Resenha - Ringo Starr (Gigantinho, Porto Alegre, 10/11/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Para muitos beatlemaníacos, a oportunidade de conferir PAUL MCCARTNEY ao vivo – um sonho que foi realizado pelos gaúchos em novembro de 2010 – parecia mais do que suficiente. No entanto, um ano após o show espetacular proporcionado pelo vocalista/baixista mais famoso do rock n’ roll em todos os tempos, um despretensioso boato se tornou uma ótima notícia para os fãs da banda. Pela primeira vez no país, o baterista RINGO STARR passaria também pela capital gaúcha. O show marcado para o Gigantinho atraiu cerca de oito mil pessoas e evidenciou para todos o carisma do outro ex-BEATLES que ainda resta vivo.

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Fotos: Estúdio By Paz

Como não poderia de ser diferente, o público dava imensas voltas pelo pátio do Complexo Beira-Rio por volta das 19h, horário em que os portões da casa foram oficialmente abertos. A abertura da noite, proporcionada pela banda DINGO BELLS, não chegou a empolgar a plateia como deveria, mesmo que tenha mostrado um indie rock muito potente. Com cerca de trinta de minutos de espetáculo, o grupo formado por Rodrigo Fischmann (vocal), Diogo Brochmann (vocal/guitarra) e Felipe Katz (baixo) concentrou em seu show as músicas do primeiro álbum da banda, intitulado “Dingo Bells” (2010). No entanto, os problemas técnicos – o trio subiu ao palco sem a bateria de Rodrigo Fischmann – foi o que nitidamente prejudicou o resultado do show. As músicas “Os Jornais” e a nova “Lobo do Mar” evidenciaram que o trabalho do grupo tem futuro. Não por acaso que eles deixaram o palco do Gigantinho aplaudidos por volta das 20h30.

Com o palco armado de um modo muito simples para o show principal da noite, por volta das 21h a nova All Star Band – que acompanha RINGO STARR desde 2010 – entrou em cena sem nenhum tipo de cerimônia. A banda formada por veteranos e excelentes músicos conta atualmente com Wally Palmer e Rick Derringer (guitarras), Richard Page (baixo), Edgar Winter e Gary Wright (teclados), Mark Rivera (saxofone) e Gregg Bissonette (bateria). A estrela da noite – o famoso baterista de setenta e um anos que por uma década tocou com os BEATLES – subiu ao palco em meio as primeiros acordes de “It Don’t Come Easy”, música em que RINGO STARR atuou apenas como cantor. O público foi ao delírio com um dos primeiros sucessos da carreira solo do baterista inglês.

A preferência por músicas animadas se mostrou uma das principais virtudes do set-list montado por RINGO STARR para a sua primeira turnê brasileira. Com um carisma acima da média, o músico inglês assumiu a bateria e manteve o microfone durante “Honey Don’t”, música escrita originalmente por CARL PERKINS. O pique excelente do show foi mantido com “Choose Love”, faixa que infelizmente evidenciou a pouca destreza do ex-BEATLES como cantor. Porém, a plateia gaúcha pouco parecia se importar com essa pequena falha e se mostrou extremamente envolvida com o espetáculo como um todo, que evidenciava desde o seu início uma qualidade sonora surpreendente, sobretudo para a acústica pouco favorável do Gigantinho. A vontade e a alegria de RINGO STARR em estar pela primeira vez em território brasileiro era de se encher os olhos.

Para quem esperava um show comandado unicamente por RINGO STARR, a sequência do espetáculo surpreendeu os mais desavisados. Em “Hang On Sloopy”, quem assumiu o posto de frontman foi Rick Derringer, o guitarrista que por anos comandou o THE MCCOYS. A música da sua ex-banda agradou os gaúchos que ovacionaram o clássico sessentista ao seu fim. Em seguida, foi a vez do pianista Edgar Winter adotar o microfone durante “Free Ride” – outra faixa em que o ex-BEATLES atuou apenas como coadjuvante. Com um quê bem rock n’ roll e algumas influências do blues, a música capitaneada pelo tecladista de cabelos broncos evidenciou toda a qualidade da sua voz. Impossível não se envolver com os desdobramentos do espetáculo assinado pela All Starr Band.

Entretanto, “Talking in Your Sleep” música escrita e executada pelo guitarrista Wally Palmer (ex-THE ROMANTICS) infelizmente não atingiu o mesmo resultado do que as anteriores. Embora com um andamento bem animado, a faixa não conquistou a plateia de imediato, que apenas contemplou a performance da banda veterana. Para quebrar o clima aparentemente pouco favorável, RINGO STARR reassumiu o microfone em “I Wanna Be Your Man”, música do THE BEATLES que deixou claro quais que seriam os momentos mais bem recepcionados pelo público. Com Wright de vocalista, a All Starr Band executou a primeira balada do repertório, “Dream Weaver”. Com um português bem articulado, o tecladista animou muito os presentes, mesmo que a faixa não seja um destaque absoluto no repertório escolhido por RINGO STARR.

O revezamento no palco do Gigantinho continuou e Richard Page assumiu a linha de frente durante outra balada: “Kyrie”. A música – uma das melhores do repertório – precedeu o retorno de RINGO STARR ao posto de cantor da All Starr Band. No entanto, “The Otherside of Liverpool” não foi capaz de animar a plateia como muitos imaginaram que seria. Em certo modo, muito porque o baterista possui a voz mais limitada entre todos os membros do seu grupo. De qualquer forma, a banda permaneceu armada dessa forma durante o primeiro ápice da noite. A faixa “Yellow Submarine” – um dos hits principais dos BEATLES – colocou todo mundo para cantar junto com RINGO STARR. No meio da plateia surgiram balões amarelos que proporcionaram um clima único durante a sua performance. Não há dúvidas de que esse foi o momento mais aguardado por uma significativa parcela do público.

Na sequência do espetáculo, RINGO STARR deixou o palco do Gigantinho para que a All Star Band executasse uma música instrumental sozinha. Com o comando novamente do tecladista Edgar Winter – provavelmente o principal nome do show – a progressiva “Frankenstein” impressionou muita gente pela complexidade dos seus arranjos. Com o baterista inglês de volta, o hit “Back Off Boogaloo” manteve o pique da performance inesperadamente rock n’ roll ao extremo. No entanto, com Wally Palmar e Rick Derringer respectivamente, o espetáculo ficou um pouco em cima do muro durante “What I Like About You” e “Rock and Roll, Hoochie Koo”. Por mais que o público tenha cantando muito na primeira e Derringer tenha executado um ótimo solo na segunda, as duas faixas certamente não estão entre os melhores momentos da noite.

Em “Boys” – outra música dos THE BEATLES – a plateia mostrou novamente tudo o que esperava de RINGO STARR: faixas da sua ex-banda. Por mais que o baterista tenha montado um set-list coeso para a sua turnê brasileira, as diferentes músicas e influências distintas criam um repertório pouco homogêneo e repleto de altos e baixos – mesmo que os baixos não sejam tão baixos assim. As faixas “Love is Alive”, outra faixa assinada pelo tecladista Gary Wright, e “Broken Wings”, novamente com Richard Page como vocalista, provaram que o público aguardava mesmo os maiores hits de RINGO STARR e da sua ex-banda, que poderiam ser mais explorados em turnês inéditas – como essa brasileira.

Na reta final do espetáculo, RINGO STARR atraiu para si os holofotes e emendou músicas aparentemente aguardadas – como “Act Naturally” e “Photograph” – essa última um dos seus primeiros sucessos em carreira solo nos anos setenta. Entretanto, o melhor realmente ficou para o final. O Gigantinho praticamente veio abaixo com a obrigatória “With a Little Help from My Friends” e com um trecho de “Give Peace a Chance” (JOHN LENNON). Em duas horas de show, RINGO STARR mostrou que os seus mais de setenta anos pouco importaram para que o baterista proporcionasse uma noite mágica – e estrelada – para todos os gaúchos que podem dizer agora que viram os BEATLES ao vivo.

Site: Dingo Bells – www.dingobells.com.br

Set-list:

01. It Don’t Come Easy
02. Honey Don’t
03. Choose Love
04. Hang On Sloopy
05. Free Ride
06. Talking in Your Sleep
07. I Wanna Be Your Man (The Beatles)
08. Dream Weaver
09. Kyrie
10. The Otherside of Liverpool
11. Yellow Submarine (The Beatles)
12. Frankenstein
13. Back Off Boogaloo
14. What I Like About You
15. Rock and Roll, Hoochie Koo
16. Boys (The Beatles)
17. Love is Alive
18. Broken Wings
19. Photograph
20. Act Naturally
21. With a Little Help from My Friends (The Beatles)
22. Give Peace a Chance (John Lennon)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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