Legião Urbana x Catedral: polêmicas entre integrantes em 2002
Por Tiago Abreu
Fonte: Estadão
Postado em 01 de maio de 2015
As bandas de rock LEGIÃO URBANA e CATEDRAL, conhecidas pela semelhança vocal de seus intérpretes, Renato Russo e Kim, respectivamente, foram alvos de uma polêmica em 2002 divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O pivô da discussão era o tecladista e produtor musical Carlos Trilha, o qual trabalhou com o Legião durante a década de 90, e, que em 2002, foi o produtor do álbum "15º Andar", do CATEDRAL.
Nesta época, o CATEDRAL passava por várias polêmicas. No ano anterior, a banda, que decidiu não se limitar à música religiosa estava sofrendo retaliação do público devido a uma entrevista ao portal Usina do Som, publicada pelo jornalista Ricardo Alexandre (também conhecido por um texto polêmico sobre o Cidade Negra). Na entrevista, o jornalista destacou, sem contexto, a suposta frase "A igreja é uma merda!" e citou frases que, na versão do vocalista Kim, eram mentiras. Em 2013, Ricardo publicaria um texto em seu blog sobre música (principalmente rock), dissertando acerca do incidente. A semelhança, cada vez mais evidente da música do grupo com o Legião era alvo de matérias da imprensa, que indiretamente afirmavam que a Warner trouxe o CATEDRAL para a gravadora para substituir a lacuna que a LEGIÃO URBANA tinha deixado após a morte de Russo. A maior beneficiada disso foi a gravadora MK Music, que recebeu um alto valor através de um acordo com a WEA, que fazia a transferência da banda para a multinacional.
Com todas as comparações, ainda em 2001, Dado Villa-Lobos afirmaria, em uma entrevista que "Catedral é uma banda Denorex: parece, mas não é". Denorex era referência à um shampoo anticaspa, o qual, em comercial, diziam que parecia remédio.
O estopim ocorreu em meados de 2002, quando Marcelo Bonfá gravava um disco solo, sob a produção musical de Carlos Trilha. Na mesma época, a Warner Music Brasil indicou Trilha para produzir o terceiro álbum do CATEDRAL pela gravadora, "15º Andar", já que nenhum outro produtor se arriscava a trabalhar com a banda, principalmente devido a sua origem no mercado religioso. Quando Bonfá soube, não quis mais trabalhar com Carlos". Em contrapartida, Trilha achava absurdo e considerava que Marcelo e Dado estavam tendo uma atitude completamente absurda. Kim, conhecido por sua personalidade polêmica, trocaria ofensas públicas com Marcelo.
"Não queria trabalhar com ele de manhã sabendo que, de tarde, ele estaria produzindo o Catedral. Não conheço muitas músicas dessa banda mas o que ouvi achei pobre, cópia paraguaia mal feita. Não conheço os caras, não posso falar nada da pessoa deles. Mas, como música, só sei que o que fazem é uma porcaria", diria Marcelo Bonfá ao Estadão em 2002.
Em resposta, Kim disse: "Quem é Marcelo Bonfá? Pra mim não é nada. Eu respeitava o Renato Russo, mas para o Bonfá não dou a mínima. Só faço uma pergunta: se eles falam tanto de Legião Urbana, por que não continuaram com o grupo depois da morte do Renato Russo? O Catedral está vivo, o Legião acabou".
Por fim, Carlos Trilha comentaria o fato: "A galera do Legião não gostou nada quando ficou sabendo que eu iria produzir o Catedral. Achei um absurdo, parecia que queriam proteger não sei o quê, que o Catedral iria roubar alguma coisa deles. Esta postura é uma bobagem, uma grande besteira".
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