Satyricon: o impossível aconteceu em São Paulo

Resenha - Satyricon (Hangar 110, São Paulo, 06/11/2011)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O que parecia impossível aconteceu: a lenda Satyricon, da primeira safra do black metal norueguês, resolveu sair em turnê pela América Latina após 21 anos de estrada. Como não se tratava exatamente da divulgação de um álbum em específico, haja vista o lançamento do último de estúdio, The Age of Nero, ter sido em 2008, o set-list foi um apanhado de todos os registros da banda até hoje, o que inclui, dentre outros formatos, duas demos-tape, sete álbuns, dois EPs e seis splits. O Whiplash! esteve no Hangar 110 neste que foi, ao lado do show do Immortal no último dia 18 de outubro, o show de black metal mais aguardado em anos.

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Texto por Durr Campos/ Fotos por Pierre Cortes

Inicialmente previsto para começar às 20h, a apresentação só teve início duas horas após, o que gerou bastante descontentamento e apreensão por parte do público, especialmente devido aos rumores na porta da casa sobre a possibilidade de cancelamento por problemas técnicos no som. Felizmente o que seria um desastre ficou apenas no boato e, pouco após às 22h, Satyr (vocal) e Frost (bateria) entraram no palco acompanhados de mais quatro músicos, dentre eles os guitarristas Steinar Gundersen “Azarak” e Gildas Le Pape, os quais emprestam seus talentos à dupla fundadora desde 1999 e 2008, respectivamente.

O repertório foi exatamente o mesmo para as oito datas desta perna da tour. Sendo assim, coube a “Repined Bastard Nation”, do Volcano (2002) fazer as honras, seguida de “The Wolfpack”, do supracitado The Age of Nero (2008), uma das que mais se assemelha ao material antigo. Não sei como foi em Buenos Aires um dia antes, mas em São Paulo a receptividade dos fãs foi a melhor possível. Prova disso aconteceu na canção seguinte, “Now, Diabolical”, do disco homônimo, uma das mais cantadas. Ali percebi que estávamos diante de um cara nascido para o que faz. Falo do Satyr, que impressionou por seu carisma e traquejo em cena.

“Black Crow on a Tombstone”, outra das mais recentes, foi intercalada por dois hinos definitivos, ambos responsáveis por definir um estilo que outrora habitava os ouvidos de pouquíssimos headbangers pelo mundo: “Forhekset” e “Walk the Path of Sorrow”, dos ultra essenciais Nemesis Divina (1996) e Dark Medieval Times (1993), nesta ordem de execução. O polêmico Rebel Extravaganza (1999) fez-se presente com a ótima “Filthgrinder”, colando com mais uma do The Age of Nero, a interessante “Commando”, bastante festejada pelas garotas. Aproveito o ensejo para registrar algo curioso sobre o Satyricon. A banda possui duas classes de admiradores/seguidores: os que enlouquecem apenas com os trabalhos realizados no período de 1992 a 1996; e aqueles adeptos das mudanças adotadas a partir de 1999, com o lançamento de Rebel Extravaganza, já mencionado logo acima. O mais bacana nisso tudo, no entanto, foi o respeito com que ambas as “facções” se trataram. Presenciei, inclusive, amigos pulando abraçados em partes repletas de blast beats (as famosas “metrancas” na bateria), gerando um clima único ao concerto.

A parte final do set regular seguiu tranqüilo com as modernas “The Pentagram Burns” e “Possessed”, bem como as ótimas “Du Some Hater Gud”, “To the Mountain” e o hino “Hvite Krists Død”, pérola majestosa do segundo álbum The Shadowthrone (1994), meu favorito, se me permitem dizer. Satyr e Frost, assim como os demais membros, vieram mais a frente do palco, aplaudiram seu público e saíram. De volta, Satyr pediu atenção e disse: “Eu ainda não falo português, apenas norueguês e inglês, então vou falar nesta última, pois penso que a maioria de vocês não fala a minha língua-natal. Acreditem em mim, olhando no rosto de cada um aqui presente temos a certeza de que tocaremos para sempre!” Pouco depois já estavam tocando um de seus grandes hits(!): K.I.N.G. A despeito das críticas negativas, gosto desta música. Confesso que à época do seu lançamento, em 2006, com o split que leva seu nome, torci o nariz, mas hoje percebo que trata-se daquelas ousadias artísticas que acabam vencendo a prova do tempo. “Fuel for Hatred”, boa escolha no track-listing do Volcano, encerrou o primeiro encore.

Sentiram a falta de alguma? Pois é, a banda fez charme no palco, fingiu que estavam tentando entender os gritos do povo e resolveram tocar mais uma. “Are you ready for this?” foi a deixa do Satyr para então encerrarem o show com a obrigatória “Mother North”, favorita de 11 entre 10 fãs da banda, independente de da era preferencial. Estou exagerando? Quem souber que conte outra. Memorável, histórico e tudo isso ao mesmo tempo.

Set-list Satyricon:

1. Repined Bastard Nation
2. The Wolfpack
3. Now, Diabolical
4. Forhekset
5. Black Crow on a Tombstone
6. Walk the Path of Sorrow
7. Filthgrinder
8. Commando
9. The Pentagram Burns
10. Possessed
11. To the Mountains
12. Hvite Krists Død
Encore:
13. K.I.N.G.
14. Fuel for Hatred
Encore 2:
15. Mother North

Links relacionados:
http://www.satyricon.no
http://www.myspace.com/satyricon

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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