Green Day: a espera de 12 anos dos cariocas valeu a pena

Resenha - Green Day (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 15/10/2010)

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Por Gabriel von Borell
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A espera de 12 anos do público carioca pelo retorno do Green Day ao Rio de Janeiro (a primeira e única passagem da banda em solo brasileiro havia acontecido em 1998 durante a turnê do álbum “Nimrod”) parece ter valido a pena. As cerca de 14 mil pessoas que estiveram presentes na HSBC Arena, na última sexta-feira (15), foram à loucura com uma performance intensa de música, pirotecnia e interatividade por parte do trio californiano.

Pouco antes da apresentação do Green Day ter início, um coelho rosa surgiu no palco ao som de Y.M.C.A., do Village People, para entreter a platéia. Naquele exato momento ficou claro que a noite seria, no mínimo, divertida. E às 22h35, pouco mais de meia hora depois do horário previsto para o começo do show, o jovem público da noite (chamou a atenção a grande quantidade de crianças e pré-adolescentes no local) entrou em frenesi com a introdução de “Song of the Century”. Era o anúncio de que o Green Day estava entrando em cena para enlouquecer o público do Rio de Janeiro pelas próximas três horas.

“Boa noite, Rio, vocês estão prontos? O Green Day está de volta depois de longos 12 anos”, disse o vocalista Billie Joe, entusiasmado. Com uma energia e simpatia hipnotizante, Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool, acompanhados de outros três músicos de apoio: Jason White e Jeff Matika (guitarras) e Jason Freese (teclados), dominaram inteiramente a platéia. Não havia quem ficasse parado na empolgante sequência com “21st Century Breakdown” e “Know your Enemy”.

Na música seguinte, “East Jesus Nowhere”, um voluntário mirim foi convidado a subir ao palco, interagiu com Billie Joe e depois pulou em direção à multidão, no que provavelmente deve ter sido o primeiro mosh de sua vida. Muitos outros fãs foram também chamados para subir ao palco durante a apresentação. Em “2000 Light Years Away”, dez pessoas fizeram uma verdadeira zona em cima do palco tirando dezenas de fotos e agarrando os integrantes. Alguns foram mais sortudos como a fã que foi convidada ao palco durante a execução de “Are we the Waiting” e ganhou um longo beijo na boca de Billie Joe (no melhor estilo Bono Vox do U2), e o rapaz que cantou “Longview” e recebeu de presente a guitarra do vocalista, das mãos do próprio Billie. Mas, ao que tudo indica, as pessoas que foram convidadas ao palco foram pré-selecionadas, já que um fã mais saidinho ao tentar pular a grade da pista premium levou uma gravata violenta de um segurança e saiu pelo backstage.

A apresentação do Green Day também contou com uma série de covers de clássicos, que parecia uma rápida aula de rock para a geração mais nova. A imagem de uma menina de aproximadamente 13 anos desesperada para saber de quem era a música quando o Green Day executava “Rock and Roll” do Led Zeppelin ilustra bem o fato. Os mais velhos se animaram com os hits de Black Sabbath, AC/DC, Rolling Stones, The Doors e Beatles. Em “Blitzkrieg Bop, dos Ramones, vocalista e baterista trocaram as bolas e Tré Cool assumiu os vocais enquanto Billie Joe foi tocar bateria.

E depois de muitas explosões, fogos de artifício, jatos de água no público, lança-rolos de papel higiênico, armas de disparar camisetas e fantasias, o Green Day deu partida no seu set acústico, e final, com “Whatsername” seguida de “Wake me up When September Ends”, que provocou uma catarse coletiva na HSBC Arena.

Para encerrar a noite, Billie Joe e Cia tocaram “Good Ridance (Time of Your Life)”, em um desfecho menos animado, porém, bonito.

E ao público carioca restou agradecer ao Green Day pela noite incrível que todos os fãs, ávidos de assistir uma apresentação do trio de pop punk por anos a fio, finalmente testemunharam. Além de torcer para que a banda não demore tanto tempo para voltar ao país, claro.

Set list:
1- Song of the Century
2- 21st Century Breakdown
3- Know Your Enemy
4- East Jesus Nowhere
5- Holiday
6- Nice Guys Finish Last
7- Give Me Novacaine
8- Letterbomb
9- Are We the Waiting
10- St. Jimmy
11- Boulevard of Broken Dreams
12- Burnout
13- Geek Stink Breath
14- Paper Lanterns
15- 2000 Light Years Away
16- Hitchin’ a Ride
17- When I Come Around
18- Iron Man / Rock N’ Roll / Sweet Child O’ Mine / Highway to Hell / Back In Black
19- Brain Stew
20- Jaded
21- Longview
22- Basket Case
23- She
24- King For a Day
25- Shout / Blitzkrieg Bop / Break On Through / Satisfaction / Hey Jude
26- 21 Guns
27- Minority

Bis

28- American Idiot
29- Jesus of Suburbia

Bis acústico:
30- Whatsername
31- Wake Me Up When September Ends
32- Good Riddance (Time of Your Life)

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Sobre Gabriel von Borell

Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.

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