Peso Brasil 3: com Skinlepsy, Blasthrash e Cursed Slaughter
Resenha - Peso Brasil 3 (Manifesto, São Paulo, 05/05/2013)
Por Marcelo Stefanoni
Postado em 07 de maio de 2013
O projeto Peso Brasil, evento voltado para bandas autorais do cenário brasileiro e que é organizado por Ricardo Batalha (Roadie Crew) em parceria com o Manifesto Bar, voltou a privilegiar o Thrash Metal em sua terceira edição, realizada no domingo (05) – dia de semifinal do Paulistão 2013, de etapa de São Paulo da Fórmula Indy e de show internacional do Xandria na capital. Assim como ocorreu na segunda edição com o Kamboja, que fez seu primeiro show no projeto, o Peso Brasil marcou a estreia do Skinlepsy nos palcos e trouxe ainda dois grandes representantes do estilo Thrash/Crossover, Cursed Slaughter e Blasthrash.
Fotos: Ricardo Ferreira
Fazendo a primeira apresentação e lançando oficialmente seu álbum de estreia, "Condemning The Empty Souls", o que se viu no show do Skinlepsy foi um trio entrosado. Também pudera, experiência é o que não falta para André Gubber (vocal e guitarra, ex-Skullkrusher, Nervochaos, Siegrid Ingrid, Pentacrostic), Luiz Berenguer (baixo, ex-Siegrid Ingrid) e Evandro Jr. (bateria, Anthares e Desaster). O som estava bem equalizado e o trio pôde executar seu Brutal Thrash Metal com pitadas de Death Metal, iniciando o set com "Crucial Words" e emendando sem respiro com "Crawling As A Worm". Embora privilegie partes bem velozes, o som também traz a cadência e alguns momentos até intrincados, com Evandro Jr. se destacando nas variações rítmicas.
Lá pelo meio do set, que seguiu com "Alienation", "Perversion Of Racial Hatred" e "Pride And Rancour", houve uma pequena pausa para ajustes no amplificador de baixo e troca de cabo. Gubber, que já vinha interagindo com a plateia, agradeceu a presença do público que, àquela altura, se perguntava se aquele era realmente o primeiro show da banda, tamanha a perfeição do instrumental. Equipamento ajustado e o set seguiu com a faixa título do CD, "Condemning The Empty Souls", seguida por "Dominium" e "Regressing From The End". Com, Gubber e Evandro Jr. usando camisetas do Slayer, o vocalista/guitarrista fez questão de lembrar a importância do falecido Jeff Hanneman e comentou ainda que não tiveram tempo para prestar uma homenagem devida com um cover. Assim, após Gubber dizer que fariam alguns segundos de microfonia em memória a Hanneman, mandaram "A New Level" do Pantera, relembrando outro mestre dos riffs (Dimebag Darrell) que também já não está mais entre nós. O set foi encerrado com "Global Desolation", mostrando a todos que se esse foi apenas o primeiro, o Skinlepsy dará muitas alegrias aos fãs. "Me senti realizado e agradecido ao público que compareceu no Manifesto para prestigiar o projeto 'Peso Brasil'. Temos a certeza de estarmos na trilha certa e de termos dado o primeiro passo de forma eficaz, escolhendo as pessoas certas para nos apoiar nesse início de trajetória", disse o baterista Evandro Jr.
Na sequência veio o Blasthrash, que chegou com tudo na rifferama de "Freedom Lies Dead", faixa do álbum "Violence Just For Fun" (2008). Dario Viola (vocal), Henrique Perestrelo (guitarra, Infected), Hugo Golon (guitarra, Infected, Side Effectz), Diego Nogueira (baixo, Anthares) e Rafael Sampaio (bateria) têm uma performance diferenciada, daquelas que você não consegue ficar inerte. Além dos riffs, paradinhas 'headbangin', os vocais de apoio e coros são marcas da banda, que está na ativa desde 1998. Após "Violence Just For Fun" foi a vez de "Nudity On T.V.", faixa do disco de estreia, "No Traces Left Behind" (2005). Com algumas rodas na pista e quase todos batendo cabeça e agitando, o set seguiu com "Possessed By Beer", bem encenada por Dario Viola, que a cantou com uma long neck gelada na mão, e "... And Then All My Hope Is Gone".
Mesmo tendo feito shows de abertura para atrações internacionais como Tankard e Assassin, não houve nenhum discurso programado sobre "cena", "pagar pau pra gringo" e coisas do tipo. Os músicos seguiram o show com "Beer And Mosh", demonstrando que estavam ali no palco para dar o sangue, entreter os presentes e se divertir tocando Thrash Metal. Saíram de lá vencedores, pois quem ainda não tinha os visto ao vivo foi direto para o stand de merchandising, localizado na entrada do Manifesto Bar, adquirir o material da banda, algo que também ocorreu com as demais da noite. O set ainda contou com a nova "Sweet Taste Of Addiction", que integrará o Split CD com a banda japonesa Fastkill, "Like A Living Dead" e fechando com "Psychotic Minds". Como eles mesmos dizem, "violência (sonora) é somente para diversão"... "Um dos nossos únicos prazeres é tocar! Temos nossos trabalhos no dia-a-dia, damos duro neles, mas esse momento sempre é gratificante para nós. E foi muito massa tocar num festival como esse, pois nem sempre temos um boa estrutura para mostrarmos nosso trabalho", afirmou Diego Nogueira.
Se o público saiu da frente do palco ao final do Blasthrash mencionando o Nuclear Assault e falando de Crossover, o que todos viram a seguir com o Cursed Slaughter foi a personificação do Thrash/Crossover com Dan Pacheco (vocal), Ricardo Silva (guitarra), Willian Moreira (baixo, substituindo interinamente Fernando Milan) e Rodrigo Silva (bateria). A pequena roda de mosh se formou naturalmente logo após os dois primeiros sons – "Rot In The Cross" e "Lethal Injection". Com postura e atitude condizentes com o estilo adotado, pareceu que estávamos frente a um "tsunami" de peso e agitação, com o vocalista Dan evocando o espírito Mike Muir. Rodrigo Silva, que tem um estilo peculiar e forte de tocar, seguiu massacrando os tambores em "Crystal Lake" e "Cursed Slaughter", enquanto Ricardo Silva segurava os riffs e solos com uma concentração ímpar, além de mandar coros típicos do estilo com Willian Moreira.
Promovendo o álbum de estreia "Metal Moshing Thrash Machine", a performance avassaladora teve sequência com "Cyco Army", repleta de coros fortes. Após acertar e ajustar a correia da guitarra, o cover de "Acid Rain" (D.R.I.) veio bem a calhar. E é uma pena que os eventos Peso Brasil não sejam realizados no "horário nobre" de um sabadão, porque um show tão energético e violento como este deixaria o chão do Manifesto Bar com ranhuras eternas. A pequena roda seguiu com "Nuke Future", "Attitude" e a faixa-título do disco, "Metal Moshing Thrash Machine", que deverá ser relançado em breve pela Pecúlio Discos. O encerramento do show veio com uma homenagem a Jeff Hanneman com o cover de "Black Magic" (Slayer). "Evento como poucos vistos hoje em dia, em que banda e público foram respeitados. Para o Cursed é uma conquista tocar em uma casa onde já fomos tantas vezes assistir a nossas bandas preferidas, ainda mais acompanhado de bandas de grandes amigos e de qualidade bem acima da média, como Skinlepsy e Blasthrash! Vida longa ao 'Peso Brasil' e que continue sempre dando esse espaço para o Metal nacional!", declarou o vocalista Dan Pacheco (Cursed Slaughter).
O "Peso Brasil 3" pode não ter tido um público numeroso mas, levando-se em conta a qualidade sonora, a performance dos músicos nos três shows e a aceitação unânime dos que compareceram, o evento atingiu o objetivo ao mostrar que o Brasil está bem servido de Thrash e Crossover.
Skinlepsy – Set List:
1- Intro / Crucial Words
2- Crawling As A Worm
3- Alienation
4- Perversions Of Racial Hatred
5- Pride And Rancour
6- Condemning The Empty Souls
7- Dominium
8- Regressing From The End
9- A New Level (Pantera)
10- Global Desolation
Blasthrash – Set List:
1- Freedom Lies Dead
2- Violence Just For Fun
3- Nudity On TV
4- Possessed By Beer
5- ... And Then All My Home Is Gone
6- Beer And Mosh
7- Sweet Taste Of Addiction
8- Like A Living Dead
9- Psychotic Minds
Cursed Slaughter – Set List:
1- Rot In The Cross
2- Lethal Injection
3- Crystal Lake
4- Cursed Slaughter
5- Cyco Army
6- Acid Rain (D.R.I.)
7- Nuke Future
8- Attitude
9- Metal Moshing Thrash Machine
10- Black Magic (Slayer)
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