Jake Bugg: ele não é um falador, um showman... apenas um músico

Resenha - Jake Bugg (Cine Jóia, São Paulo, 05/04/2014)

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Por Monica Prado
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Jake Bugg já carrega o fardo de esperanças e sonhos de uma geração ávida por ídolos. Essas pessoas já querem rotulá-lo como o "próximo Bob Dylan" ou "Johnny Cash" ou "o próximo Neil Young". No entanto, uma coisa ficou clara durante o show do músico britânico de 20 anos no Cine Jóia. Sua ascensão meteórica e sua determinação mostram que ele não está preocupado com isso, mas apenas em fazer o que mais gosta, música!

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Nascido Jacob Kennedy, o nativo de Nottingham tem uma profunda compreensão das décadas de 'American blues' e folk. Ele carrega nesses estilos e injeta uma sensação de rock de garagem decididamente moderna para eles. O resultado pode parecer, às vezes, os Black Keys. Em outros momentos, as músicas movem-se com traços distintos. É uma mistura inebriante.

Bugg incorpora estilos musicais de indie, blues e country rock. Algumas de suas letras falam sobre a vida de jovens de uma cidade pequena. De acordo com Jess Phelps, "Trouble Town" fala do sentimento compartilhado apenas por aqueles que sabem qual é a sensação de se sentir claustrofóbico em um espaço tão grande quanto o de uma cidade. Em "Two Fingers", Bugg canta como uma despedida de sua vida anterior, e fala melancolicamente de tramar nas ruas de Clifton, onde viveu. Em seu segundo disco, 'Shangri La' (2013) que veio na sequência de 'Jake Bugg' (2012), Bugg descreveu as novas músicas como "mais maduras", mas afirmou que não eram "muito maduras, pois ainda tem 20 anos", porém seria um "avanço de seu trabalho anterior".

Pontualmente, à 1:00, começa o show. Bugg e sua banda entram no placo. Ele não fala com a plateia e quase não se move no palco, agradece algumas vezes e não sorri nunca. Mesmo assim, ele é convincente e o show é delicioso.

O set list de 21 músicas agradou o público que já o aguardava com antecedência, sentados pelo chão guardando lugar próximo ao palco. Seus fãs o conhecem bem, e também já admiram todo seu trabalho.

'Messed Up Kids', 'Kingpin', 'Slumville Sunrise', 'Taste It', 'What Doesn't Kill You' mostram o lado mais rock de Jake, e fazem a alegria do público. Então ele intercala com a suave faixa 'Broken', que entorpece toda sua plateia.

Bugg fechou o show em fina forma, dando algum grau de peso à comparação com uma versão sólida de Neil Young "My, My, Hey, Hey" para em seguida, fechar com o seu próprio eletrizante hit, "Lightning Bolt" uma canção de indie rock que recebeu comparações a canções de Bob Dylan e ao seu estilo de cantar.

Ele não é um falador, um showman, extrovertido... só um músico. Mas ele sabe que é especial. Aqueles que têm acompanhado a cena da música de Nottingham por uma década ou duas sabem que seu sucesso é sem precedentes, e que o garoto está apenas começando.

O show desta noite no agradável Cine Jóia antecedeu sua apresentação no Lollapalooza Brasil que aconteceu no domingo, onde ele repetiu seu sucesso.

Agradecimentos a William Bueno que me ajudou a compor o set list.

Set List:
Kentucky
There's a Beast and We All Feed It
Trouble Town
Seen It All
Me and You
Storm Passes Away
Two Fingers
Messed Up Kids
Ballad of Mr Jones
Pine Trees
Broken
Simple Pleasures
Green Man
Kingpin
Taste It
Slumville Sunrise
Killing Floor (Howlin' Wolf cover)
What Doesn't Kill You
Encore:
A Song About Love
My My, Hey Hey (Out of the Blue) (Neil Young cover)
Lightning Bolt

Fotos: Camila Cara (Divulgação T4F)




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Sobre Monica Prado

Sou formada em Engenharia pela E. E. Mauá e atualmente curso Filosofia na FFLCH-USP. Sou professora e tradutora de Inglês. Amo música e curto desde música clássica até o Heavy Metal. Música brasileira não é meu forte, mas sei apreciar um som de qualidade. A música me ajuda a sobreviver neste mundo, e ele ainda vale a pena por causa dela!

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