Chris Cornell: show com apenas voz e violão em Porto Alegre

Resenha - Chris Cornell (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 17/06/2013)

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Por Guilherme Dias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Uma das maiores vozes da música, CHRIS CORNELL, que estava desde janeiro desse ano sem realizar shows, voltou aos palcos e retornou para o Brasil com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O cantor que iniciou sua vida na música pelo piano e tocou bateria em sua primeira banda trouxe um modo diferente para um show de rock and roll. Voz e violão, simples assim. Como vocalista fez muito sucesso por onde passou. Seu início foi no TEMPLE OF THE DOG, passando por SOUNDGARDEN, AUDIOSLAVE e sempre mantendo em paralelo a sua atividade solo também.

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Fotos: Liny Rocks
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No palco tocou quase tudo o que deu certo em sua carreira e alguns belos covers de clássicos do estilo. A base do show foi referente ao seu último trabalho registrado, na mesma linha acústica do disco "Songbook", lançado em 2011. O show estava marcado para as 21 horas, e principalmente por se tratar de uma segunda-feira o público esperava pontualidade. Uma voz surge no Teatro do Bourbon, localizado na zona norte de Porto Alegre, com uma informação de que faltavam 15 minutos para o início da apresentação, porém o local estava vazio, muitas poltronas vazias e chegando perto do horário do início da apresentação pouco mudou. Após alguns minutos uma funcionaria da produtora se dirige ao microfone e pede para que o público saísse de seus respectivos setores do teatro e se dirigisse para os locais da platéia baixa (onde o ingresso custava muito mais do que nos outros setores) para que não se pudesse visualizar "buracos" entre o público e corriam boatos nos bastidores de que CHIS CORNELL não subiria ao palco se existissem esses "buracos" sem ninguém na platéia.

Mas não foi o que ocorreu, pois o setor da platéia baixa foi completamente tomado pelo público que estava nos setores de platéia alta e mezanino. O público conversava entre si e por volta das 21 horas e 30 minutos timidamente e carismaticamente CHIS CORNELL se dirige ao microfone, troca algumas palavras com o seu público, informando que todos poderiam tirar fotos, com flash ou sem, pega um dos seus quatro violões e inicia o show com "Scar on the Sky" do seu disco intitulado "Carry On" e em seguida emenda "As Hope and Promise Fade" e "Ground Zero", três músicas de sua carreira solo. A voz de CHIS CORNELL impressionava a todos. Alta e potente, mostrando que não estava fazendo o show em um formato acústico à toa, explorando-a muito bem.

Fazendo uma viagem pela sua carreira, toca "Say Hello 2 Heaven" dos tempos de TEMPLE OF THE DOG. Para a próxima canção, "Finally Forever" que é sua canção de casamento ele conta uma curiosidade, disse que estranhou muito quando assistiu a uma propaganda da NBA com a canção, pois ele compôs e cantou em seu casamento e em algum tempo depois ela estava no meio da programação de esportes a qual seu filho menor assistia. A pedido de algum fã da platéia é executada "Call Me a Dog" e em seguida "Wooden Jesus", ambas também do TEMPLE OF THE DOG. CHIS CORNELL deixou o público livre para realizar pedidos, porém a galera extrapolou, existiram momentos em que umas 20 pessoas berravam por músicas diferentes ao mesmo tempo e ele inclusive comentou que estava confuso com tanta informação que recebia dos seus fãs.

Entre esses berros ele identificou algo semelhante a "Hotel California" e contente com isso tocou o clássico do EAGLES, sendo um dos covers clássicos que tocou para o público, o outro cover foi para "Thank You" do LED ZEPPELIN mais para o final do concerto, que mesmo em uma versão um pouco diferente da original foi espetacular. Mais um trabalho solo dos anos 90 é lembrado, o single "Sunshower" foi muito bem recebido pelo público. Um dos destaques do show fica com "Hunger Strike. A obscura "Seasons" a qual segundo CHIS CORNELL foi composta sem nenhuma razão e integra a trilha sonora do novo filme do "Super-Homem" é tocada e após ela a primeira do SOUNDGARDEN em seu show de segunda-feira, "The Day I Tried To Live".

Os violões recebem uma pausa e CHIS CORNELL se direciona a um toca discos (que esteve ali o tempo inteiro sem que muitos tivessem reparado) e colocou para tocar um vinil com a trilha do piano de "When I'm Down" de seu disco "Euphoria". Ao se direcionar ao microfone percebeu que a rotação do toca discos estava mais acelerada do que a música e ajusta a rotação sem muitos problemas, retornando ao microfone para agora apenas cantar. Estava faltando AUDIOSLAVE em seu set, então "I Am the Highway" aparece na sequência animando bastante o público presente que manteve o clima na animada "Can't Change Me".

O show estava chegando ao final. CHIS CORNELL toca mais cinco músicas, "Fell on Black Days"e "Black Saturday", do SOUNDGARDEN, e "Be Yourself", "Doesn't Remind Me" e "Wide Awake"do AUDIOSLAVE. O destaque ficou para "Doesn't Remind Me" e "Be Yourself". "Blow Up the Outside World" do SOUNDGARDEN é tocada e o impressionante ainda era a voz de CHRIS, que em momento algum teve alguma falha ou teve que ser poupada por ele devido a algum desgaste. Então ele encosta seu violão no seu retorno, realiza algumas alterações de efeito em seus pedais deixando um barulho e o que estava tocando no seu violão antes de encerrar a música permanece ao fundo. CHIS CORNELL se retira do palco, porém o público se mantém firme em suas confortáveis poltronas, pois ainda faltavam os velhos clássicos do SOUNDGARDEN como "Outshined" e "Black Hole Sun" e "Like a Stone" do AUDIOSLAVE, certo? Errado. CHIS CORNELL saiu do palco sem se despedir do público e sem tocar músicas essenciais de sua carreira, músicas que se não existissem não levariam parte do público (que não foi grande é verdade) até o local do show, em uma segunda-feira sendo o valor dos ingressos altíssimo para a realidade de nosso país.

Ficou aquele gostinho de quero mais e aquela questão: "Mas por que ele não tocou?", visto que havia tocado as músicas nos dois shows anteriores no país, que foram mais longos inclusive. Será que foi o público? Algo que ocorreu no backstage? Bom, talvez sim, mas essa dúvida provavelmente fique conosco e não descobriremos jamais. Se existisse uma coletiva "pós-show" como ocorre com treinadores de futebol em seu "pós-jogo", poderíamos descobrir os motivos de tais escolhas. Jornalistas fariam essas questões como fazem aos treinadores, "Por que fulano não foi a campo? Por que mudar o esquema tático e usar o 4-4-2 e não o 3-5-2 que estava sendo utilizado nos demais jogos?", porém as perguntas seriam com relação à presença de palco, ou opção por apenas violão e não guitarra ou uma banda acompanhando e por que tocar tal música e deixar outra de lado, mas ainda não possuímos esse serviço e nos resta esquecer que as músicas não foram tocadas, embora seja difícil para qualquer fã. Apesar da ausência de algumas músicas o show foi muito bom e pôde ser aproveitado por todo o público presente.




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Sobre Guilherme Dias

Fanático por heavy metal e hard rock desde os 12 anos de idade. Coleciona CDs e LPs, principalmente do Helloween e seus derivados. Colabora com o site desde 2013. Nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

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