Rock de Galpão: Misturando rock e tradicionalismo gaúcho

Resenha - Rock de Galpão (Teatro do Bourbon Country, POA, 21/07/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Por mais inusitado que possa parecer, o ROCK DE GALPÃO – capitaneado por NETO FAGUNDES e que mistura o rock ao tradicionalismo gaúcho – se tornou um dos eventos mais frequentes e prestigiados em Porto Alegre nos últimos anos. O projeto, que foi indicado ao Prêmio Açorianos 2010 nas categorias DVD do ano e melhor arranjador, retornou ao Teatro do Bourbon Country para apresentar, mais uma vez, o seu repertório eclético que combina canções conhecidas de LUPICÍNIO RODRIGUES e JAYME CAETANO BRAUN aos arranjos elétricos da banda ESTADO DAS COISAS.

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Fotos: Leonardo Manara

O espetáculo – que trouxe novamente um bonito cenário como pano de fundo para os vários músicos que subiram ao palco do Teatro do Bourbon Country – iniciou precisamente às 21h10 com NETO FANGUNDES em cena juntamente com os conhecidos (e convidados da noite) HIQUE GOMEZ e BAGRE FAGUNDES – além da banda que acompanha o projeto desde o seu primeiro show. Embora reproduzisse boa parte do set de outrora, o novo repertório do ROCK DE GALPÃO evidenciou pequenas novidades, como a faixa escolhida para a abertura da noite. A música "Semeadura", escrita por VITOR RAMIL e JOSÉ FOGAÇA deu o primeiro pontapé para o que viria na sequência.

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O público, que ocupava cerca de 85% do espaço disponível na plateia baixa e nos setores acima da pista, ainda pode conferir uma versão para "Haragana" antes de NETO FAGUNDES recitar os versos de "Cevando o Amargo", de LUPICÍNIO RODRIGUES, na sequência do espetáculo. No entanto, o clima da casa mudou – para melhor – quando a banda ESTADO DAS COISAS executou os primeiros acordes de "Castelhana", música tipicamente gaudéria e uma das mais conhecidas de RUI BIRIVA e ELTON SALDANHA. A plateia participou intensamente, cantando em uníssono e acompanhando com palmas cada verso da faixa. De certo modo, esse foi o primeiro grande – e absoluto – destaque do show no quesito resposta de público.

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Na sequência, "Entardecer" comprovou de vez que a plateia gaúcha estava na mão de NETO FAGUNDES e da banda ESTADO DAS COISAS, formada por Tiago Ferraz (vocal e guitarra), Rafael Schuler (guitarra), David Fontoura (baixo), Mestre Kó (teclado) e Guilherme Gul (bateria). Com o HIQUE GOMEZ no palco – um dos músicos por trás do espetáculo teatral/musical conhecido e reconhecido nacionalmente Tangos e Tragédias – os caras executaram "Merceditas", cantada em espanhol e que mostrou o bom humor entre convidado da noite e o anfitrião NETO FAGUNDES. Em seguida, "Manhãs do Sul", escrita por DANIEL LUCENA movimentou mais um pouco o público que estava nas poltronas da plateia baixa.

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Com a chegada do guitarrista Rodrigo Tavares, ex-integrante da banda ESTADO DAS COISAS, NETO FAGUNDES apresentou provavelmente uma das músicas mais aguardadas da noite. A faixa "Vento Negro", escrita pelo ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, é um dos hinos do povo gaúcho e ganhou uma ótima releitura com guitarras elétricas e um (novo) clima verdadeiramente rock n’ roll. Na sequência, Tiago Ferraz surpreendeu boa parte da plateia ao recitar – sem nenhuma falha, diga-se de passagem – a extensa letra de "Bochincho", do tradicionalista JAYME CAETANO BRAUN. No entanto, depois de "Guri", comandada por NETO FAGUNDES, o Teatro do Bourbon Country praticamente veio abaixo com "Eu Sou do Sul", música de ELTON SALDANHA cantada em uníssono pelas pessoas que ocupavam cada um dos distintos setores da casa.

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O clima gaudério do ROCK DE GALPÃO encontrou outro ápice durante "Origens", música escrita pelo grupo OS FAGUNDES e que contou com um show de boleadeira comandado El Diablo Jr., que serviu como uma espécie de acompanhamento de percussão para os integrantes da banda ESTADO DAS COISAS. Com a plateia definitivamente na mão depois do espetáculo com o artefato campeiro, NETO FAGUNDES foi o frontman durante uma versão bem hard rock para "Canto Alegretense", uma das faixas mais clássicas da cultura sulista. O cantor, que interpretava com muito bom humor o personagem Nego Véio – do programa de rádio Pretinho Básico –, chamou BAGRE FAGUNDES (o seu pai) para o palco. Os dois não só assumiram as vozes da versão original da composição como ainda fizeram uma espécie de duelo entre os dois gêneros – rock e gauchesco – que contornaram o espetáculo do início ao seu fim.

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Em seguida, provavelmente o momento mais inesperado – e por isso o mais surpreendente do show. O pedido que veio do público, o famigerado "toca Raul!", foi atendido prontamente pelo carismático BAGRE FAGUNDES, que cantou "Medo da Chuva", faixa escrita pelo astro do rock n’ roll psicodélico nacional em parceria com o romancista Paulo Coelho. De pé, a plateia aplaudiu o que foi considerado por muitos o momento ímpar do espetáculo.

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Porém, o show do ROCK GALPÃO reservava para o seu fim um dos maiores clássicos do tradicionalismo gaúcho. A música "Querência Amada", do gaudério TEIXEIRINHA, contou com a participação intensa da plateia, que estendeu as mãos para cima e acompanhou o refrão de impacto cantado por NETO FAGUNDES. A derradeira despedida (e anunciada pelo anfitrião) foi com o hino rio-grandense. De volta para um bis imprevisto – provavelmente para saciar os pedidos que vinham da plateia durante a desmontagem do equipamento de palco – os músicos cantaram novamente "Merceditas".

Set-list:
01. Semeadura
02. Haragana
03. Cevando o Amargo
04. Castelhana
05. Entardecer
06. Merceditas
07. Manhãs do Sul
08. Vento Negro
09. Bochincho
10. Guri
11. Eu Sou do Sul
12. Origens
13. Canto Alegretense
14. Medo da Chuva
15. Querência Amada
16. Hino do Rio Grande do Sul
17. Merceditas

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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