AOR Hard Fest: 1ª edição supera expectativas e confirma a segunda

Resenha - AOR Hard Fest (Dynamite Pub, São Paulo, 06/12/2013)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.














Para encurtar a história, o chamado Album-Oriented Rock, popularmente conhecido como AOR, foi criado nos Estados Unidos e indica um formato de música mesclando o neoprogressivo da segunda metade da década de 1970 e texturas mais acessíveis, mas tendo canções deveras bem elaboradas e produzidas que a maioria do pop daqueles tempos. Nomes como Journey, Kansas, Boston, Toto, Styx, Chicago, REO Speedwagon, Asia, Foreigner ou mesmo bandas “visitantes” tais quais Triumph, Queen, Blue Oyster Cult, Rush, Cheap Trick, Whitesnake e Supertramp foram responsáveis por alguns dos maiores hits da história da música mundial nos anos 1980, época de ouro do gênero. O público nos concertos das supracitadas, em geral realizados em estádios enormes daí o termo “arena rock”, era bastante exigente, assim como os DJs das rádios mais importantes nos EUA, mas à medida que as emissoras deixaram de tocar músicas novas e se extinguiram, mais precisamente por volta de 1989/1990, o repertório central do AOR tornou-se um tanto obsoleto e até mesmo cafona aos mais jovens. O novo milênio trouxe um revival, reforçado e muito pelo advento da gravadora italiana Frontiers Records por colocar no mercado – e nos palcos – os clássicos grupos e muitos novos nomes possibilitando novamente interesse comercial, desta vez na Europa em sua maioria.

Texto: Durr Campos
Fotos: Luiz Fernando Carvalho

Dito isso, continuemos no século atual e falemos de uma turma de muito bom gosto a qual resolveu fortalecer o AOR e o hard rock mais melódico ao idealizar a primeira edição do AOR HARD Fest. Ocorrida na capital paulista na última sexta-feira, 6 de dezembro, no Dynamite Pub, o momento mais parecia uma reunião de velhos amigos do que um festival em si, o que penso ter sido a meta dos seus organizadores, Greg Tasso, Du Firmo e Allan Juliano, baterista da ótima Paradise Inc., banda que conta com a participação do vocalista alemão Carsten Lizard Schulz (Evidence One/ Domain). Segundo o trio, o AOR HARD Fest nasceu da necessidade por locais e eventos em que as bandas do Brasil em especial possam divulgar seus trabalhos. Acreditem ou não, apesar do apelo radiofônico dos segmentos musicais já mencionados, é bem complicado emplacar algo na mídia mainstream em dias de arte duvidosa como a que vivemos.

Desta feita, o evento trouxe SANTAREM, SUPERSTITIOUS e H.A.O.R.. Bem, lá estava eu registrando o ato primogênito e a seguir relato o resumo de como foi. A ideia de presentear os 30 primeiros pagantes com CDs das atrações e do PARADISE Inc., bem como o sorteio de brindes mostrou-se simpática e atraiu uma bela e tranquila fila na porta do pub. Cheguei quando o pessoal começava a adentrar e ali já era notória a satisfação dos expectadores. No telão, clipes mais recentes das bandas Eclipse, Crashdïet, Diamond Dawn e diversos outros animavam a turma que chegava.

Não demorou e o H.A.O.R. estava em cena. O concerto foi divertido e composto apenas por covers bem executados, também pudera com um line-up envolvendo experientes músicos como o próprio Allan Juliano (bateria), Lan Weiss (Paulo Zinner & Rockestra) nos vocais, Flavio Pintinha (Mean Street, Forever Wild e Dr. Crue) nas guitarras e Diego Marcato, baixista que já emprestou seu talento a Andy Dawson e Jens Sjöholm, ambos do Crazy Lixx). No gatilho tivemos logo de cara uma trinca de lascar o cano com “Hot Cherrie” (Hardline), “Anytime Anywhere” (Gotthard) e a perfeita “Forever Young” (Tyketto). O W.E.T. foi lembrado com “What You Want”, assim como o Wigelius com sua bela “Angeline”, “1000 Miles” dos poderosos suecos do H.E.A.T. e o Def Leppard tendo um dos seus inúmeros hits, “Hysteria”, cantado por todos após o singelo pedido de socorro de Lan. Em meio a canções de outros grandes artistas, a exemplos do Nelson e Warrant, ainda apresentaram uma própria, “Tears”, entregando que provavelmente o próximo show será de composições de sua autoria.

Breve pausa para troca de alguns equipamentos e lá estava o pessoal do Superstitious mandando ver em um set pra lá de empolgante, muito por conta de seu frontman Luis Wasques (uma mistura de Michael Kiske e Bruce Dickinson), o qual já havia lançado dois álbuns solo, os excelentes “Highest Mounts” e “Behind The Sun”, sendo que este último fora resenhado pelo meu amigo Bem Ami Scopinho aqui no Whiplash.Net e cujo link está ao final da matéria. Se sua praia é metal com aquela pegada hard e AOR eis aqui um banquete, caro leitor. O som classudo do quinteto formado, além de Luis, por Rodrigo Cordeiro (guitarras), Daniel Mattos (baixo), Lael Campos (teclados) e Flávio Gasperini (bateria) empolgou e manteve uma energia bastante positiva no Dynamite. A presença de palco da rapaziada ajudou que mantivéssemos nossos olhos e ouvidos abertos, ainda mais quando itens como “Goodbye”, “Inside Our Hearts”, a bela “Living My Dreams” e “Let It Rain” foram entoadas, não necessariamente nesta arrumação. Preciso voltar a citar Rodrigo, um fenômeno nas seis cordas. Sua versão para “Eruption” de Eddie Van Halen arrancou lágrimas, sorrisos, gritos e fez muitos queixos caírem, inclusive o deste que vos narra em palavras algo que só pessoalmente para entender minha aparente hipérbole. Finalizar com “The Final Countdown” do Europe foi a garantia de ovação, mas eu pessoalmente já não aguento mais ouvi-la.

O headliner entrou em horário já avançado e talvez por conta disso tocou para um público discretamente reduzido, porém igualmente empolgado. Reparei que na linha de frente havia alguns cantando todas as músicas, nota a nota. Desculpe-me, estou falando do Santarem, prezado ledor. Eu curto muito seus três registros em estúdio, a saber, “Santarem” (2000), “Downtown Station” (2005) e “No Place To Hide” (2011), todos com uma pegada que nos situa ali entre o prog, o heavy metal tradicional e o classic rock dos anos 1970. Sua formação conta com o excelente vocalista Thiago Scataglia, Alex Andreoni nas guitarras, Guilherme Furlan no baixo e o ótimo baterista Fábio Mendes, que estreava ali no AOR Hard Fest. Adorei terem iniciado com sua participação no álbum “William Shakespeare's Hamlet”, do projeto autointitulado que reuniu há mais de dez anos nomes do nosso cenário como Delpht, Nervochaos, Symbols, Hangar, Torture Squad, Fates Prophecy, Tuatha de Dannan, Imago Mortis e outros de igual talento. Refiro-me à canção “Sweet Flavour of Justification”, a qual foi seguida de duas do “No Place To Hide”, “Leave It Out” e “Far Way: Escape From the Haze”, respectivamente.

A festa continuou com as ótimas “Eyes on Fire”, “Take Me Home” e uma das minhas favoritas, a véia “Eternal”, da qual extraio um trecho: “When I hear you say ‘I am sorry I was wrong’, maybe these words will sound just like echoes in a hall. / What you call eternal is just your lifetime you think we'll be eternal and we won't pay the price (…) Your dream we'll be eternal while poison runs in my veins. This would be the age of freedom, but we're tied up by these invisible chains”. Repare como desde sua estreia o Santarem já se preocupava em escrever letras mais alusivas e comoventes. “No Words to Say” é outra das que mais gosto, inclusive acho que seja a mais inspirada em “No Place to Hide” com riffs memoráveis, linhas vocais belíssimas e o baixo apresentando uma força poucas vezes ouvida em canções nesta situação mais, digamos, melodic rock a la Harem Scarem e Michele Luppi’s Los Angeles, sendo que percebo muito desta última referência no timbre do Thiago. Que tal relembrar o vídeo dela abaixo? Por fim, mas não menos importante, ainda tocaram “The Other Side”, a faixa-título de “No Place to Hide” e o inteligente desfecho mesclando “Someone” e “Heaven and Hell”, do Black Sabbath.

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Set-list H.A.O.R.
Hot Cherrie (Hardline)
Anytime Anywhere (Gotthard)
Forever Young (Tyketto)
What you Want (W.E.T.)
Angeline (Wigelius)
1000 miles (H.E.A.T.)
Tears (composição própria H.A.O.R.)
After the Rain (Nelson)
Hysteria (Def Leppard)
Uncle Tom’s Cabin (Warrant)

Links relacionados H.A.O.R.
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Set-list SUPERSTITIOUS

Intro/The End of the Age (música do novo álbum em gravação)
Goodbye
Inside Our Hearts
Ride on the Stars (música do novo álbum em gravação)
Sweet Aangel
WF4U
Eruption (Van Halen)/ Shelter
Living My Dreams
Let It Rain
The Final Countdown (Europe)

Links Relacionados Superstitious
http://www.superstitious.com.br/index.html
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http://superstitiousband.blogspot.com.br/
http://www.youtube.com/user/superstitiousbr

Set-list SANTAREM
Intro / Sweet Flavour of Justification (álbum “Projeto Hamlet”)
Leave it out (album “No Place to Hide)
Far Way: Escape from the haze (Album “No Place to Hide”)
Eyes on Fire (album “Downtown Station”)
Take me home (album “ No Place to Hide”)
Eternal (album “Santarem”)
No Words to Say (album “No Place to Hide”)
The Other Side (album “Downtown Station”)
No Place to Hide (album “No Place to Hide”)
Someone (album “No Place to Hide”) / Heaven and Hell (Black Sabbath Cover)

Links Relacionados Santarem
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Links relacionados ao evento:

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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