Slash: mostrando como se faz rock'n'roll de maneira simples
Resenha - Slash (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 09/11/2012)
Por Rudson Xaulin
Postado em 18 de novembro de 2012
O homem da cartola dispensa apresentações, tão longe é necessário dizer que é bem mais que um guitarrista, um ícone da música e quase como um personagem, com sua cabeleira e a cartola, marca registrada, unindo todos esses fatores, temos quase que uma entidade quando o assunto é rock n’ roll, e é por ele que Porto Alegre esperava na noite quente na capital gaúcha... O Pepsi On Stage não é de fato o melhor local para um show deste, ou talvez, para a grande maioria dos shows que rolam por lá. A sua estrutura, composta por infinitas barras e pilares de ferro, tornam a visão do palco em certos pontos, impossível. Pra piorar, caixas de som penduradas nessas mesmas barras, fazendo com que o pessoal do fundo, que estava em cima de um nível maior do solo, tivesse que ficar desviando o olhar em algum ponto, para tentar ver alguma coisa. Eles deviam ter pelo menos mais um telão em um dos pilares centrais, investimento barato quando um artista é capaz de lotar aquele lugar. E falando em telões, pelo menos os que a casa tem, poderiam ao menos estarem ligados.
Problemas a parte, é hora do show... A primeira banda de abertura, formado por membros de Porto Alegre, subiu ao palco por volta das 19h35min, e de longe a ZERODOZE sabe segurar a onda quando o assunto é abrir um show deste porte. Os caras também foram responsáveis pela abertura de outro ícone do Hard Rock em Porto Alegre meses atrás, o ex-vocalista do SKID ROW, SEBASTIAN BACH... A ZERODOZE tocou suas músicas, agitou o tempo todo e aquele rock mais pesado fez o Pepsi On Stage estremecer. Um show rápido, porém direto e com o objetivo cumprido: Esquentar a galera! Os caras tem dois discos lançados, vale a pena uma conferida com mais atenção... A segunda banda da noite foi a PORN QUEEN (Rainha Pornô), que vem tendo um grande numero de shows ao lado de SLASH e mantém vivo o Hard Rock clássico, mas o público foi bem menos calórico com eles do que com a ZERODOZE, tanto que seu ponto alto foi um cover no final de sua apresentação.
Luzes apagadas, gritaria e histeria total, era hora do grande show da noite. SLASH subiu ao palco com 15 minutos de antecedência, acompanhado do virtuoso vocalista MYLES KENNEDY (ALTER BRIDGE), TODD KERNS (Baixo), FRANK SIDORIS (Guitarra) e BRENT FITS (Bateria). Essa é a banda que gravou ao lado do homem da cartola seu segundo disco solo, APOCALYPTIC LOVE, lançado em 2012, pois segundo SLASH, agora ele tem controle sobre tudo, mas todos o ajudam a compor e todos tem suas ideias trabalhadas e todas as musicas são criadas em comum acordo, SLASH os chama de THE CONSPIRATOR’S... A primeira canção da noite foi HALO, do novo álbum do cartoludo e uma canção que mostra porque ele escolheu MYLES KENNEDY para o posto de vocalista. Tanto em estúdio, quanto ao vivo, MYLES é capaz de cantar qualquer canção, colocando sua cara nelas, mas não fugindo ao modo como devem soar... Logo depois foi a vez do primeiro clássico de APPETITE FOR DESTRUCTION, e o Pepsi On Stage veio abaixo com NIGHTRAIN. Não havia alma naquele lugar que não estava pulando dentro de um corpo alucinado ao som do guitarrista...
Na sequencia GHOST, a faixa que abre o primeiro álbum solo de SLASH, que foi gravada com IAN ASTBURY nos vocais, e possivelmente umas das melhores que soa ao vivo daquele álbum. Logo depois foi a vez de STANDING IN THE SUN, mais uma do novo disco, e ficou claro que o solo dela foi feito para ser tocado ao vivo, foi nela também que o baixista TODD KERNS mostra sua competência como backing vocals... Quem deu as caras em seguida foi BACK FROM CALI, pois a banda queria mesmo era tocar, era uma atrás da outra, sem pausa para quase nada, o que eles virem fazer? Um show, e era o que eles estavam dispostos a fazer. Nesta canção, mais uma do trabalho solo de SLASH, mas essa do primeiro disco, foi gravada pelo próprio MYLES KENNEDY, ela é uma das mais aclamadas daquele álbum, e foi de cara a primeira que mostrou aquele mar de câmeras e celulares ligados... O SLASH’S SNAKEPIT, banda formada por SLASH em meio a sua turbulenta saída do GUNS N’ ROSES, também foi lembrada, e assim se ouviu a ótima e rápida BEEN THERE LATELY, única do set do SNAKEPIT, ficando de fora a também incrível MEAN BONE...
SLASH mostrou na sequencia que uma banda pode fazer um bom som com apenas 4 músicos e um vocalista competente, foi a vez de nada mais e nada menos que CIVIL WAR, clássico que abre o USE YOUR ILLUSION II do GUNS N’ ROSES, nem é preciso dizer que tudo estremeceu de novo. Legal ver que o assovio de introdução da canção, antes feito por AXL ROSE em tempos de ouro do GN’R, foi gritado em um uníssono por todos os presentes... Logo em seguida, mais uma da ex-banda do cartoludo, ROCKET QUEEN entra em cena e foi nela que SLAHS fez seu primeiro solo grande, ficando lá na dele, só mundo das 6 cordas, tocando e dedilhando por quase dez minutos. No meio da canção, tudo o que podia se ouvir era ele praticamente brincando com a guitarra, e a cena emblemática da cartola e sua imagem, refletindo ao fundo do palco em um efeito lindo de luz e sombra... E vindo como "bônus", Porto Alegre ganhou a faixa "bônus" de APOCALYPTIC LOVE, chamada CRAZY LIFE, que não podia ficar de fora de um show que esta acontecendo para promover o novo álbum...
Mais uma do novo trabalho, a bela NOT FOR ME, mostrando que o novo disco de SLASH é repleto de musicas competentes do começo ao fim, nenhuma delas pode se deixar de lado, tendo seus pontos altos e baixos, mais nenhum ponto de "esqueça essa música em algum canto do seu mp3"... Minutos depois MYLES KENNEDY sai o palco e deixa seu microfone a cargo do baixista TODD KERNS, que mostra uma pegada incrível em DOCTOR ALIBI, canção do primeiro disco solo de SLASH e gravada pela lenda do Heavy Metal, LEMMY KILMISTER, líder do MOTÖRHEAD... Ainda com TODD nos vocais, vem à barulhenta YOU’RE CRAZY, tocada exatamente como foi gravada em APPETITE FOR DESTRUCTION, ficando claro que TODD é um excelente vocalista.
Assumindo novamente seu posto de vocalista, MYLES retorna para o hardão ríspido de HARD & FAST, também do novo disco solo de SLASH... Era hora de parar com as musicas e deixar a estrela da noite brilhar mais um pouco, e assim tivemos um solo matador no meio do espetáculo. Mesmo SLASH não sendo o guitarrista mais rápido do oeste ou mais técnico que seu vizinho, a imagem dele solando, deve ser lembrada para sempre. E como é um show do homem da cartola, não poderia faltar o que a se tornou clássico, GODFATHER THEME, fazendo o Pepsi On Stage vir abaixo para acompanhar aquele tema jurássico... Para a sequência, não tivemos os violões, mas ANASTASIA foi muito bem representada pela guitarra, e mais uma do novo disco que engordava o set list da noite. E para fechar a trinca de "novatas", uma das melhores do novo trabalho, YOU’RE A LIE, que ganhou até um videoclipe mostrando toda a banda fazendo o que sabem fazer...
Era hora da apoteose, e como todo mundo esperava pelo apocalipse, quem o trouxe a Porto Alegre foi um clássico absoluto do rock n’ roll mundial e seu riff inconfundível, único e histórico, nada além de SWEET CHILD O’ MINE do GUNS N’ ROSES. Foi nela que podiam ser vistas lágrimas nos rostos de vários presentes, canção que foi culpada por quase 7 mil pessoas a gravando em algum lugar, sendo celular ou tablet, alguém queria aquele momento salvo, para dizer que viu o criador e criação, unidos para tirar todos do chão naquela noite. Sem nenhuma dúvida, momento em que todos eram apenas um, longe da idade que separava fãs veteranos dos novatos, essa faixa é a responsável por unir todo mundo, simplesmente para ver SLASH fazer o que sabe fazer. Inesquecível!
Para não passar em branco, o VELVET REVOLVER foi lembrado apenas em uma música, SLITHER, deixando de fora do set uma correnteza de boas canções dos dois álbuns gravador pelos ex-Gunners SLASH, DUFF McKAGAN, MATT SORUM, além do temperamental e complicadíssimo SCOTT WEILAND, junto com DAVE KUSHNER. Possivelmente FALL TO PIECES fez falta... E foi assim que a banda deixou o palco pela primeira vez, dando espaço para o obvio retorno em minutos, acompanhados pela primeira do bis chamada STARLIGHT. Talvez uma das mais belas canções criadas por SLASH nesses longos anos longe do GUNS N’ ROSES, com um trabalho impecável nos vocais, mostrando porque MYLES KENNEDY é considerado um dos melhores vocalistas da atualidade... Para finalizar o espetáculo, claro que não poderia ser outra: PARADISE CITY. Com direito a papel picado, todos pulando e a banda quebrando tudo em cima do palco. Um clássico absoluto do GUNS N’ ROSES, marcado na historia da música e finalizando assim um belo capitulo na historia da música de Porto Alegre. SLASH saiu do palco com a promessa de logo voltar ao nosso país, coisa que deve mesmo acontecer, pois ele e sua nova trupe já estão trabalhando em um novo disco. SLASH mostrou como se faz rock n’ roll de maneira simples, porem com competência, comprometimento e vontade de fazer. Ficará na memória de todos naquela noite, o sorriso por de trás da cabeleira do homem da cartola, enquanto ele tocava sua guitarra como uma criança e seu novo brinquedo...
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