Accept: amor e dedicação para com a sua arte e seus fãs

Resenha - Accept (Carioca Club, São Paulo, 15/05/2011)

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Por Felipe Cipriani Ávila
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Desde que retornou às atividades, sem o grande vocalista Udo Dirkschneider, a banda alemã Accept, vem surpreendendo a todos. Inicialmente, grande parcela dos fãs ou, pelo menos uma parcela razoável deles, se portou de maneira descrente em relação ao futuro da banda sem a grande voz de Udo. Porém essa descrença foi anulada com o lançamento, em 2010, do excepcional “Blood Of The Nations”, um álbum repleto de grandes músicas e com o novo vocalista, Mark Tornillo, mostrando possuir uma grande e diversificada voz, provando merecer a posição que está ocupando.

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Agora faltava ver todo esse poderio sonoro ao vivo, pela primeira vez no Brasil, em um show único, em São Paulo, no Carioca Club. A banda se apresentaria, infelizmente, sem o guitarrista Herman Frank, já que em um show em Houston, Texas, ele quebrou quatro costelas e teve um pulmão perfurado, em um acidente no palco. E não haveria substituto para ele, então Wolf Hoffmann seria o único guitarrista. Mas, como diria Mark Tornillo, em certa parte do espetáculo, quando narrou o que acontecera com o guitarrista, “The Show Must Go On!”.

O público compareceu em peso ao Carioca Club, esgotando os ingressos, e todos estavam visivelmente muito ansiosos para a entrada da banda, que se atrasou mais de trinta minutos, dentro do horário que era previsto para o evento, às oito horas da noite. Porém, quando eles entraram no palco, arrebentando com “Teutonic Terror”, música do álbum mais recente da banda, deixando a todos extasiados e empolgados, esse atraso foi esquecido e ficou óbvio que se veria um grande espetáculo desses músicos alemães. Em seguida, mais uma música do último e aclamado álbum, “Bucket Full Of Hate”, provou que realmente as novas músicas são muito vigorosas e que a banda reproduz a sua música ao vivo com muita garra e energia.

Em relação ao desempenho dos músicos não há o que se falar de negativo, apesar de apenas Wolf Hoffmann estar tocando a guitarra nesse show, ele o fez com maestria, como já era, de fato, esperado e, além de tudo, provou ter uma ótima presença de palco, sorrindo em vários momentos e vibrando junto com o público. Mark Tornillo se mostrou um grande e poderoso vocalista ao vivo, bem confortável em uma posição bem difícil de se ocupar, cantando muito bem, inclusive, as canções mais clássicas. O restante da banda, o baterista Stefan Schwarzmann e o baixista Peter Baltes, tiveram um grande desempenho também. Inclusive houve um ótimo e divertido “duelo” de baixoXguitarra na música "Bulletproof”, do álbum “Objection Overruled”, no qual os dois músicos não só mostraram a técnica que possuem nos seus respectivos instrumentos, mas também a felicidade que estavam em tocar pela primeira vez para o empolgado e famoso público brasileiro.

O que se viu em cima daquele palco, desde o início até o final, foi um show de peso, energia e garra, uma verdadeira aula de Heavy Metal, sem dúvida nenhuma. A importância do Accept para o Heavy Metal não é contestada por ninguém que conheça pelo menos um pouco o gênero, mesmo assim, vê-los ao vivo apenas reforça isso.

O set-list foi muito bem escolhido, contando com grandes clássicos intercalados com as novas músicas, que em momento algum ficaram ofuscadas em relação às mais antigas. Clássicos como “Starlight”, “Breaker”, “Restless And Wild”, “Metal Heart”, “Princess Of The Dawn” e “Neon Nights”, apenas para citar alguns, casaram muito bem com as novas músicas, como as já citadas, “Teutonic Terror” e “Bucket Full Of Hate”, assim como “New World Comin’”, “No Shelter” e “Pandemic”. O público agitou a todo o momento e até no encore, com a clássica “Fast As A Shark”, a nova “Pandemic” e a clássica extrema “Balls To The Wall”, não se via nada além dessa agitação toda, ainda mais intensa e forte. Não houve, pelo menos na opinião deste que vos escreve, um momento “morno” no show, já que o desempenho da banda não deixou isso acontecer. É claro que, por melhor que o set-list tenha sido, sempre, para quase todos os fãs, falta uma música ou outra. Mas isso faz parte de qualquer show, ainda mais de uma banda com uma discografia tão vasta como o Accept, repleto de belas e clássicas músicas.

A sensação que pôde ser vista no final do show, tanto por parte do público, como pela própria banda, foi a de satisfação total. A banda, certamente, ficou impressionada com a animação e empolgação do público, que manteve a animação no show todo. E o público pareceu sair do Carioca Club muito orgulhoso do desempenho, da garra, da empolgação e do amor que a banda mostrou em cima do palco. Penso que em relação a isso não há dúvidas. Para uns o show pode ter sido perfeito, para outros perto disso ou nem tanto, mas, nesse aspecto, penso que todos concordarão que o que não faltou para o Accept, em cima daquele palco, foi amor e dedicação para com a sua arte e para com os seus fãs. Os fãs agradecem e certamente aguardam a produção de outro grande álbum e outro show com grande ansiedade. E que não demore tanto dessa vez!

Banda:

Mark Tornillo - vocal
Wolf Hoffmann - guitarra
Peter Baltes - baixo
Stefan Schwarzmann - bateria

Set-List:

Teutonic Terror
Bucket Full of Hate
Starlight
Breaker
New World Comin'
Restless and Wild
Monsterman
Metal Heart
Amamos La Vida
Neon Nights
Bulletproof
Losers and Winners
Aiming High
Princess of the Dawn
Up to the Limit
No Shelter
Encore:
Fast as a Shark
Pandemic
Balls to the Wall

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Sobre Felipe Cipriani Ávila

Headbanger convicto e fanático, colecionador compulsivo de discos, não vive, de modo algum, sem música. Estudante de Jornalismo e Letras. Procura, sempre, se aprofundar no melhor gênero de música do mundo, o Heavy Metal, assim como no Rock’n’Roll, de um modo geral, passando pelo clássico, pelo progressivo, pelo Hard setentista e oitentista, e não se esquecendo do Blues. Play It Loud!

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