Live 'N' Louder: Quem compareceu assistiu ótimos shows

Resenha - Live 'N' Louder (Espaço das Américas, SP, 14/04/2013)

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Por Jorge A. Silva Junior
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A terceira edição do festival Live 'N' Louder - as anteriores aconteceram em 2005 e 2006 - foi realizada no último domingo (14), no Espaço das Américas, em São Paulo. Em comemoração aos seus 25 anos, a produtora Top Link Music trouxe seis atrações: TWISTED SISTER, SODOM, METAL CHURCH, LOUDNESS, MOLLY HATCHET e ANGRA. Mesmo com apenas um terço da casa ocupada (a capacidade máxima do local é de 8 mil pessoas), quem compareceu ao evento assistiu ótimos shows, quase todos cumprindo pontualmente o horário previamente estabelecido.

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O mestre de cerimônias do Live 'N' Louder Rock Fest 2013 foi o humorista Bruno Sutter, o Detonator. Antes de apresentar a primeira atração da noite, ele revelou estar gravando um piloto do programa "Fúria Metal", sucesso da MTV no início dos anos 1990 com o então VJ Gastão Moreira.

MOLLY HATCHET (EUA)

Revelações à parte, a banda americana MOLLY HATCHET entrou em cena às 17h30 com "Whiskey Man", música do álbum 'Flirtin' With Disaster' (1979). Após "Gator Country" (MOLLY HATCHET/1978), e com a casa um pouco mais cheia, o vocalista Phil McCormack falou da satisfação de tocar no Brasil pela primeira vez. E não só ele como os demais músicos fizeram questão de interagir com o público o tempo todo.

Fundado em 1975 em Jacksonville, Florida, o grupo faz um southern rock com doses de hard rock muito competente, principalmente pelo ótimo guitarrista Bobby Ingram. O repertório ainda contou com "Justice", do disco homônimo lançado em 2010, e um cover da ALLMAN BROTHERS BAND: "Dream I'll Never See". Depois do show, o segundo guitarrista, Dave Hlubek, foi até a pista e virou alvo de muitas fotos.

SODOM (ALE)

Ao contrário da interação entre público e banda, o SODOM fez um show como se deve: poucas palavras e muito som. Som, aliás, que foi sem dúvida o mais alto do evento.

Ícone do thrash metal alemão ao lado de KREATOR e DESTRUCTION, o trio liderado pelo baixista Tom Angelripper desfilou um petardo atrás do outro durante 50 minutos. As músicas "Among The Weirdcong" (M-16/2001) e "The Vice Of Killing" (Cod Red/1999), ambas presentes nos álbuns responsáveis pelo retorno do grupo ao "thrash old school", abriram caminho para o clássico que viria a seguir: "Outbreak Evil", do EP 'In The Sign Evil' (1984). Do mesmo registro estava reservado espaço no final da apresentação para "Burst Command 'til War" e "Blasphemer".

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"Nós somos o SODOM da Alemanha", limitou-se Angelripper no intervalo das pancadarias, entre elas "Surfin' Bird", cover do TRASHMEN, que serviu de introdução para "The Saw Is The Law", do EP homônimo de 1991. A banda ainda continuou sua ênfase aos anos 80 com duas faixas do álbum 'Persecution Mania' (1987): "Nuclear Winter" e "Bombenhagel", a segunda responsável por encerrar uma apresentação matadora.

LOUDNESS (JAP)

Não há como negar que o hard rock e o heavy metal tiveram seu melhor momento comercial na década de 1980, quase que exclusivamente nos Estados Unidos e parte na Inglaterra. No entanto, uma banda formada no Japão em 1981 chamou a atenção desse público e logo ganhou destaque internacional. Pela primeira vez no Brasil, o LOUDNESS foi a terceira atração do Live 'N' Louder 2013 e não decepcionou mesmo com uma baixa de última hora.

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A organização do festival informou minutos antes da apresentação que o vocalista americano Mike Vescera não conseguiu embarcar do aeroporto de Los Angeles devido a uma forte nevasca. Para o seu lugar foi convidado Iuri Sanson, da banda brasileira HIBRIA, que já estava confirmado para cantar cinco músicas no show.

Mas o que parecia uma improvisação natural se tornou em um desempenho notável. Muito à vontade ao lado do grupo japonês, Iuri soltou a voz e mostrou que é um dos grandes vocalistas do metal nacional. Sucessos antigos como "Crazy Nights", "Soldiers Of Fortune" e "Heavy Chains" soaram muito bem ao vivo, com destaque para o exímio guitarrista Akira Takasaki, fundador da banda.

O encerramento ficou por conta de uma dobradinha de canções recentes: "The King Of Pain", do álbum homônimo de 2010, e "Survivor" (Eve To Dawn/2011). Mesmo com todos os contratempos de uma viagem longa e a ausência do vocalista, o saldo do LOUDNESS no festival foi mais que positivo.

METAL CHURCH (EUA)

Pontualmente às 21h, o peso do METAL CHURCH deu às caras no palco do Espaço das Américas. Liderada pelo guitarrista Kurdt Vanderhoof, único integrante que tocou no álbum de estreia (Metal Church/1984), a banda americana apresentou exatamente que seus fãs queriam: um punhado de pancadaria gravada nos anos 80.

Assim como o disco 'The Dark' (1986), o show foi aberto com "Ton Of Bricks" e "Start The Fire". Sem deixar a poeira baixar em nenhum momento, o grupo continuou o atropelamento sonoro com músicas do calibre de "Gods Of Wrath", "Watch The Children Pray" e a não menos destacável "Metal Church".

Em quase uma hora de petardos, a apresentação foi encerrada com "Human Factor", do álbum homônimo de 1991, primeiro e único a ser lançado pela Epic Records.

Para quem teve o prazer de conferir o METAL CHURCH ao vivo, um futuro show solo da banda no Brasil não seria nada mal.

ANGRA (BRA)

De volta a sua função de mestre de cerimônias do festival, Bruno Sutter, desta vez caracterizado como Detonator, apresentou a penúltima banda da noite: ANGRA. A banda brasileira subiu ao palco às 22h20 com Fabio Lione (RHAPSODY OF FIRE) no vocal.

Com "Nothing To Say" (Holy Land/1996) logo de cara, a impressão que dava era de um repertório centrado em canções mais antigas, dos tempos de Andre Matos, uma vez que o show fora divulgado como especial e pelo fato de a saída de Edu Falaschi não ter sido das mais amistosas.

Dos tempos do primeiro vocalista, no entanto, estiverem presentes apenas "Silence And Distance", também do álbum 'Holy Land', e "Gentle Change (Fireworks/1998). Mesmo com a expectativa de parte do público por um repertório diferente, nunca é demais destacar o virtuoso guitarrista Kiko Loureiro, responsável por dividir com Fabio Lione a atenção durante os 45 minutos de show.

Do disco 'Rebirth' (2001) entraram no set "Millennium Sun", a faixa homônima e "Nova Era", última da apresentação que, apesar de previsível e curta, deixou muita gente satisfeita.

TWISTED SISTER (EUA)

Grande nome e carro-chefe do Live 'N' Louder 2013, o TWISTED SISTER chegou à São Paulo para o seu terceiro show na cidade em menos de cinco anos. Nas apresentações anteriores (2009 e 2010), a banda liderada pelo vocalista Dee Snider lotou e quebrou tudo na Via Funchal. Mesmo para um público muito menor, mas não menos empolgado, os nova-iorquinos desfiram clássicos durante pouco mais de uma hora.

Com um atraso de 55 minutos, o TWISTED SISTER entrou em cena às 23h50 com o repertório um pouco diferente dos últimos shows no país. A mudança foi notada logo na abertura, com "You Can't Stop Rock 'N' Roll", seguida por "Shoot 'Em Down" (Under The Blade/1982).

Assim como em 2010, a banda tocou sem usar a tradicional maquiagem. O que se trata de um mero detalhe, afinal o grupo mostrou mais uma vez que continua incendiário em cima do palco, fato comprovado durante as pesadas "Stay Hungry", "Under The Blade" e "Burn In Hell".

E obviamente não poderiam ficar de fora os três grandes sucessos do grupo: "We're Not Gonna Take It", "I Wanna Rock" e a balada "The Price", todas do álbum 'Stay Hungry' (1984), responsáveis pelos pontos altos da apresentação.

Dee Snider e companhia se despediram após "S.M.F" (Sick Mother Fuckers) com a impressão de voltar ao país em breve.

Galeria de fotos completa no link abaixo:

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Sobre Jorge A. Silva Junior

Jorge Junior é paulistano, jornalista diplomado e colaborador do Whiplash.Net desde 2009. Tem mais de 400 matérias e notas publicadas, que somam aproximadamente um milhão e meio de acessos. Também realizou a cobertura de shows de grande porte, entre eles Ringo Starr, Eric Clapton, Deep Purple, System Of A Down, Red Hot Chili Peppers e Ozzy Osbourne. O autor pode ser seguido no Twitter: @jorgejunior85.

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