Obituary: O manual do Death Metal leva este nome na capa!

Resenha - Obituary, Genocidio e KroW (Clash Club, São Paulo, 27/04/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Vamos direto ao assunto. No último domingo estivemos, eu e o fotógrafo Fernando Yokota, em cobertura exclusiva ao Whiplash.Net em uma verdadeira festa death metal na capital paulista, quando pudemos conferir na mítica Clash Club shows do KROW, GENOCIDIO e da lenda no gênero OBITUARY, que aterrissou para celebrar conosco seus três primeiros álbuns. Naturalmente foi o melhor apanhado da carreira já tocado nessas cinco investida em terras tupiniquins, portanto nada melhor do que relembrar. As fotos estão melhores que minhas mal traçadas linhas, portanto mire-as e sejam mais felizes assim. Sigam-nos os melhores e piores ‘carrascos’ do pedaço!

KroW

Vinte minutos se passavam das 18h quando os mineiros do KroW iniciaram sua pancadaria sônica. Debutando na capital paulista, o quarteto do sintomático ‘Triângulo Satânico Mineiro’ (Uberlândia para ser mais preciso) demonstrou nada de insegurança ao desfilar e destilar uma avalanche de afrontas auriculares do mais alto gabarito. Se não fosse a estirpe das composições, a julgar pela violência transbordada em cada uma das sete músicas apresentadas, estaríamos diante um inédito vilipêndio musicado.

Confuso? Experimente “Relentless Disease”, a primeira entoada. Retirada do novo trabalho, o EP de mesmo contendo apenas duas faixas, foi gravada na Suécia durante sua mais recente turnê pelo Velho Mudo. O material foi produzido por Ronnie Bjornström (Meshuggah/Aeon), no GarageLand Studios, local por onde já passou bandas como The Facer, Live Elephant, My Dear Addiction, Hate Ammo e o próprio Meshuggah.

Chama a atenção o quarteto possuir talentos individuais tão específicos. Enquanto o baixista Cauê De Marinis possui atributos extras para credenciá-lo como vocalista de apoio (muito bom!), o baterista Jhoka Ribeiro parecia estar em seu último dia de vida na Terra tamanha sagacidade e força nas batidas. Da mesma forma Lucas "The Carcass" Simon, guitarrista solo e praticamente o irmão mais novo do Mikael Åkerfeldt (Opeth). O timbre do frontman Guilherme Miranda me lembrou o Glenn Benton nos tempos de fase “Once Upon The Cross” (1995), o que vindo deste que vos escreve é um elogio, naturalmente. Outros destaques no assalto: “Retaliated”, “Eidolon” e última tocada, “Before the Ashes”. Tudo isto em meia horinha. É mole?

Line-up KroW
Guilherme Miranda - guitarra e vocal
Jhoka Ribeiro - bateria
Lucas "The Carcass" Simon - guitarra
Cauê De Marinis - baixo

Set-list KroW
Relentless Disease
Despair
Retaliated
Outbreak of a Maniac
Eidolon
Whoreborn
Before the Ashes

Sites Relacionados:
http://www.myspace.com/krowmetal
http://www.metalmedia.com.br/krow
http://www.facebook.com/krowmetalzone
http://www.twitter.com/KrowMetalZone

Genocidio

Genocidio é daquelas distintas bandas que foram ficando melhor com o passar tempo, mesmo tendo uma discografia relativamente homogênea. Para este que vos escreve é, portanto, um prazer estar em frente a uma das mais importantes instituições do heavy metal feito neste país. Por volta das 19h a ‘intro’ “Birth of Chaos” ecoou na Clash Club, seguida da irresistível “Kill Brazil”, com seu refrão já bastante popular. A clássica “Encephalic Disturbance” foi uma ótima escolha para a noite de nostalgia por conta do contexto desta turnê do Obituary. Assim como tudo em “Depression” (1990), esta foi muito bem aceita e acompanhada pela velha guarda de seguidores ali presente.

De “Posthumous” (1996) veio a seguinte, “Cloister” e com ela toda aquela atmosfera gothic/doom metal trazida à tona à época de seu lançamento. Lembro-me bem de ali ter certeza sobre a ousadia e inventividade do Genocidio, mostrando-se sempre dois passos adiante de muitos outros nomes de nossa cena e contemporâneos dos paulistanos. Jamais irei esquecer-me da grata sensação ao ouvir pela primeira vez algo como “Goodbye Kisses”, a qual trazia vozes femininas (a cargo de Irene Sailte), além de arranjos belíssimos para violino (créditos ao músico Flavio Geraldini). Interessante como ficou ainda mais forte nas mãos dos membros mais hodiernos, João Gobo (bateria) e Rafael Orsi (guitarra). O retorno à atual fase veio com a faixa que batiza o mais recente “In Love With Hatred”, lançado ano passado. Incrível o peso dela, as guitarras estavam altíssimas e assim permaneceriam na atração a seguir.

Colada com ela outra que também intitula um disco. Palmas para “Rebellion”, outra relíquia no almanaque de ritos do quarteto. “The Grave”, do indefectível EP que leva o nome da banda, lançado em 1988, fora tocada, como de costume, em sua nova versão presente na edição de aniversário de “Hoctaedrom” (1993/2013). Curto ambas, mas ainda fico com a dos anos oitenta pelo impacto que tive ao escutar pela primeira vez por volta de 90 ou 91. Anunciaram o cover de “Come to the Sabbath” (Mercyful Fate cover) e avisaram que estariam coletando imagens ali para a inclusão no vindouro clipe dela. Conversei com o Murillo Leite (vocal/guitarra), que se mostrou empolgado pela qualidade do material registrado. Geralmente “Uproar” encerra os concertos, mas desta vez ela obteve o penúltimo lugar no repertório, tendo “The Clan” esta tarefa. O resultado foi tão satisfatório que, em minha opinião, pode ser mantida ali por um bom tempo. Em tempo, destaque à performance do membro fundador Wanderley Perna, em uma noite furiosa nas quatro cordas!

Line-up Genocídio
Murillo Leite – vocais/guitarra
Wanderley Perna – baixo
João Gobo – bateria
Rafael Orsi – guitarra

Set-list Genocídio
Birth of Chaos (intro)
Kill Brazil
Encephalic Disturbance
Cloister
In Love With Hatred
Rebellion
The Grave
Come to the Sabbath (Mercyful Fate cover)
Uproar
The Clan

Sites Relacionados:
http://www.genocidio.com.br
http://www.youtube.com/user/Genocidioofficial
https://www.facebook.com/genocidiobr

Obituary/ Xecutioner

Eu coloquei ambos os nomes acima de propósito. Eu curto ambas as denominações e, penso, só rebatizaram para que soasse melhor (ou mais fácil) independente do local por onde passassem. Formada há três décadas, trata-se de uma das maiores instituições ‘deathmetálicas’ já existentes, detentora a sentar em um dos tronos do império da morte de Tampa, Flórida (apesar de ter nascido perto de lá, no município de Seffner) e colecionadora de obras imprescindíveis aos enamorados da brutalidade. Por isso que, dentre o início das tarefas até a gravação de seu primeiro álbum, o clássico “Slowly We Rot” (1989), não foram tantos ‘janeiros’ assim. Logicamente o ‘timing’ era outro e um debut como este não acontece em cada esquina, ainda mais se vier seguido do meu favorito deles, o essencial e fabuloso “Cause of Death” (1990). Este aí eu ouvia pelo menos uma vez ao dia no período de três anos (creio que de 1991-1993). Tanto que mesmo com a chegada de seu sucessor, “The End Complete” (1992), eu ainda continuava a explorar e me deliciar com aquele assombro. Justamente para celebrar a tríade mais importante de sua carreira o Obituary nos visitou mais uma vez, conforme conversamos com o baterista Donald Tardy dias antes do massacre, o que pode ser relido abaixo.
1236 acessosObituary: "Amamos nossos fãs, eles são foda!"

Às 21:45h entrava em cena o renovado quinteto – afinal temos ali agora Terry Butler e Kenny Andrews ao lado dos três fundadores, John Tardy, Trevor Peres e Donald. Mesmo já os tendo visto nesta mesma confraria em sua última visita por nossas terras, seria esta a primeira feita tocando apenas material dos tempos em que nem pensavam fazer parte da gangue. Por sabermos de seus atributos (Nota do redator: Butler já foi do Death, o que é preciso dizer mais?), os músicos não só mostraram as razões de suas respectivas efetivações, como transbordaram respeito ao emaranhado de hinos ali esparzidos, a começar por nada mais nada menos do que CINCO extrações de “Slowly We Rot”. Talvez apenas na excursão daquela magnitude mortífera houve algo assim. Senão vejamos. Quando o caro leitor iria presenciar, nesta ordem, “Stinkupuss”, “Intoxicated”, “Bloodsoaked”, “Immortal Visions” e “Gates to Hell”, consumadas e amarradas como se fosse uma só ‘tocata’. Sim, eu sei que nem teclado há na banda, portanto que seja uma única peça, praticamente uma etnografia do gênero.

Os vocais de John poderiam estar um pouco mais altos, pois pareciam competir com as empinadíssimas guitarras. Eu já havia falado sobre o volume delas desde a apresentação do Genocidio, mas aqui foram duplicadas em volume. Sorte que aquele timbre ímpar do Obituary manteve-se intacto, bem como no departamento percussivo. “Infected” veio ali para mostrar como deve ser o death metal. Simples assim. Aliás, não tão simples porque temos nela uma congregação de andamentos e passagens atmosféricas aliadas a outras de velocidade latente e linhas de voz longe da mesmice. Compor algo assim complica ao seu criador pela extrema dificuldade – chute meu – em superar-se na arte de escrever tamanha ‘d(e)iabolidade in musica’ (sic). As duas novas, ainda sem títulos revelados, executadas na sequencia mostraram que vem coisa boazuda por aí. Eu confio neles, até porque “Darkest Day” (2009) é um investimento que vale a pena fazer.

A interrupção de “Cause of Death” – pois é, tocaram as canções em pequenos grupos de cada álbum homenageado – foi sanada quando as primeiras notas de “Chopped in Half” nos derrubaram. Ao meu redor era só ‘headbanging’ e nada mudou quando a incrível “Turned Inside Out” fez-se surgir em meio a uma gritaria em nome de seus ídolos vinda da multidão. Esta é a cara deles por conta daquelas paradas bruscas para a mudança total de seu andamento. Os grunhidos de John parecem almas em dor no abismo negro da eternidade (ui!). Cá entre nós, observando a letra registrada nos sites e a cantada em estúdio, quem aqui consegue acompanhar aquela primeira parte? Digo por conta de não parecer estarmos tratando da mesma coisa. Tenho o LP e CD, mas em ambos não há letras no encarte. Sempre me encucou isso. Logicamente a partir de, sei lá, “We're turned inside out, beyond the darkness we arise…” a coisa fica menos emaranhada, mas é assim que amamos mesmo então digamos “amém”. Passando a régua no “Cause of Death”, “Body Bag” deixou a todos estupefatos com tamanha ferocidade vinda do palco. Tá certo que Tardy não finaliza as frases com o mesmo vigor de outrora, mas seu gogó já fora castigado por anos e mesmo assim mostra-se um sobrevivente atômico. Na contrapartida eu falo de Trevor Peres, que tornou-se um dos meus guitarra-base favoritos de todos os tempos. O cavalheiro está parecendo mais novo também, parece mais bem cuidado, o que na estrada não é a tarefa mais sossegada de se fazer. Tem fumaça nessa secreta poção da juventude, só pode.

Era a hora de “The End Complete”. Para satisfazer a sede dos súditos escolheram quatro temas, a começar por “Back to One”, dona de uma beleza mórbida única. Ela é uma parceria entre o baterista e Allen West, um dos fundadores do Obituary, mas expulso de forma definitiva em 2007 após algumas idas e vindas. Depois ele andou pelo Massacre, Six Feet Under, Lowbrow e Southwicked, para ficarmos nestes. O garoto-problema foi preso por ter um singelo laboratório de metanfetamina em sua casa. A versão metálica de Heisenberg chegou a chamar a polícia por constatar que dois homens haviam invadido sua residência. Tamanha audácia custou-lhe caro depois que os oficiais sentiram o cheiro forte de ácido e descobriram que ele produzia drogas “para o próprio consumo”, nas palavras do sicário. Não importa, pois seu talento é inegável e o baixinho ainda faz falta, com todo respeito ao exímio Andrews. Mais duas tendo o mesmo duo por traz de sua criação foram lembradas no set: “Killing Time” e a ótima “Dead Silence”, sendo que esta foi antecedida pela ovacionada faixa-título, “The End Complete”. Aí era correr pro abraço e bradar “To bring forth one dead soul decay, the end complete's the final daaaaaaaaaay…”

O encore trouxe mais uma canção nova sem nome, emendada com a aguardada “I'm in Pain”. Um amigo meu insistia em pedir “Slow Death” do “Frozen in Time” (2005), mas não havia espaço para ela naquela noite de enaltecimento ao passado. Pessoalmente adoro aquele full-length, até porque nele está a última vez que veremos – outro chute – a formação clássica coadunada. Aquele vil line-up é um dos mais influentes da história da música extrema, sem sombra de dúvidas. A bolachinha ainda contou com uma passada de mãos e ouvidos do Scott Burns, ali completando mais de uma década sem fazer isso junto ao Obituary. Mas tudo precisa precisar ter um fim, seja a união de uma certa formação da banda, da parceria com seu produtor/quase membro ou de uma fanfarra. Sendo assim, que fosse feita da forma mais burlesca possível com “Slowly We Rot” e um coro a plenos pulmões. A rapaziada prometeu um regresso assim que o novo de estúdio chegar às prateleiras. Como isso será por volta de julho ou agosto e haverá uma excursão mundial na sequência, creio que em mais um par de anos os teremos aqui, coladinhos conosco para bailarmos “cheek to cheek” com a morte. #meda #vaideretro #ostr00pira

Line-up Obituary/ Xecutioner
John Tardy - Vocais
Donald Tardy - Bateria
Trevor Peres - Guitarra-base
Terry Butler - Baixo
Kenny Andrews - Guitarra solo

Set-list Obituary/ Xecutioner
Stinkupuss
Intoxicated
Bloodsoaked
Immortal Visions
Gates to Hell
Infected
NEW SONG
NEW SONG
Chopped in Half
Turned Inside Out
Body Bag
Back to One
Killing Time
The End Complete
Dead Silence
Encore:
NEW SONG
I'm in Pain
Slowly We Rot

Sites Relacionados
http://www.obituary.cc
https://www.facebook.com/ObituaryBand
https://myspace.com/obituary
https://twitter.com/obituarytheband

Fotos: Fernando Yokota. Set completo em
https://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets/7215764441...

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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