Setembro Negro: resenha e fotos do festival em São Paulo

Resenha - Setembro Negro Festival (Carioca Club, São Paulo, 08/09/2012)

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Por Pierre Cortes
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Já podemos afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que o mês de setembro é pra lá de aguardado para os apreciadores do Metal extremo. Afinal de contas o Setembro Negro, festival realizado pela Tumba Productions, já se tornou um evento oficial e até mesmo obrigatório no calendário dos headbangers brasileiros. E nesta edição contamos com a presença do KEEP OF KALESSIN, GORGOROTH e AUTOPSY, além da participação do CAUTERIZATION, banda de Presidente Prudente, interior de São Paulo.

Em pleno sábado, emenda de feriado, a cidade sofria de um calor intenso. E nos perguntávamos constantemente se o Carioca Club, local escolhido para o evento, estaria lotado. A abertura da casa estava marcada para às 16:00h. e a primeira banda, o CAUTERIZATION, realizaria sua performance meia hora depois. E assim foi feito. No horário marcado, o trio ali se encontrava. Prontos para realizar um show que não foi tão longo, mas bastante eficaz. O grupo é formado por Maysa Rodrigues (guitarra/vocal), Well Moia (baixo/backing vocal) e Trojillo Jr. (bateria) e praticam uma mistura de Death/Black Metal bastante rápido e violento. A performance deles foi muito boa, demonstraram domínio no palco e, embora toda a banda apresente técnica, o grande destaque ficou a cargo dos vocais guturais e intensos de Maysa, além dos riffs rápidos. Infelizmente o som estava um pouco embolado, mas isso não prejudicou o brilhantismo da banda. Tocaram composições próprias como a brutal “Males Infestus” e “Infernal Battlefield” e também presentearam a plateia com “Night's Blood”, cover do DISSECTION. Um show matador.

E a partir daí, o público já estava bastante aquecido e preparado para as pancadarias que ainda viriam. E após um breve espaço de tempo, a próxima banda já estava no palco. A primeira atração internacional foi o KEEP OF KALESSIN. Oriundos da Noruega, o quarteto formado em 1995 pratica um som que denominam como Epic Extreme Metal. Na verdade, o que ali conferimos foi um Death Metal Melódico, bastante técnico, veloz, extremo e muito bem feito. Com cinco CDs lançados e um EP, o grupo caminhou principalmente nas composições dos álbuns “Kolossus” de 2008 e “Reptilian” de 2010.

Agitaram muito no palco, demonstrando uma performance não somente técnica, mas também bastante forte e cheia de impacto. Thebon, o vocalista, possui uma voz vigorosa, marcante e, além disso, interagia com o público de forma a se tornar um grande destaque ao vivo. Outro integrante que muito me chamou a atenção foi Wizziac, o baixista, um verdadeiro demônio em cena que não parava de girar a cabeça. Absurda a sua intensidade em cena. Músicas como “Judgement” e “The Awakening” sacudiram o Carioca Club e era evidente, ao final da apresentação, que o público estava impressionado com o show do KEEP OF KALESSIN, que durou cerca de uma hora. Não era a apresentação que eu mais ansiava em ver, mas sinceramente tenho que admitir que eles foram impecáveis.

A banda seguinte era a que eu mais tinha expectativa em assistir. Também vindos da Noruega, o GORGOROTH era ali o grande representante do Black Metal. Tiveram uma presença bastante marcante no palco, não somente pela sonoridade em si, mas também pelo visual extremo: braceletes, corpse paint, cruzes invertidas. O som estava bem audível e, por incrível que pareça, o palco estava um pouco mais iluminado comparado com as apresentações anteriores. Imaginei que eles fossem tocar quase que na escuridão, para assim terem uma luz de acordo com o som que executam.

E se alguém imaginou que a recente demissão do vocalista pudesse, de alguma forma, trazer qualquer tipo de inconveniente na performance ao vivo, percebeu que isso nem de longe aconteceu. Os vocais ficaram a cargo do Hoest da banda TAAKE, uma vez que Pest, o antigo vocal, foi demitido por não priorizar a turnê da América Latina. E Hoest conseguiu cumprir sua missão. Mandou bem demais. Tanto na garganta, quanto na postura, além do que era notório seu entrosamento com a banda como um todo. Já Infernus, o guitarrista, ficou lá no canto do palco e parecia compenetrado em seu instrumento, executando seus riffs soturnos e afiados. O GORGOROTH ainda contava com um membro brasileiro no show. O guitarrista Fábio Zperandio, ex-Ophiolatry e ex-Cursed Celebration. Em meio a várias caretas que fazia, demonstrando uma interação com a plateia, ele agitou bastante e tocou muito também. Um orgulho vermos um músico do nosso país fazendo parte de um show tão importante, de uma banda tão extrema e consagrada, ainda que pertencente ao cenário underground.

O setlist foi bem variado e as composições caminharam por vários de seus álbuns como “Antichrist”, “Twilight of the Idols”, “Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt” e “Incipit Satan”, porém a concentração ficou a cargo do “Under the Sign of Hell”, um álbum de 1997, mas que foi regravado em 2011. Músicas como “Bergtrollets Hevn”, “Revelation of Doom”, “Unchain My Heart” e “Krig” foram verdadeiras avalanches sonoras. O GORGOROTH demonstrou a força, brutalidade e fúria do bom e grandioso Black Metal que a Noruega oferece e que tanto marcaram, e ainda marcam, o cenário da música extrema. Um show que certamente impressionou.

Uma pequena pausa para um merecido respiro e, pouco menos de 30 minutos, a última e tão aguardada banda já se preparava para o último show do festival. Era a vez do AUTOPSY, quarteto americano formado em 87. Chris Reifert, o baterista/vocalista, era o grande destaque da apresentação. Bastante brutal no manuseio com as baquetas e agressivo nos vocais, ele contagiava o público intensamente. Algo absurdo de se ver. Para quem não sabe, ele também foi o responsável pela bateria do álbum “Scream Bloody Gore” do DEATH.

Realizaram um set com maior foco no primeiro álbum: o clássico “Severed Survival”, de 1989. Músicas como “Charred Remains”, “Pagan Saviour” e “Ridden With Disease” foram executadas de forma extrema. Era comum se formarem as tradicionais rodas no meio da pista. O público agitava loucamente e, vez ou outra, era possível vermos alguém quase ultrapassando os limites da grade e sendo barrado por um dos seguranças. Enquanto o quarteto fazia bonito no palco, a receptividade dos fãs se manifestava na pista. O instrumental estava afiado demais. Coralles e Cutler, a dupla de guitarristas, executavam riffs bem feitos e solos rápidos. Encerraram o show com a poderosa “Critical Madness”. Final insano e, como se costuma dizer por aí, feito com chave de ouro.

Sinceramente o saldo final não poderia ser mais positivo. A casa ficou cheia e nós, apreciadores do Metal extremo, tivemos a oportunidade de conferir 4 ótimas apresentações. Isso sem levarmos em conta algumas questões de organização, como horário de inicio e término dos shows. Impecáveis. Mais um ótimo evento da Tumba Productions. Que venham outros.

Setlist - AUTOPSY

Charred Remains
In the Grip of Winter
Severed Survival
Pagan Saviour
Embalmed
Dead
Voices
Slaughterday
Seeds of the Doomed
Mauled to Death
Gasping for Air
Ridden With Disease
Twisted Mass of Burnt Decay
Critical Madness

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Sobre Pierre Cortes

Pierre Cortes, paulistano, bacharelado em Publicidade e em Cinema, amante da fotografia e escrita, apreciador do Heavy Metal e todas as suas subdivisões desde o início dos anos 80, colaborador do Whiplash.Net desde 2011, Twitter - @pierrecortes.

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