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Steve Wilson: aperitivo para um show do Porcupine Tree

Resenha - Steven Wilson (Via Marquês, São Paulo, 21/04/2012)

Por Tatiane Correia
Em 24/04/12

Art is Truth. Arte é a verdade. E o britânico STEVEN WILSON comprovou a teoria que, literalmente, o vestiu. Músico – vocalista/guitarrista do grupo britânico PORCUPINE TREE – e produtor (ANATHEMA, ORPHANED LAND, OPETH, STORM CORROSION, só pra citar alguns exemplos) dos mais reconhecidos, ele fechou sua primeira visita à América Latina para uma platéia apenas discreta, mas que saiu encantada de uma das apresentações mais envolventes de que já tive notícia.

Fotos: Edi Fortini

A apresentação que fechou a tour latino-americano para divulgação do segundo disco solo de Wilson, Grace for Drowning, foi realizada no Via Marquês, uma nova casa de São Paulo que merece destaque pela fácil localização, acústica e iluminação. O público que formava uma pequena fila na porta já era informado de que a banda proibia terminantemente qualquer tipo de registro, seja com câmera ou celular. Essa é uma regra de praxe em apresentações de Wilson, seja solo ou com o PORCUPINE TREE.

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Por conta da série de apresentações na capital paulista (show do BOB DYLAN no mesmo dia), o público presente ficou um pouco aquém do esperado, em torno de 400 pessoas. Porém, o mesmo era composto por fãs de diversas faixas etárias, que no fim das contas foram contemplados por uma apresentação das mais poderosas.

Após a exibição de um vídeo por sobre o pano que cobria o palco, a pontualidade britânica foi atendida e, às 18 horas, os primeiros acordes de No Twilight Within the Courts of the Sun dava uma prévia do que estava por vir.

Acompanhado de uma banda não menos que excepcional - Marco Minnemann (bateria, que tocou no KREATOR, foi um dos finalistas na disputa pelo posto de baterista do DREAM THEATER, e que ano passado tocou com JORDAN RUDESS), Nick Beggs (baixo, STEVE HACKETT, TINA TURNER), Theo Travis (flauta e sax, GONG, ROBERT FRIPP, DAVID SYLVIAN, THE TANGENT), Adam Holzman (teclado, que chegou a ser integrante e diretor musical da banda de MILES DAVIS) e Tsonev Niko (guitarra) -, Wilson adentrou no palco com o jogo ganho e o público nas mãos, inebriado pelo excelente jogo de imagens em conjunto com o som executado – bastante limpo e claro por toda a casa, vamos deixar bem claro. Isso ficou evidente com a euforia causada em "Index" e na bela "Deform to form a Star", que chegou a emocionar vários dos presentes. Quando o pano caiu, na metade da instrumental "Sectarian", pode-se ver o quanto STEVEN WILSON parecia animado. E ele deixou claro o quanto estava surpreso com a receptividade do público latino-americano.

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É difícil delimitar o tipo de som tocado por WILSON em sua carreira solo. Por mais que se fale em rock progressivo (é possível identificar referências a YES, PINK FLOYD e KING CRIMSON), as influencias de jazz, música experimental e heavy metal eram empregadas com precisão cirúrgica. Velocidade e peso não eram empregados de forma solta, tudo fazia parte de um contexto conduzido por Wilson com a precisão de um maestro.

Embora o set tenha abordado majoritariamente o último disco, faixas do debut "Insurgentes" também foram executadas, com destaque para a sensacional Harmony Korine, executada em conjunto com o assustador vídeo clipe de divulgação. Para a surpresa dos presentes, foi executada uma música chamada Luminol. Segundo Wilson, ela estará presente em seu próximo disco solo – que inclusive será gravado pela banda que acompanhou o músico nesta tour, uma vez que a integração foi considerada "perfeita" pelo líder do PORCUPINE TREE.

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Outra faixa que merece ser destacada é "Raider II", executada em seus mais de 23 minutos de climas, velocidade, peso e experimentação. Impossível não se deixar envolver e, mesmo sendo muito longa, ela não é maçante e sua execução se torna imperceptível. O setlist normal foi fechado com "Get All You Deserve" e os músicos utilizando diversas máscaras, gerando euforia e comoção entre os presentes.

Porém, isso não foi nada em relação ao que estava por vir. Como aconteceu nas outras apresentações, Wilson apareceu acompanhado de seu violão. Mas antes, perguntou o porque do show aqui ter tão pouca gente (sua apresentação no Chile contou com quase 4 mil pessoas) em relação aos shows do RUSH – capaz de encher um Maracanã, como podemos ver no DVD Rush in Rio, por exemplo.

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Entre os berros dos fãs que explicavam isso (diferença cultural, divulgação, entre outros motivos), o golpe final. Duas músicas do PORCUPINE TREE, Lazarus (do disco Deadwing, de 2005) e Trains (do disco In Absentia, de 2003), foram mais que suficientes para levar os fãs às lágrimas. Agora vamos esperar pela possibilidade de uma apresentação completa com o PORCUPINE TREE, uma vez que o show solo de STEVEN WILSON foi apenas um apetitoso aperitivo.

Setlist

01. No Twilight Within the Courts of the Sun
02. Index
03. Deform to Form a Star
04. Sectarian
05. Postcard
06. Remainder the Black Dog
07. Harmony Korine
08. Abandoner
09. Like Dust I Have Cleared From My Eye
10. Luminol
11. No Part of Me
12. Raider II
13. Get All You Deserve
14. Lazarus (PORCUPINE TREE
15. Trains (PORCUPINE TREE)

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