Accept em SP: uma noite de Metal digna de lavar a alma

Resenha - Accept (Carioca Club, São Paulo, 15/05/2011)

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Por Otávio Augusto Juliano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quando estive nesse mesmo Carioca Club no dia 07 de maio para fazer a cobertura do show do vocalista alemão UDO Dirkschneider, foi curioso receber na porta um panfleto de propaganda da banda que iria se apresentar no domingo seguinte, no mesmo local.

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Era nada mais, nada menos, do que um panfleto de divulgação do show do ACCEPT, banda fundada por UDO, que há anos segue carreira solo. Mas se UDO veio agora em 2011 ao país pela segunda vez, dia 15 de maio vai ficar marcado na história como a primeira apresentação dos alemães do ACCEPT no Brasil!
Contando com seu novo vocalista, Mark Tornillo, o ACCEPT voltou à mídia em 2010 com o lançamento do álbum “Blood Of The Nations”, sucesso de crítica e vendas. Depois de anos sem lançar material novo, o ACCEPT se renovou com o ótimo “Blood Of The Nations” e saiu em turnê mundial, fechando a etapa sulamericana com a apresentação de São Paulo.

No horário anunciado para início do show (20hs), ainda havia muita gente entrando no Carioca Club e os músicos só foram mesmo subir no palco com 40 minutos de atraso, já com “casa cheia”. UDO teve bom público em São Paulo, mas ficou claro que os fãs, em meio a tantos shows internacionais, preferiram guardar dinheiro para ver o ACCEPT pela primeira vez (como dito acima, UDO já havia passado pelo país com sua banda solo) – o Carioca Club teve lotação máxima!

Com “Teutonic Terror” e “Bucket Full Of Hate”, duas canções do mais recente álbum, o ACCEPT abriu a noite. Privilegiados aqueles que estiveram presentes no show, porque de cara se percebeu que seria uma apresentação com sonoridade perfeita (assim como foi o show do UDO, vale frisar). Volume alto, com muito peso, velocidade e agressividade nas músicas.

Mark, Wolf, Peter e Stefan foram implacáveis com os brasileiros! Músicas para bater cabeça, levantar os punhos, aplaudir de pé, fazer chifres com os dedos, enfim, cada um reagiu de um jeito, mas ninguém ficou parado um instante sequer.

Logo depois de “Breaker”, o vocalista Mark disse o primeiro “obrigado” da noite e aproveitou para anunciar o que todo mundo já logicamente sabia: o guitarrista Herman Frank, devido a uma queda ocorrida no show do Texas, no dia 07 de maio, fraturou costelas e pulmão e teve de ser internado no hospital, deixando de seguir com a banda no restante da turnê. Por esse motivo o show de São Paulo não contou com Herman, mas como disse Mark ao anunciar a ausência, “o show deve continuar” e por isso o ACCEPT não desmarcou suas apresentações na América Latina.

Se as músicas de “Blood Of The Nations” empolgaram ao vivo, sucessos como “Metal Heart”e “Princess Of The Dawn” fizeram o público vibrar e acompanhar os músicos com palmas e coro de “oh, oh, oh, oh” e “ei, ei, ei”. Ficou bonito de ver. Sem contar ainda com a ótima “Aiming High”, que fez todos os fãs apontarem o dedo para o alto, em alusão ao título da música (“Mirando Alto”), além “Amamos La Vida”, do álbum “Objection Overruled”, a balada da noite. Realmente um set list muito bem escolhido! Desse álbum ainda foi tocada “Bulletproof”, que teve como atração adicional um duelo de Peter e Wolf: baixo versus guitarra, nota a nota. Músicos incríveis em um cena que ficará na memória do público.

Para fechar, a escolhida foi a recente “No Shelter”, que intercala momentos mais pesados com outros nem tanto, tornando-se ótima pedida para performances ao vivo. Por volta de 22:10h, os músicos deixaram o palco e voltaram com um “bis” arrasador. Primeiro a famosa introdução da música alemã “Ein Heller und ein Batzen”, cortada alguns segundos depois pelo grito do vocalista e os riffs de guitarra da veloz “Fast As A Shark”, que desencadeou algumas rodas de mosh na pista do Carioca Club. Depois a excelente “Pandemic”, do álbum “Blood Of The Nations” e para completar aquela que todos sabiam que ficaria para o final: “Balls To The Wall”.

Encerramento matador e ensurdecedor para uma noite de Metal digna de lavar a alma. O ACCEPT demorou uma eternidade para vir ao Brasil, mas veio e trouxe música de qualidade na bagagem, não deixando o show esfriar nem por um minuto. Parabéns ao vocalista Mark que faz ótimo trabalho à frente do ACCEPT, afinal não é fácil substituir à altura um mestre como UDO. Tem uma voz potente e consegue reproduzir os gritos característicos da sonoridade que marcou a carreira do ACCEPT, estando em perfeito entrosamento com Wolf, Peter e Stefan, que tiveram performances irretocáveis no palco do Carioca Club.

Felizes daqueles que como eu puderam ver praticamente na mesma semana UDO e ACCEPT, em dois shows incríveis! Longa vida ao ACCEPT e que o retorno da banda não demore tanto quanto demorou essa primeira visita ao Brasil...

Agradecimentos a Negri Concerts pela atenção e credenciamento.

Banda:

Mark Tornillo - vocal
Wolf Hoffmann - guitarra
Peter Baltes - baixo
Stefan Schwarzmann - bateria

Set List:

1. Teutonic Terror
2. Bucket Full of Hate
3. Starlight
4. Breaker
5. New World Comin'
6. Restless and Wild
7. Monsterman
8. Metal Heart
9. Amamos La Vida
10. Neon Nights
11. Bulletproof
12. Losers and Winners
13. Aiming High
14. Princess of the Dawn
15. Up to the Limit
16. No Shelter

Bis:
17. Fast as a Shark
18. Pandemic
19. Balls to the Wall

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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