seca, e pronto: vinha uma observação que ficava na cabeça. Foi o que aconteceu quando ele falou de Randy Rhoads, guitarrista que marcou o início da carreira solo de Ozzy Osbourne.
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Em entrevista de 2011 (via Far Out), Lemmy lembrou do amigo com carinho e soltou uma frase que, lida isoladamente, parece até provocação: disse que Randy "se tornou um guitarrista ainda melhor depois que morreu". A fala aparece em repercussões da entrevista e é atribuída a uma conversa com a Goldmine naquele período.
Antes disso, ele descreveu Rhoads de um jeito bem característico, misturando humor e admiração: "Ele era um cara realmente bom. Eu nunca consegui superar o fato de como ele era incrivelmente pequeno. Randy tinha mãos pequenas. Rapaz, como ele tocava guitarra. Ele se tornou um guitarrista ainda melhor depois que morreu", disse.
A explicação de Lemmy era que existe uma espécie de "mistério" no rock: guitarristas passam a ser mais reconhecidos depois que morrem: "É um mistério bem conhecido que guitarristas de repente ficam melhores quando morrem. Buddy Holly foi o primeiro. Stevie Ray Vaughan é conhecido por muito mais gente do que o número de pessoas que já tinha ouvido falar dele quando estava vivo." Ou seja, ele não estava dizendo que Randy tocou melhor literalmente depois de morrer, mas que a percepção pública sobre sua grandeza cresceu ainda mais.
No caso de Randy Rhoads, essa leitura faz sentido pelo peso que ele ganhou com o tempo. Mesmo com uma carreira curta, ele gravou os dois primeiros álbuns solo de Ozzy, "Blizzard of Ozz" (1980) e "Diary of a Madman" (1981), deixando solos e arranjos que viraram referência para gerações de guitarristas de metal. A morte dele, em um acidente de avião em 1982, interrompeu essa trajetória cedo demais e ajudou a consolidar essa imagem de talento interrompido.
A fala de Lemmy chama atenção justamente porque junta duas coisas que ele fazia muito bem: elogiar sem transformar tudo em discurso solene e, ao mesmo tempo, dizer uma verdade incômoda sobre como o rock funciona. Em muitos casos, o reconhecimento cresce quando já não há mais obra nova, entrevista nova, erro novo ou fase ruim para "atrapalhar" a lenda. Randy Rhoads entrou nesse grupo.
E aí está a sacada da frase. Lemmy não estava rebaixando Randy; estava, na verdade, apontando como a memória do rock costuma operar. Alguns músicos viram gigantes em vida. Outros já eram grandes, mas, depois que partem, passam a ser tratados como medida de comparação. Randy acabou ficando nesse segundo time - e isso explica por que a frase soa estranha no começo e certeira depois.
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