Maestrick: banda inaugura novo formato de show
Resenha - Maestrick (Vila Dionísio, São José do Rio Preto, SP, 20/07/2014)
Por Júlio Verdi
Postado em 27 de julho de 2014
Desde que lançou seu primeiro álbum, o saudado "Unpuzzle!'' (em 2011), o Maestrick vem trilhando um caminho de crescimento e tem se tornado cada vez mais um nome conhecido e forte na cena rock/metal do pais. Com o disco lançado recentemente na Europa, com participações em festivais de porte do "Roça in Roll" (Varginha/MG), dividindo palco com atrações nacionais e internacionais de renome, e figurando entre as 10 escolhidas na seletiva nacional do festival "Monsters os Rock" de 2013, a banda se encontra atualmente em meio à pré-produção do segundo disco, previsto para sair ano que vem. Além disso está trabalhando num projeto em homenagem ao falecido vocalista Dio, onde gravará a faixa "Rainbow Eyes", junto à Orquestra Belas Artes de São José do Rio Preto, composta por cerca de 20 jovens músicos.
Sobre os palcos a banda tem evoluído e lapidado a olhos vistos suas apresentações. E foi o que aconteceu na noite de 20 de julho, quando o grupo retornou ao Vila Dionísio (São José do Rio Preto/SP), local de sua primeira apresentação. A banda inaugura agora um novo formato de show, ao qual batizou de "The Trick Side of the Songs". O set mescla suas excelentes músicas próprias com releituras de clássicos do rock que inspiraram seus integrantes. Aí fica a pergunta. Teria o Maestrick se rendido à onda dos covers? Tem duas situações claras que demonstram uma negativa a tal questão. Muitos dos jovens presentes nesse show cantaram e agitaram mais nas músicas autorais da banda do que nas versões. E a segunda é justamente pelas músicas se tratarem disso mesmo: versões. Algumas ficaram bem fiéis a seus arranjos originais, como "Perry Mason" (Ozzy), "Save Me" (Queen) e "Highway Star" (Purple). Já outras ganharam a cara da banda, com passagens variadas e um ganho substancial no peso, como "Aqualung" (Jethro Tull) e "While My Guitar Gently Weeps" (Beatles, que ficou fantástica). Essas últimas duas por sinal já foram executadas em outros shows anteriormente.
Após uma brincadeira com "Moby Dick/Immigrant Song" (Led) a banda inicia o set da noite com "Radio Active", do "Unpuzzle!". Suas músicas parecem soar cada vez melhores ao vivo, como seus hits "H.U.C" e "Aquarela". Após "Yellown of the Ebrium" e "Puzzler" e talvez a mais pesada do disco, "Disturbia", mandaram uma versão praticamente acústica de "Pescador" e uma arrasadora da (magistral) "Treasures of the World". E foram intercalando seu material próprio com as releituras supra citadas. E com algumas surpresas como a presença do baterista Heitor nas primeiras vozes de "Throught her Eyes" (Dream theater ) e com a backing vocal Carol dividindo as estrofes de "Perfect Strangers" (Purple) com o vocalista Fábio Caldeira. Esquentando as turbinas para o projeto em homenagem ao Dio, a banda mandou também um enérgico medley com três canções do cantor, ¨Tarot Woman¨ e ¨Kill the King¨, do Rainbow e ¨Stand Up and Shout¨, de sua carreira-solo.
Falando em termos de formação, poderíamos dizer que se tratam de quatro rapazes-prodígios (já que não mais garotos há tempos). E como exalam pericia e habilidade com seus instrumentos. Junto a Fabio Caldeira (vocal), Heitor Mattos (bateria), Renato "Montanha" (baixo) e Paulo Pacheco (guitarra), e das backing vocals Dani Castro e Carol Penhavel, o show contou com a participação do tecladista Mauricio Lopes (Motordrunk), anunciado por Fábio como uma presença constante nas próximas apresentações.
O Maestrick já tocou em palcos maiores e com produções mais elaboradas. Mas esse foi até agora o melhor show que presenciei da turma. A razão disso talvez seja o fato de que a banda estava bem à vontade e, com muita tranquilidade, mostrou uma segurança de veteranos. Suas complexas músicas saem com uma pontualidade e naturalidade espantosas. Quase ao término do show, Fábio anunciou que um novo projeto está em planejamento: uma apresentação de todas as músicas do "Unpuzzle!", em companhia da orquestra filarmônica da cidade, comandada pelo maestro Paulo Buchala, que por sinal estava presente naquela noite do Vila.
Aguardemos ansiosos pelo novo álbum e pelos projetos especiais, na certeza de que a banda está cada dia mais afiada, ganhando contornos de amadurecimento, e praticamente pronta para alçar voos cada vez maiores. No complicado cenário do mercado musical brasileiro das bandas de rock como é salutar nos depararmos com um grupo tão produtivo e focado como o Maestrick.
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