Iron Maiden: Mais uma resenha do show de São Paulo
Resenha - Iron Maiden (Morumbi, São Paulo, 26/03/2011)
Por Rafael Stabolito
Fonte: prometalrr.blogspot
Postado em 29 de março de 2011
2011 está repleto de shows, principalmente agora na metade do ano, porém será difícil alguém fazer um show melhor do que o da "Donzela de Ferro", realizado neste último sábado, dia 26 de março.
Ao chegar no estádio por volta das 16:00h, eu percebi que tudo estava mais tranquilo do que jamais poderia imaginar, a única fila realmente assustadoramente grande era a da bilheteria, fãs e mais fãs buscando algum último vestígio de ingressos. Passei pela revista, e ao entrar no meu setor pude perceber que mesmo duas horas e meia antes da abertura dos irmãos Cavalera, o estádio estava relativamente vazio, eu arrumei meu lugar, sentei, e essas duas horas e meia, passaram tranquilamente, o estádio encheu aos pouquinhos, porém continuava vazio uma vez que a atração da noite era o Iron Maiden.
21:20h: Cavalera Conspiracy entra num estádio que a essa altura já poderia se dizer "cheio", mesmo com meia-dúzia de fãs chegando a cada 15 minutos, parecia que o público não iria muito além daquilo naquela noite. Uma hora de show dos irmãos Max e Iggor junto do Rizzo e Chow, e pronto, agora era só esperar pela atração principal da noite. Era 20:00h quando o Cavalera saiu, e o que iriamos esperar era só outra hora e meia até as luzes do Cícero Pompeu de Toledo apagar, foi quando teve a primeira surpresa da noite. A música ao fundo estava relativamente baixa, quando "DOCTOR DOCTOR" do U.F.O. fica absurdamente alta, a galera vibra pois era assim que o show do Iron começou nos outros países.
Ao olhar no relógio, fiquei confuso, ainda eram cinco para nove da noite quando tudo isso começou, e as luzes ainda estavam acessas e me perguntei o que seria tudo aquilo. Se a pontualidade do Cavalera Conspiracy surpreendeu, é porque não sabia o que a pontualidade britânica iria aprontar: um show que estava programado para começar as 21:30h, começou com MEIA HORA DE ANTECEDENCIA (isso mesmo, o show estava adiantado!!!), meu relógio apitou nove horas, as luzes apagaram, e a introdução de "Satellite 15..." começou! O estádio quase foi demolido, e a banda adentra ao palco tocando "The final Frontier", do novo álbum de mesmo nome, seguida de "El Dorado" para um público que assombrosamente quase transbordava do estádio, me fazendo perguntar de onde surgiu tanta gente em tão pouco tempo!
A energia no estádio se transformou de tal maneira que até um dos câmeras (justo o que estava com as imagens sendo transmitidas no telão) vacilou e quase deixou a ferramenta de trabalho cair. A introdução de "2 Minutes to Midnight" elevou a energia ao máximo e se Bruce Dickinson tirou a energia da sua alvoroçada plateia eu não sei, o fato é que ele estava frenético em cima do palco, correndo, pulando e fazendo firulas com o pé do microfone, e cantando todas as músicas como se fosse de algum CD de estúdio, um vocal impecável, limpo e totalmente em forma, sem desafinar em momento algum, mostrando o motivo pelo qual ele é considerado um dos melhores vocais de Heavy Metal que já surgiu na história.
"The Talisman" deu uma folga, fazendo o público tomar um folego, seguida de "Coming Home". A longa "Dance Of Death" do álbum homônimo foi tocada e em seguida, uma das mais esperadas da noite, "The Tropper" quase derrubou o estádio em cima de um Bruce em suas vestes vermelhas agitando uma imensa bandeira britânica! "The Wicker Man" seguiu, e ao final, Bruce não aguentou e aos gritos de "Olê Olê Olê Olê, Maiden, Maiden", sentou em uma das caixas de som, respirou fundo e conversou com público, lembrando da tragédia ocorrida no Japão e dizendo o quão é importante para ele os seus fãs, não importando em que parte do mundo se encontre, nem a qual credo pertencem, nem de qual cor são, nem de que religião ou qualquer outra coisa. Sendo quase reverenciado pelo público, Bruce dedicou "Blood Brothers" a eles e praticamente teve a voz encoberta por um Morumbi inteiro.
"When the Wild Wind Blows" sucedeu e "The Evil That Men Do" contou com o famoso boneco Eddie Monstro gigante, andando pelo palco e passando nos telões (que passava imagens em "Super Higher Fucking Full HD"), imagens de uma câmera no topo da cabeça, deixando o público mais alto que os próprios integrantes do Maiden. O hino "Fear Of The Dark" quase teve sua introdução encoberta pela plateia sendo o ápice do show, emendada na famosa e antiga "Iron Maiden", ambas cantadas em uníssono por todos. Um minuto de palco vazio, e a voz de Bruce recitando a introdução de "The Number Of The Beast" levava ao delírio os mais de 55 mil headbangers e dava aquele gosto de que chega ao final mais um incrível show. "Hallowed By The Name" e seu riff grudento foi mais uma cantada em uníssono por todos e "Running Free", que contou com a cabeça do Eddie da capa do álbum "Final Frontier" com mais de 8 metros de altura, levou mais de sete minutos! Bruce cantava o refrão, a plateia repetia e ele fazia a apresentação de um membro da banda, cantava o refrão de novo, a plateia novamente repetia e Bruce apresentava mais um, e foi assim com todos os outros 5 integrantes da maior, mais famosa e popular banda de Heavy Metal de todos os tempos. E ao final do show, um público em êxtase ovacionava a banda, algumas baquetas, palhetas e outros objetos foram atirados ao público, e muito sorridentes deixaram o palco como se fosse o melhor show deles do ano.
Se foi o melhor show deles eu não sei, mas com certeza este show foi um dos melhores do ano realizados no Brasil, e isto é fato. Talvez tenha faltado alguns clássicos mais antigos como "Aces High" ou "Run To The Hills", mas Bruce já havia dito antes da turnê que iria dar preferência para músicas do "Brave New World" para frente. De qualquer forma o show foi impecável em diversos aspectos, qualidade de som, repertório, iluminação, desempenho da banda, desempenho do público e outros mais. Que o Maiden volte mais vezes e continue dando shows perfeitos como os que sempre faz, que o público sempre retribuirá! Talvez seja por isso que o Brasil é um dos países favoritos da "Donzela" e por isso voltam quase todos os anos.
Set list do show:
- Doctor Doctor (intro by UFO)
- Satellite 15… The Final Frontier
- El Dorado
- 2 Minutes to Midnight
- The Talisman
- Coming Home
- Dance Of Death
- The Trooper
- The Wicker Man
- Blood Brothers
- When the Wild Wind Blows
- The Evil That Men Do
- Fear Of The Dark- Iron Maiden
- The Number Of The Beast
- Hallowed By The Name
- Running Free
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