A característica do Heavy Metal que Humberto Gessinger acha "um saco"
Por Bruce William
Postado em 09 de janeiro de 2024
No final de 1991, o Engenheiros do Hawaii estava em um ponto alto de sua carreira, e já havia lançado os álbuns "Longe Demais das Capitais" (1986), "A Revolta dos Dândis" (1987), "Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém" (1988), "O Papa É Pop" (1990) e "Várias Variáveis" (1991), sendo na época o trio clássico formado por Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Augusto Lickz, com quem o produtor musical jornalista Carlos Eduardo Miranda bateu um longo papo - onde quem respondeu quase todas as perguntas foi Humberto - que virou matéria publicada na edição de dezembro daquele ano da Bizz.
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No meio da conversa, Miranda pergunta para a banda: "Por que, depois da guinada de 'O Papa é Pop', vocês retomaram o caminho dos primeiros discos?", e Humberto explica: "'O Papa é Pop' foi um disco de auto-defesa. Naquela época a gente estava tão cercado de cinismo que a nossa única defesa era devolver esse cinismo reprocessado. Por isso 'Era Um Garoto...', por isso a bateria eletrônica, o baixo e a guitarra limpinhos. Por isso 'O Papa é Pop'".
Outra pergunta feita por Miranda: "Outro dia o Humberto falou que acredita em predestinação. Vocês tinham ideia, lá no começo, do que viriam a se transformar?. "Não.", responde o vocalista. "Sempre fui muito tiete de uns caras e achava que aquele era um mundo com o qual eu não podia nem sonhar. Achava que era um mundo só para deuses. A sorte é que teve a onda punk, o 'faça você mesmo'. Se não fosse essa reviravolta, não teríamos espaço".
Lá pelas tantas, quase ao final da conversa, Miranda comenta: "E esse agito que o metal está dando no mundo do rock?". Humberto responde: "Eu gosto do código do metal. Só que precisa ser um pouco mais jovem de cabeça do que eu, para transar isso radicalmente. Tem que ter fé cega, e eu tenho sempre um olho de cara e outro sonhando. Uma faceta que acho um saco no metal é essa dos bons instrumentistas. Eu deixo a MTV ligada, em casa, sem som. Quando vejo um cara feio cantando, aumento o volume".
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