Slash: Quem ganha, além de nós, meros mortais, é o Rock

Resenha - Slash (Espaço das Américas, São Paulo, 22/03/2015)

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Por Thiago JoZeh
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Capacidade produtiva, bom gosto melódico, sensibilidade ímpar, fraseados marcantes no meio dos solos, entre outras características que dispensam comentários. SLASH colocou fogo no Espaço das Américas em São Paulo.

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Gilby Clarke

O guitarrista contratado do Guns'n'Roses na década de 90 (se você não sabe quem ele é, dá uma buscada naquele buscador famoso) ficou encarregado de abrir o show do SLASH na turnê brasileira. Já tinha escutado o som dele antes, que faz um rock competente e para os "gunners" de plantão, foi um prato cheio.

Com uma banda de músicos argentinos, chamada Coverheads (o baixista eu achei parecido com o Brian Johnson do AC/DC) fez um show de 50 minutos muito competente.

Vamos ao que interessa do show do Gilby Clarke, que parece que envelheceu uns 2 anos desde 1993:

Depois de abrir com “Wasn't Yesterday Great”, “Under Gun”,”Motorcycle Cowboys” e “Black”, ele executou: “It's only rock'n'roll” - som dos Rolling Stones, fez um cover fiel, só que com mais distorção e foi a primeira música que ele tocou que empolgou o público.

“Knockin on Heavens Door” - foi o primeiro ápice do show dele, muito bem executada. E o solo, a primeira parte pelo menos, foi na íntegra do “Use Your Illusion”.

“Wild Horses” - mais um som dos Rolling Stones, só voz e violão com o Gilby Clarke. “Monkey Chow” - cover do Slash's Snakepit do álbum “It's Five O'Clock Somewhere”, no qual ele participou da gravação.

“Dead Flowers”- MAIS UM som dos Rolling Stones (será que o Gilby Clarke gosta dos Rolling Stones?). “Cure Me or Kill Me” - a introdução lembra “Enter Sandman” do Metallica.

“Tijuana Jail” - segundo ápice do show, pois o cartoludo esperado da noite fez uma participação durante essa canção. Quando ele entrou no palco a galera já foi abaixo e ovacionou o Slash.

Num geral, de 0 a 10, dou nota 7 para o show do Gilby Clarke, todos sabem que ele não é virtuoso, muito menos um gênio do rock, ele cantando não compromete e mandou muito bem com os “hermanos”.

Slash featuring Myles Kennedy & The Conspirators

Agora começa o show de gente grande. Na minha opinião, o primeiro álbum do Slash é o melhor, o atual e terceiro álbum “World On Fire” vem em segundo lugar e o “Apocalyptic Love” (segundo álbum) é o "pior".

Eles começam com “You're a Lie”, do segundo álbum e uma das poucas músicas boas do “Apocalyptic Love”. A galera vibra e muitos cantam (pelo menos da pista premium/gourmet/opressora da qual eu estava assistindo). Em seguida, a matadora “Nightrain” agita e coloca abaixo o local do show. Na sequência, veio a “Avalon, faixa número catorze do “World On Fire” com um riff marcante que particularmente me lembra “Pretty Tied Up” do Guns'n'Roses.

Em seguida, “Ghost”, do primeiro álbum do cartola maluco, que na minha opinião não está nem entre as cinco melhores do primeiro álbum, mas ok. Após, veio “Back from Cali”, de novo uma música do primeiro álbum (em que é o próprio Myles Kennedy que canta na gravação) e que também não figura entre o top 5 do primeiro álbum, mas ok de novo.

Até esse ponto, o que me chamou a atenção foi a maioria da galera cantando esses sons, mostrando que o Slash está sim fazendo uma carreira sem depender da nostalgia do Guns'n'Roses.

Agora, uma das melhores músicas do novo álbum: “Wicked Stone”. Todos cantaram e curtiram esse som que só de escutar os primeiros cinco segundos, já te ganha. Seguida por “Shadow Life”, também do novo álbum e muito boa. Porém, a que veio a seguir, foi um prato cheio para os gunners: “You Could be Mine”. Uma das melhores músicas do “Use Your Illusion” fez muito feliz os gunners presentes no show.

A próxima música, novamente do primeiro álbum, “Doctor Alibi”, e quem canta no álbum foi nada menos que o Lemmy Kilmister do Motorhead. Mas no show desse domingo não foi o Myles Kennedy que cantou, e sim o Todd Kerns, um dos Conspirators, que inclusive tem uma presença de palco incrível, bem "oitentista" e manda muito no baixo.

A décima música do show, realmente é nota 10: “Welcome to The Jungle”, creio que essa dispensa comentários. Em seguida, “Starlight”, um dos melhores sons do primeiro álbum do Mr.Saul Hudson. Uma baladinha rock clássica e aguardada pelos casais presentes no show. Eu vi gente gravando áudio no whatsapp e mandando para a amada(o). E não, eu não fiz isso...ou fiz? :-)

“The Dissident” e “Beneath the Savage Sun” vieram em seguida, ambas do álbum novo. “Rocket Queen” tomou lugar, com aquele riff inesquecível e com um solo longo, longo, longo, longo, longo, muito, MUITO longo do homem com a cartola.

“Bent to Fly” e “World on Fire” vieram em seguida. A que leva o nome do álbum, foi cantada por todos e é MUITO agressiva, agitando os cabeludos da casa.

“Anastasia”, do segundo álbum já citado e que é uma das pouquíssimas que se salvam dele, agitou a casa com seu riff quase que clássico (sim, de música clássica e não de rock clássico).

Agora, uma das partes do show que não agitou tanto e que fiquei MUITO feliz: “Sweet Child O'Mine.” Nunca vi (nos três shows do Slash) Sweet Child O'Mine agitar tão pouco a galera. Eu adoro esse som, como todo bom gunner, porém, isso mostra o espaço que o som do Slash está ganhando. Nos próximos shows, daqui uns 2 ou 3 pelo menos, “Sweet Child O'Mine” não vai fazer falta.

A penúltima: “Slither”, do primeiro álbum do Velvet Revolver (no qual eu acho “Set me Free” a melhor música, mas ok) agitou o público com seu riff sombrio.

Então veio as despedidas, o Slash e o Myles falando o quão fantástico (para não falar outra palavra com F) o público de São Paulo é. Eles ficaram fazendo aquele barulho tradicional de fim de show e em seguida saíram do palco. Claro que todos sabiam qual música estava faltando: “Paradise City”. Quando retornaram ao palco, o homem da cartola mais famosa das galáxias falou que ia chamar um grande amigo para executar com ele a próxima música. Óbvio que era o Mr.Gilby Clarke. Essa música também dispensa comentários.

Na parte acelerada da música, pedaços de papel foram atirados ao ar, todos pulando e cantando “Paradise City”. Após o término da música e novamente daquele barulho tradicional que todas as bandas fazem, o Myles Kennedy levanta uma camisa preta com a capa do álbum “World on Fire”, porém com a frase: BRAZIL ON FIRE

Quem ganha, além de nós, meros mortais, é o ROCK. Slash & Myles Kennedy formam hoje uma das melhores duplas do rock mundial e podemos esperar grandes shows, composições brilhantes e uma parceria que está amadurecendo cada vez mais. A tendência senhoras e senhores, é só melhorar. Deixo meus parabéns para o Brent Fitz (bateria), Frank Sidoris (guitarra base) e o carismático já citado Todd Kerns (baixo). Fica o meu "protesto" por não terem tocado “Stone Blind”, para mim, a melhor música do álbum novo “World On Fire”.

Slash featuring Myles Kennedy & The Conspirators:

Slash: guitarra
Myles Kennedy: voz e guitarra
Todd Kerns: baixo e voz
Frank Sidori: guitarra e voz
Brent Fitz: bateria

Set list:
You're a Lie
Nightrain
Avalon
Ghost
Back from Cali
Wicked Stone
Shadow Life
You Could Be Mine
Doctor Alibi
Welcome to the Jungle
Starlight
The Dissident
Beneath the Savage Sun
Rocket Queen
Bent to Fly
World on Fire
Anastasia
Sweet Child O' Mine
Slither
BIS: Paradise City

Gilby Clarke & Coverheads:

Gilby Clarke: guitarra e voz
Gaby Zero: guitarra e voz
Dani Chino: baixo
Dukke: bateria

Set list:
Wasn't Yesterday Great
Under The Gun
Motorcycle Cowboys
Black
It's Only Rock And Roll (But I Like It)
Knockon' On Heaven's Door
Wild Horses
Monkey Chow
Dead Flowers
Cure me or Kill Me
Tijuana Jail

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