Zoombie Ritual Festival: 3 dias de música e paz
Resenha - Zoombie Ritual Festival (Rio Negrinho, SC, 15/12/2013)
Por Afonso Ellero
Postado em 21 de dezembro de 2013
Não, você não leu errado. O título é esse mesmo: uma menção proposital ao festival de Woodstock.
Certamente irão aparecer algumas pessoas que estranharão o fato de um evento que tem "Zoobie Ritual" no nome receber o subtítulo de "3 dias de música e paz", mas só entenderá o que eu quis dizer quem esteve na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho/SC entre os dias 13 e 15 de dezembro de 2013.
Peço licença a você que está lendo essa resenha para deixar em segundo plano as atrações do Festival, pois o que nós presenciamos nesses 3 dias de música e paz foi muito além do que rolou no palco montado ao ar livre.
Muito se fala a respeito dos eventos musicais em nosso país e quase sempre tais reuniões de fãs, seja lá qual o estilo em questão (rock, sertanejo, pagode, etc.), acabam sendo marcados negativamente por cenas de selvageria protagonizadas por jovens embriagados que resolvem de uma hora para outra estragar a festa de todo mundo.
E é com muito orgulho que venho até vocês informar que durante o evento não presenciamos uma única briga sequer! E isso não é opinião, é informação!
Coletei essas informações com um dos seguranças do evento, com vendedores presentes desde antes da abertura dos portões, com músicos e com a audiência. Todos foram unânimes em afirmar não terem presenciado nada que pudesse ser associado ao termo violência. A não ser, claro, o som que saía dos PA´s.
Foi com muita propriedade, que um dos músicos da banda MX (não me lembro quem no momento) usou o microfone para elogiar o comportamento da audiência com a seguinte frase: "Nós não somos violentos, nós gostamos de música violenta".
Longe de mim afirmar que o público estava sóbrio e careta. Eu seria hipócrita se fizesse tal afirmação depois de tomar conhecimento que foram consumidas cerca de 40 mil latas de cerveja. Mais uma vez você não leu errado: segundo informação de um dos atendentes do bar esse foi o número aproximado de cervejas consumidas no evento.
Mas o que isso tudo tem a ver com o evento? - você deve estar se perguntando.
Pra ser sincero confesso que durante o voo que me levou a Santa Catarina fui anotando mentalmente o que previa escrever após o evento, mas fui surpreendido por tantas demonstrações de civilidade que pedi licença até para o produtor do evento, Juliano Ramalho, para falar pouco sobre as bandas que por lá se apresentaram. Essa com certeza não será a única resenha que você irá ler sobre o evento então deixo aos meus colegas redatores que reflitam sobre o lado musical do festival.
Há muito não presencio cenas de vandalismo em shows de rock no Brasil, mas dessa vez foi diferente. Gente do Brasil inteiro se reuniu no meio do nada para celebrar a amizade e o gosto pela música pesada. Amigos se abraçando, novas amizades surgindo, gente feliz por estar ali era tudo o que se via.
Mais de uma vez presenciei casais com crianças de colo e até bebês em carrinhos circulando pelas áreas de convivência. Prova disso foi a pequena Ísis, filha do André Nálio, guitarrista da banda FUNERATUS, que durante três dias distribuiu sorrisos de dentro de seu carrinho de bebê.
O clima de camaradagem se estendeu pelas barracas do camping, nas áreas de convívio, no bar, na organização e foi impossível dissociar o evento daquele ocorrido em Bethel em agosto de 1969. Havia até um lago disponível no local, mas não sei se alguém se banhou nu por lá.
Pra não dizer que não falei de música fica a seguinte reflexão:
- Levando se em conta que o som e a infra estrutura de palco estavam sensacionais o que esperar dos shows de músicos do naipe de KREATOR, TIM RIPPER OWENS, D.R.I., BENEDICTION, TORTURE SQUAD, MX, EXECUTER, ATTOMICA, NERVOSA e TAURUS?
E eu só citei dez das vinte e nove atrações!
Fui a trabalho, mas confesso que me diverti muito com o que vi, vivi, ouvi e guardei na memória.
Os músicos que se apresentaram no evento, exceção feita às atrações principais, claro, se misturaram ao público numa clara manifestação de humildade, coisa que algumas poucas bandas nacionais andam se esquecendo de fazer.
Falhas ocorreram? Sim, ocorreram, mas nenhuma que tirasse o brilho desse que, se bem administrado, tem tudo para se tornar dentro de alguns anos a versão brasileira do WACKEN. E isso não é uma afirmação ufanista e exagerada.
Luciano Ramalho tem em suas mãos uma joia a ser lapidada e todos nós esperamos e desejamos que ele tenha sucesso em sua empreitada.
Peço desculpas a você que esperava ler uma resenha sobre os shows das principais bandas, mas preferi falar daqueles que foram a atração principal do festival: "o público".
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