Iron Maiden em Recife: "Perfeição" define tudo
Resenha - Iron Maiden (Centro de Convenções, Recife, 03/04/2011)
Por Thomas Ewerton de Moraes Lima
Postado em 05 de abril de 2011
E não demorou muito... dois anos e três dias após o prometido, Bruce Dickinson, Steve Harris, Adrian Smith, Dave Murray, Janick Gers e Nicko McBrain estão de volta ao Recife para divulgar sua mais recente turnê, a "The Final Frontier World Tour". Os fãs estavam um tanto céticos quanto ao prometido, mas os fanáticos estavam certos do retorno. Em uma palavra define-se o show que resumirei abaixo: Perfeição.
Para os fãs, o show começou mais cedo: ainda na tarde do dia 2 de abril (sábado) no Aeroporto Internacional dos Guararapes às exatas 14h40 da tarde. Essa foi a data e hora que o Ed Force One pousou na cidade de Recife, vindo de Belém. Pessoas do Norte/Nordeste inteiro estavam aqui para recepcionar a maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Natal, Manaus, Fortaleza, Maceió e, claro, Recife fizeram a festa com a chegada do avião personalizado. Eram faixas, cartazes, placas e tudo mais que demonstrasse o amor que os fãs da banda sentem. Em especial deve ser citada a presença da Torcida Sport Metal, presidida por Gabriel Carrazzone e o vice Thomas de Moraes. Ambos levaram a faixa que mede exatos 6,66m de comprimento com os dizeres "Sport Metal" e o Eddie na ponta vestindo a camisa do Sport Club do Recife, para indignação geral das torcidas rivais também presentes, porém em menor número e "sem identificação".
Após o pouso do Ed Force one, os fãs já se direcionaram ao Viaduto que teria uma melhor vista do avião e lá ficaram, em menor número do que em 2009 - devido a uma confusão de informações erradas passadas sobre a hora do pouso. Enquanto uns iam para o viaduto, outro grupo já se dirigia ao Hotel Atlante Plaza, onde a banda ficara hospedados. Nesse momento, foi quando os batedolros passaram em frente ao Aeroporto com duas vans e um outro veículo vermelho, onde se encontrava o Nicko. Depois de muito corre-corre, o grande grupo ficou em frente ao Hotel aguardando alguma aparição, mas nada foi conseguido. O melhor era ir para casa e descansar para o dia seguinte.
Cheguei ao Centro de Convenções por volta das 15h e já tinha uma grande quantidade de gente batendo ponto nos portões de entrada. Aparentemente menos que em 2009, porém o local era mais espesso, diferentemente do Jockey, onde a rua de acesso era mais apertada. Os portões foram abertos as 16h45 (15 minutos antes do previsto).
O Terra Prima entrou no palco antes do previsto, eram nem 19h ainda. Fez um set-list curto, baseado no seu primeiro disco "...And Life Begins" e conseguiu mexer com o oceano de fãs que esperavam ansiosamente pelo Iron Maiden. A banda ainda fez um cover do Metallica ("Enter Sandman"), que levantou o público para aquecimento.
Pontualmente, os PA's do CeCon começaram a executar "Doctor Doctor" do UFO, banda que influencia o Maiden até hoje. A música é cantada e festejada como se fosse da própria Donzela. Incrível a reação. Quando ela terminou, os palcos se apagaram e os imensos telões de LED começaram a Intro "Satellite 15...". O público já foi ao delírio e pouco mais de 4 minutos depois, o IRON MAIDEN sobe ao palco para começar seu espetáculo. O refrão de "The Final Frontier" foi cantado por todos do CeCon. A banda deu seguimento ao seu set-list habitual com "El Dorado". Em "Two Minutos to Midnight" ficou claro que os fãs queriam mesmo eram os clássicos, devido a pouca intimidade com as músicas do novo trabalho do grupo britânico. O clássico foi cantado do início ao fim por todos. "The Talisman" foi a próxima. O efeito que essa canção causa ao vivo é surpreendente. Uma atmosfera magnífica, uma emoção imensa. Chegou a tirar lágrimas de meus olhos. Seguido de um pequeno probleminha, Bruce discursa com a plateia e anuncia "Coming Home", também pouco cantada pelo público. Após ela, o plano de fundo muda para a capa do disco Dance of Death (2003) e Janick Gers começa os primeiros acordes da música de mesmo nome. Essa sim fez a plateia tirar os pés do chão. Mesmo sendo um disco muito contestado pelos fãs, ela produz um clima teatral perfeito ao vivo.
Após ela, o plano de fundo muda mais uma vez e é a hora do delírio: "The Trooper". O clássico maior do "Piece of Mind" (1983) foi ovacionado pelos fãs e cantaram a música inteira, sem contar com o tradicional "OoooOOooOOoOoo" em unisono com o Bruce. Dando sequência ao set, Adrian Smith emenda com "The Wicker Man". Considerada por alguns já um clássico da "nova era" (pós volta de Bruce e Adrian). Faixa de abertura do Brave New World (2000), ao vivo é simplesmente matadora e faz o público cantar alto "Your time will come!!!". Bruce visivelmente feliz pela reação dos fãs presentes, faz um breve discurso sobre os shows cancelados no Japão, devido ao tsunami que atingiu o país. Fala o quanto devemos agradecer por morarmos no Brasil e não sofrermos com tais consequências e dedica a próxima canção a eles: "Blood Brothers". Em 10 anos, sempre quis sentir na pele como é estar na plateia enquanto essa música é tocada. A sensação é indescritível. O solo feito pelo maestro Janick Gers arranca lágrimas dos olhos de qualquer um. É como se a guitarra chorasse. Como eu já disse, completamente indescritível. Os PA's sopram para inicio de "When the Wild Wind Blows". Uma grande canção, mas pela sua longa letra, poucos fãs sabiam ainda cantá-la toda. Mas, com certeza, uma das melhores ao vivo.
Bruce anuncia após ela, "The Evil That Men Do". Um grande clássico da banda do "Seventh Son of a Seventh" (1988). Refrão foi cantado mais uma vez por todos os presentes. Coisa linda de se ver. Logo após o fim dela, o palco inteiro fica escuro para, provavelmente, a música mais esperada por todo e qualquer fã da banda: "Fear of the Dark". O efeito dessa ao vivo é arrepiante. Todos com os braços para cima, cantando e pulando. Há fãs que são a favor da retirada dessa canção dos set lists, porém NUNCA vi um se quer ficar quieto quando esta é tocada. E acho que nunca verei. Como de costume, Bruce grita para os fãs recifenses "Scream for me Recife!! Scream for me Recife" e chama a música "Iron Maiden", já seguida dos primeiros acordes por Dave Murrays. Após tanto suspense pela vinda ou não do Eddie de 3 metros a Pernambuco, eis que ele aparece. Todos o ovacionaram como se fosse um membro da banda. Fez seu, de costume, duelo com o Janick e saio do palco para a primeira pausa da noite.
Enquanto o palco estava todo escuro, Recife gritava "Olê! Olê! Olê! Olê! Maiden! Maiden" e os PA's anunciam um dos maiores hinos do Heavy Metal: "The Number of the Beast" e seguida do outro hino da banda "Hallowed be Thy Name". Provalvelmente são as duas canções mais tocadas da banda. E a banda finaliza a noite ao som de "Running Free", onde Bruce apresenta toda a banda (como ninguém a conhecesse), fazendo brincadeiras com o Harris e, principalmente, com o Adrian, que estava usando aquela mesma Guibson de mais de 20 anos atrás. E foi ao som dela, que Bruce agradece mais uma vez a Recife e se despede do palco.
Em minha humilde opinião, esse show foi melhor do que o de 2009, em termos de presença de público. Não falo em números, mas sim em participação. Creio que no primeiro show, houve aquele "Não acredito que isso está acontecendo" e atrapalhou o desempenho dos fãs junto ao frontman Mr. Dickinson. Esse ano tudo foi diferente. Bruce manda, a gente obedece, como sempre foi e sempre será. Parabéns, Recife! Parabéns, Nordeste! Parabéns por mostrar a nossa força perante a essa que é a maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. E parabéns à Raio Lazer por mais uma vez mostrar competência e a a banda de abertura Terra Prima do meu colega Daniel Pinho, que destruiu na abertura.
Set List:
1. Satellite 15... The Final Frontier
2. El Dorado
3. Two Minutes to Midnight
4. The Talisman
5. Coming Home
6. Dance of Death
7. The Trooper
8. The Wicker Man
9. Blood Brothers
10. When The Wild Wind Blows
11. The Evil That Men Do
12. Fear of the Dark
13. Iron Maiden
Bis
14. The Number of the Beast
15. Hallowed be Thy Name
16. Running Free
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