Rolling Stones: Público assiste banda que tem medo de arriscar
Resenha - Rolling Stones (Singapura, 15/03/2014)
Por Andre Damas
Postado em 18 de março de 2014
Aconteceu na manhã deste sábado (15), no fuso brasileiro, o sétimo concerto da 14 On Fire Tour, a mais nova excursão dos ROLLING STONES. Após a apresentação censurada na China na última quarta-feira, quando tiveram que deixar de tocar alguns de seus hits, a banda pôde gozar de seu arsenal.
Além disso a apresentação, que aconteceu na cidade de Singapura, foi realizada em um pequeno espaço, com capacidade para pouco mais que cinco mil pessoas, de modo que os felizardos incontestavelmente chegariam perto dos Stones – concomitantemente, um telão do lado de fora da arena transmitia a apresentação para àqueles que não conseguiram um ingresso. A banda teve, assim, a oportunidade de brindá-los todos com um show especial, embalado pelo público compactado e com uma amostragem especial do catálogo cinquentenário.
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Já passavam das 20h30 da noite oriental quando Jagger, Richards, Wood e Watts finalmente subiram no palco da Grand Sands Ballroom, em Singapura, para o que poderia ser um show mais intimista que o normal, mas o repertório, ao menos, revelou-se o padrão, com nenhuma surpresa. Foi como se estivéssemos presenciando uma versão cingapuriana do show do último domingo, em Macau, porque o setlist só se difere em uma única canção.
O eterno frontman Mick Jagger não fez nada menos do esperado e manteve a plateia na palma da mão com sua performance exótica e carismática, incrivelmente perto dos fãs, interpretando baladas como a velha conhecida "Wild Horses" e hits explosivos como "Start Me Up". A empolgante "Emotional Rescue", que impressionou à todos no ano passado e que aparentemente seria explorada à exaustão pela banda nestas apresentações após mais de 30 anos guardada no baú, não voltou a ressoar nos palcos.
A única novidade foi a presença de "Live With Me" que, após derrubar "Let's Spend The Night Together", "Just My Imagination" e "When The Whip Comes Down" na votação online, foi a escolhida pelos fãs para estrelar na 14 On Fire esta noite. Com isso, a banda tocou nada menos que cinco canções do admirado disco Let It Bleed (incluindo o platinado single "Honky Tonk Women").
"Midnight Rambler", outra do Let It Bleed, contou com a participação do ex-guitarrista da banda Mick Taylor em mais uma apresentação extremamente performática da canção. Taylor ainda tocou com a banda em "Slipping Away", cantada principalmente por Keith Richards, que também vocalizou sua "Before They Make Me Run".
O bis contou com as cantoras do Singapore Youth Choir interpretando a introdução de "You Can't Always Get What You Want", também do Let It Bleed, num ritual que, embora faça rodízio quanto aos participantes, já está se tornou comum há muito tempo nas apresentações da banda. O concerto se encerrou com a notória "(I Can't Get No) Satisfaction", que não falta em um show dos Stones.
O repertório é bom. Muito bom. Qual é o problema então? O setlist foi escolhido estrategicamente para atender aos gostos dos fãs mais saudosistas, que são maioria, sacrificando os trinta últimos anos de carreira em prol da confortável fase dourada da banda – da qual tocam sempre as mesmas músicas. Medo de arriscar? Parece. Os ROLLING STONES continuam tocando os velhos e bons clássicos, esquecendo-se que seus temais atuais também têm qualidade e depreciando a si mesmos. As pedras só rolam em uma direção, esmagando tudo, mas surpreendendo ninguém.
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