Resenha - Pearl Jam (Estádio Passo da Areia, Porto Alegre, 11/11/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Cerca de seis anos após a sua primeira passagem por nosso país, os norte-americanos do PEARL JAM confirmaram um novo e aguardado ciclo de shows pelo território brasileiro em 2011. As datas da nova turnê – comemorativa aos vinte anos de carreira da banda – contemplaram novamente a capital gaúcha. Com as vendas iniciadas ainda em agosto e com dois setores esgotados rapidamente, o espetáculo levou cerca de vinte mil pessoas ao Estádio Passo da Areia para quase 3h de rock n’ roll verdadeiro. O show tem tudo para ser apontado como evento do ano em Porto Alegre.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

A expectativa para o show do maior expoente do grunge de Seattle (EUA) era imensa. Na manhã de sexta-feira, uma fila com cerca de cem pessoas já era perceptível na entrada do estádio. Os fãs da banda foram chegando aos poucos durante a tarde até formar uma imensa massa de pessoas que lotou as arquibancadas e as cadeiras do local. Os últimos ingressos de pista nas mãos de atravessadores eram vendidos por R$ 290 – contra os R$ 180 que cobravam as bilheterias oficiais até um dia antes. No entanto, os abusos cometidos do lado de fora (como cobrar R$ 60 para estacionar o carro na rua) não foram capazes de prejudicar o perfeito clima criado do lado de dentro do estádio. O cronograma foi seguido à risca e a banda gaúcha WANNABE JALVA foi a primeira a tocar – infelizmente para um público ainda pequeno – às 19h.

Por volta de 19h45 a banda de punk rock norte-americana X subiu ao imenso palco montado dentro do Estádio Passo da Areia para dar continuidade aos trabalhos iniciados pela promissora WANNABE JALVA. A agressiva banda formada por Exene Cervenka (vocal), Billy Zoom (guitarra), John Doe (baixo) e D.J. Bonebrake (bateria) surpreendeu boa parte da plateia que desconhecia o trabalho de mais de vinte anos do quarteto. O show surpreendente raivoso abriu em grande estilo com “Your Phone’s Off the Hook, But You’re Not” e conquistou até mesmo os mais exigentes com o cover de “Soul Kitchen” (THE DOORS). O repertório ainda contou com “Breathless” (JERRY LEE LEWIS) antes de encerrar com a clássica “Devil Doll”. Em quarenta minutos de punk rock old school, o destaque absoluto ficou por conta da veterana Exaene Cervenka – a responsável por todo o som vibrante da X.

Os quarenta e cinco minutos que separaram o show da X e o início do espetáculo do PEARL JAM pareceram ainda maiores para toda a massa que já ocupava boa parte do gramado e ainda aumentava em número. Como a banda costuma reservar pequenas surpresas para cada um dos seus shows (nenhum é exatamente idêntico ao anterior), a ansiedade dos fãs permaneceu redobrada até o momento em que Eddie Vedder (vocal), Stone Gossard e Mike McCready (guitarras), Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria) – mais o convidado Boom Gaspar (teclado) – subiram ao palco, decorado com bandeira brasileira em frente ao piano. Embora o som não estivesse perfeito na primeira parte do espetáculo, a banda contagiou os vinte mil presentes com uma performance raivosa de “Why Go”, do álbum de estreia “Ten” (1991), logo na abertura. No entanto, o hit “Do the Evolution” veio na sequência e animou ainda mais a plateia.

O show proporcionado pelo PEARL JAM era excelente desde o primeiro momento. Não é por acaso que a banda conquistou tudo o que conquistou em vinte anos de uma trajetória repleta de sucessos e discos indiscutíveis para a história do rock e do grunge norte-americano. O som que vinha do palco não era perfeito, mas a banda contornou esse contratempo com muita vontade e com uma performance endiabrada. Na sequência, o grupo foi muito aplaudido após “Severed Hand” e contou com as vozes do público como apoio em boa parte de “Corduroy”, retirada do clássico “Vitalogy” (1994). Não havia ninguém que não estivesse envolvido com a banda.

Com um repertório amplo e que abrangeu todos os discos da banda, o PEARL JAM executou faixas mais recentes, como “Got Some”, e mais antigas, como “Eldery Woman Behind the Counter in a Small Town”, na mesma proporção que sucessos como a balada “Low Light” e a obrigatória “Given to Fly” apareceram no set-list. Não é de se surpreender como o público se comportou durante as faixas mais conhecidas dos norte-americanos. Com um som mais redondinho, “Given to Fly” levou um grupo de admiradores ao delírio, sobretudo após Eddie Vedder arriscar um cumprimento (lido) em português. Não há dúvidas de que esse foi o primeiro ápice da noite que ainda reservava muitas surpresas.

A sequência matadora iniciada com “Given to Fly” e “Eldery Woman Behind the Counter in a Small Town” contou ainda com a arrebatadora “Even Flow”. Com o público na mão, Eddie Vedder & Cia. colocaram a plateia para pular e cantar com muita intensidade durante uma das faixas mais expressivas de “Ten” (1991). Em seguida, “Unthought Known” e a inesperada (e ótima) “Present Tense” rechearam ainda mais o espetáculo que ganhava contornos de épico música após música. Com um fôlego ainda de iniciante, os veteranos do PEARL JAM evidenciaram ao vivo um misto de carisma e competência. O grupo reafirmou com o seu envolvimento toda a importância dessa proximidade com os fãs – mesmo após de vinte anos de insistentes e longas turnês.

Embora não seja figurinha carimbada de todos os shows do grupo, a querida (pela maioria dos fãs) “Daughter” foi executada na sequência, para o delírio dos mais saudosistas. Em seguida, músicas como “1/2 Full” e “Wishlist” não conseguiram manter o mesmo pique das anteriores, o que seria uma tarefa impossível após tantos clássicos tocados praticamente um depois do outro. Porém, o PEARL JAM ainda reservava ótimos momentos, até mesmo para quem conhecia – e estava lá para ver – somente os hits do conjunto. Depois de “Rats”, as faixas “State of Love and Trust” e sobretudo “Black” foram cantadas exaustivamente pelos gaúchos. O show agressivo da banda ganhou também contornos emotivos antes da sua primeira pausa.

No primeiro retorno da banda, um outro momento ímpar. O cantor norte-americano pediu que a plateia cantasse parabéns para a sua esposa, Jil, que estava de aniversário. A plateia correspondeu e viu Eddie Veder executar só com violão a bonita “Just Breathe”. Entretanto, mais surpresas estavam programadas. Com a banda toda em cena, o PEARL JAM foi ovacionado ao executar, pela primeira vez em sua turnê sul-americana, a faixa “Oceans”, retirada do debut “Ten” (1991). Não há uma pessoa que não tenha se envolvido com esse momento único do show. Em seguida, “Comatose” antecedeu uma homenagem dupla que Vedder fez aos RAMONES: primeiro com “Light Years” (dedicada a Joey Ramone) e depois com o cover “I Believe in Miracles” – que animou a plateia de um modo verdadeiramente intenso. O show prosseguiu com “The Fixer” e com a (bem) correspondida “Rearviewmirror” antes de uma nova pausa.

Com mais de 2h de espetáculo, a performance do sexteto norte-americano se encaminhava para o final. O público, porém, não imaginava que o PEARL JAM ainda programava uma longa sequência de músicas (e alguma outras novidades) para o encerramento da turnê brasileira, que já havia passado por São Paulo (duas vezes), Rio de Janeiro e Curitiba. O sucesso radiofônico “Last Kiss”, originalmente gravado por WAYNE COCHRAN, empolgou cada um dos vinte mil fãs presentes no Estádio Passo da Areia. O grupo, que prometeu voltar mais vez ao nosso país, emendou “Better Man” – que chegou a ser cantada em uníssono pela plateia – e “Crazy Mary” logo depois. O cover de VICTORIA WILLIAMS foi a principal novidade do set-list se comparado com o dos outros shows realizados no Brasil. Os presentes gostaram do presente e aplaudiram muito.

Em seguida, o espetáculo dava indícios que iria finalmente acabar. A dobradinha “Jeremy” e “Alive”, ambas retiradas do clássico “Ten” (1991), possuem uma áurea magnífica e não por acaso costumam ser mencionadas como os dois principais hits escritos por Eddie Vedder & Cia. A resposta dos gaúchos comprovou essa teoria e, após o enérgico retorno obtido em “Alive”, todos já iriam embora para as suas casas contentes. Entretanto, o PEARL JAM não estava assim tão satisfeito. A banda tirou da manga outra memorável versão (como sempre o grupo executa) para “Rockin’ in the Free World” (NEIL YOUNG). Era aqui o fim do show? Ainda não. Com as luzes do estádio já acesas – indicando o improviso do momento – o sexteto norte-americano recuperou “Indifference” e o lado-B “Yellow Ledbetter”. O repertório de exatas 2h45 foi assim finalizado de maneira definitivamente perfeita.

Set-list:

01. Why Go
02. Do the Evolution
03. Severed Hand
04. Corduroy
05. Got Some
06. Low Light
07. Given to Fly
08. Eldery Woman Behind the Counter in a Small Town
09. Even Flow
10. Unthought Known
11. Present Tense
12. Daughter
13. 1/2 Full
14. Wishlist
15. Rats
16. State of Love and Trust
17. Black
18. Just Breathe
19. Oceans
20. Comatose
21. Light Years
22. I Believe in Miracles (Ramones)
23. The Fixer
24. Rearviewmirror
25. Last Kiss
26. Better Man
27. Crazy Mary
28. Jeremy
29. Alive
30. Rockin’ in the Free World (Neil Young)
31. Indifference
32. Yellow Ledbetter

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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