Alice In Chains: banda estava em grande forma no SWU
Resenha - Alice In Chains (SWU, Paulínia, 14/11/2011)
Por Pedro Sant'Anna
Postado em 03 de dezembro de 2011
Não nego a minha paixão pelo Alice In Chains. Mesmo tendo minhas principais influências musicais no thrash metal oitentista, a banda de Jerry Cantrell me encantou logo de cara, inclusive ajudando-me a abrir a mente para outros estilos do rock.
Quando conheci a banda ela já estava vivendo o imenso hiato pós-morte de Layne, o que, de certa maneira, me frustrava. O material lançado até o auto-intitulado álbum de 1995 me deixava com "sede de mais". Era como se todo aquele potencial pudesse ser convertido em milhares de novas músicas!
A volta do Alice (digo em termos de lançamentos de estúdio) trouxe, pelo menos para mim, um misto de esperança e receio, já que era difícil prever o resultado de uma reunião após 14 anos. Sim! Sei que o Jerry lançou ótimos discos em sua carreira solo, mas com o Alice a expectativa se fazia ainda maior.
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Pois bem... Após longa espera recebemos um presente de altíssima qualidade, com um novo integrante escolhido a dedo e, acima de tudo, disposto a não se ater a um cover do falecido Layne. "Black Gives Way to Blue" correspondeu em todos os sentidos, marcando uma bela estreia de Duvall em sua dupla vocal com Cantrell. Ótimo disco, confirmando uma vertente da banda voltada para o heavy metal. Um CD pesado e melódico, que não deixou de lado o lirismo depressivo característico do Alice.
Agora, analisemos a vinda dos caras para o Brasil, mais precisamente ao festival SWU. O evento em si não me chamou muita atenção, com exceção às apresentações de bandas como Down, Megadeth e o próprio Alice In Chains. Me preparei somente para vê-los. Fiquei até surpreso com a recepção do público com os times liderados por Anselmo e Mustaine. Não sabia se teríamos quórum voltado para Stone Temple Pilots e similares (com todo o respeito) ou para um som mais intenso e elaborado. A ansiedade se aproximou nos minutos que precederam a apresentação do Alice.
Quando a banda subiu ao palco, foi possível perceber a energia do show já na abertura: "Them Bones" e "Down That River" foram capazes de entusiasmar a todos. Com a recepção calorosa do público, que enfrentou o frio e a chuva, a banda retribuiu da melhor forma, com carisma e muito "feeling". E algo me chamou a atenção: Os fãs do Alice são, de fato, pessoas que carregam o som da banda como trilha sonora de suas próprias vidas. Muitos gritavam, pulavam e choravam durante a exibição de clássicos como "Got Me Wrong", "Nutshell" e "Downs In a Hole". Destaque para a aula de guitarra dada pelo Jerry Cantrell: Um primor nos solos cadenciados, mas muito bem executados. Duvall foi muito bem, surpreendendo até a mim.
Para fechar sem decepções, o show terminou com a esperada "Would?", antes passando por outros clássicos e excelentes músicas do "Black Gives Way To Blues". Foi muito bacana vê-los tocando "Last Of My Kind" e "Check My Brain", sons com peso e melodia na medida certa.
Enfim, espero revê-los em breve. Mas saio com a certeza que uma lacuna em minha vida foi preenchida numa noite inesquecível.
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