Necrohunter: Como foi o primeiro show da turnê brasileira

Resenha - Necrohunter (Beach Club, Fortaleza, 10/05/2014)

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Por Leonardo M. Brauna
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A noite do dia 10 de maio foi bastante ameaçadora para o festival que trazia da Paraíba a banda de Death Metal, Necrohunter. Tempo bastante ríspido com alguns relâmpagos, deixava receosa a equipe da Gino Production para o evento que foi marcado em Beach Clube, Praia de Iracema (o lugar não dispõe de uma coberta na parte da pista). Logo na saída de casa na cidade vizinha, Maracanaú, o produtor Waldo Silva (Waldo War Produções) e eu, nos deparamos com uma torrencial que durou quase a viagem inteira. Mas chegando ao local, a primeira coisa a ser notada foi o enorme número de bangers aguardando fora da casa o momento exato para entrar. Lá, também havia chovido e, o clima ainda fechado, não olhava com boa cara para àquela noite que seria de muito entretenimento underground, mas felizmente o temporal não voltou e os portões foram abertos.

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Quatro bandas cearenses foram convidadas a acompanhar esse primeiro show da turnê brasileira de Necrohunter. O ‘open act’ do evento foi o Death Metal de INVOKING THE DAMNATION, grupo que tem em seu elenco o guitarrista “multihordas”, ANDERSON “RIPPER” (Sacrilegious Salacious, Eternal Martyr, Frozen Fields e Toxic Trash). A sonoridade do Invoking... é algo que prima pela técnica – a banda ainda não tem um repertório muito grande, mas pelo que foi apresentado já deu para perceber o potencial que poderá conquistar o Brasil em poucos meses. Logo à entrada da introdução que antecede ‘Sinfull Injection’, o quarteto já revela para todos os presentes as suas influências que vão de Autopsy a Gorefest (da fase False) com pouco mais de velocidade, porém teremos que esperar por um trabalho de estúdio para considerações finais. A cozinha afiadíssima não desandou no ritmo, mesmo com o baterista HUGO MOURA executando variações complicadas durante o set (alguns minutos depois esse mesmo batera surpreenderia novamente a galera com outras levadas). Invoking The Damnation com certeza é um nome para ser guardado, pois aqui temos uma banda de Death Metal com pegada original que há tempos não se via em parte alguma, isso graças também à força gutural do vocalista JOHN “LEATHERFACE”.

Depois dos Deathbangers fecharem sua apresentação, a vez foi do INSEPSY, banda de Gore/Grind, que apesar do nome ser lógico para o estilo, os músicos não investem em uma sonoridade suja e riffs cacofônicos, como é o caso da maioria dessa vertente. O guitarrista DAVID BARROSO (Evil Land, ex-Krenak, Revel Decay) não esconde suas influências Death Metal, mas senta palhetadas puxadas ao Hardcore (puro e inlapidado), e até no Punk Rock. Essa mistura é o diferencial da banda que facilmente podemos conferir ouvindo a demo ‘Dnirgerog Pathologic Holocaust’ (2011) comparando-a com o grupo em palco. A parte suja mesmo fica com os “roncos”, “arrotos” e “vômitos” que compõem o vocal de ABRAÃO CARRAH. O vocalista é um dos mais insanos que eu já vi por esses lados – sempre se movimentando freneticamente no palco e chamando a galera a participar, Abraão vai se revelando como um perfeito ‘frontman’. Os ‘blast beats’ de Hugo, sim, o mesmo que impressionou todos os presentes com suas batidas fortes em Invoking The Danation, promoveu uma sessão de ‘circle pits’ que perdurou por todo o repertório. Antes do final, Ricardo Linhares (Burning Torment, ex-Nfúria), fez uma participação com vocais provando que o rapaz também é bom no gogó.

A temperatura que não estava muito alta devido à brisa soprada da praia, a partir desse momento teve considerável elevação, pois os “ex-guris” do Thrash Metal cearense, AGRESSIVE, já estavam em palco para dar continuidade à destruição. Desde o seu surgimento quando os membros ainda não tinham 18 anos de idade, a banda já conquistava a atenção do público local pela voracidade em palco, e já participaram dos principais eventos undergrounds de Fortaleza. Os fãs do Agressive são muito fieis, e sua interação com os músicos é algo surpreendente, são como uma única família. A todo instante alguém se lançava do palco ou abriam-se rodas na plateia. Bangers antigos da cena também se agrupavam à frente e bangeavam se apoiando no palco. Pude ver no semblante de dois deles – Franco e Carlinhos “Halford” – a alegria de adolescentes com seus 15 anos. Foi um show emocionante promovido por DIEGO BARBOSA (vocal), CAMILO NETO (guitarra), MATEUS SALES (bateria) e JARDEL STICK (baixo), músico revelado recentemente pela versão impressa da ROADIE CREW #184 como guitarrista da Fist Banger. O set ainda teve o cover de ‘Beneath The Ramains’ (Sepultura) e Anderson “Ripper” tocando guitarra em ‘The Legacy Remains’.

O evento teve seguimento com os donos da festa, NECROHUNTER. A banda de João Pessoa que esteve em abril de 2012 aqui divulgando o EP ‘Slaughtered’ (2011) – retorna à capital cearense, dessa vez em turnê de divulgação do ‘debut’ ‘Hunter’s Curse’, lançamento de 2014. Fortaleza foi escolhida como ponto de partida para as excussões. Ao aviso do mestre de cerimônias e cantor, Vansmacy Vangleuson, a banda subiu ao palco sob o som ‘sampleado’ da intro ‘Inferno’, para então chicotear os PAs com um Death Metal bem mais trabalhado que àquele apresentado na última visita. ‘Bloodshed’, ‘Slaughtered’ e ‘Shredded And Carbonized’ formaram a primeira trinca. A adição de PETRUS CARVALHO (guitarra) pode ter reflexo nessa técnica, assim como na selvageria. Contribuindo para a surra sonora, o guitarrista exibia no peito uma camisa com estampa da webradio ‘Exmera’, que veio de São Paulo à Fortaleza, na pessoa do locutor Jucie Lord para cobrir o evento. Jucie ainda presenteou a nossa equipe também com vestimentas da Radio. MAURO MEDEIROS (guitarra, vocal) prova que o tempo é o melhor professor (ou lapidador), pois seus guturais estão com melhor alcance e suas bases mais pesadas. MARCÉU BRITO, baixista que não está mais na banda, teve seu lugar preenchido por RICARDO HENRIQUE (Terrible Force) que fez mais que um dever fora de casa e, que, poderia muito bem se estabilizar com o trio. Enquanto não seria o caso, o seu companheiro de cozinha, ANDRÉ FELIPE trabalha como duas britadeiras nos pedais duplos e viradas vertiginosas. Os vizinhos puderam renovar a sua marca nessa noite de sábado.

Para fechar a noite, o Speed/Thrash Metal do SODOR fez as honras. O trio é uma das revelações da cena cearense, isso porque a sua fórmula é um dos néctares mais apreciados pelo público local – ANDREI “BIGHEAD” é um grande responsável por essa aceitação. O guitarrista faz alternância entre palhetadas velozes e abafadas, hora soladas, hora pesadas. O vocalista/baixista, JEFF “MOSH”, com seus vocais gritados, mostra porque o nome “Sodor” significa uma aglutinação do termo “só dor”, realmente veio a calhar. O baterista fez a obrigação que o estilo determina: as típicas batidas 1/1 entre a caixa e o bumbo, o que faz lembrar muitos clássicos do Metal brasileiro, mas essa técnica não representa tudo na mão do rapaz, assim constatamos observando suas viradas monstruosas. Resta aguardar o trabalho de estúdio desse time porque, ao vivo, já estão mais que aprovados pela galera. Devido ao atraso ocasionado pelas chuvas, o evento começou depois do previsto e terminou depois das três da manhã, mas felizmente os grupos e público tiveram uma grande noite que serviu de motivação para outros festivais. Mais uma vez os headbangers estão de parabéns e agradecidos pelo empenho da Gino Production que se notabiliza pela captação dos melhores artistas undergrounds à cidade de Fortaleza.

Set list Necrohunter:
Inferno (intro);
Bloodshed;
Slaughtered,
Shredded And Carbonized;
I Sacrifice;
Total Slaughter;
Void In Hell;
Hunter’s Curse;
Seven Razors;
Abhor Is Earth;
Axe Of Death;
Hungry Hunter;
Opening Grave.

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde 1989 vive à cultura e ideologia do Metal Pesado sendo fã ardoroso do Classic Rock ao Death Metal. A sua dedicação se define na constante busca por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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