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Toy Dolls: as maiores composições do passado em PoA

Resenha - Toy Dolls (Bar Opinião, Porto Alegre, 23/09/2010)

Por Paulo Finatto Jr.
Em 01/10/10

Depois de quinze anos sem dar as caras, os ingleses do THE TOYS DOLLS retornaram a Porto Alegre. A 30th Anniversary Tour – turnê comemorativa aos trinta anos desse ícone do punk rock oitentista – lotou o Bar Opinião para mais uma apresentação verdadeiramente de luxo e para relembrar as maiores composições do passado da banda.

Fotos: Liny Rocks

Exatamente às 23h a banda gaúcha PERNALONGA subiu ao palco do Opinião para esquentar a noite. Em um set extremamente curto – com menos de quinze minutos de duração –, o quarteto mostrou cerca de seis músicas para um bom público que já se concentrava na pista. As músicas curtas e bem trabalhadas não chegaram a empolgar a plateia, que apenas assistiu ao show de abertura. As influências de GREEN DAY e as letras em português são as características mais marcantes do grupo.

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Com o Bar Opinião extremamente cheio, o THE TOY DOLLS entrou em cena precisamente às 23h55, com uma introdução que misturou diversas faixas de abertura do grupo e uma composição clássica de Richard Strauss. Michael "Olga" Algar (vocal e guitarra), Tommy Goober (baixo) e Duncan "The Amazing Mr. Duncan" Redmonds (bateria) iniciaram o espetáculo com "Cloughy is a Bootboy!", do álbum "Wakey Wakey" (1989). O carismático trio inglês contou com o suporte da plateia desde as primeiras composições: "Dogy Giro" e "Queen Alexandra Road is Where She Said She’d Be" deram sequência à apresentação sem perder o ritmo intenso do primeiro minuto.

É evidente que o THE TOY DOLLS é uma das melhores bandas (e uma das mais técnicas) do punk rock mundial. Olga – o único integrante da formação original de 1979 – é um exímio guitarrista que explora com maestria a simplicidade do estilo através de uma dose surpreende de riffs e de melodias – característica bastante incomum para o punk de THE RAMONES e SEX PISTOLS. Os "novatos" Goober (com o grupo desde 2004) e Redmonds (na banda a partir de 2006) também são responsáveis pelo ótimo espetáculo que o THE TOY DOLLS proporcionou aos fãs gaúchos.

O ótimo instrumental do trio, aliado às coreografias de Olga e Gobber, proporcionou momentos de diversão para a plateia em faixas como "The Death of Barry the Roofer with Vertigo" e "The Lambrusco Kid" – que trouxe ao palco uma enorme garrafa inflável de champanhe que, depois de estourada, jogou confete e serpentina sobre o público espremido nas primeiras fileiras em frente ao palco. A música, que é um dos maiores sucessos do THE TOY DOLLS, contou com a voz de apoio de praticamente todos os presentes. Depois de "Harry’s Hands", o trio inglês emendou – praticamente sem pausa – "Spiders in the Dressing Room" e "Nellie the Elephant", duas boas músicas com refrãos extremamente marcantes.

Com a nítida postura de trocar poucas palavras com o público – somente depois de "Nellie the Elephant" que Olga fez o seu primeiro agradecimento aos fãs e à cidade – o THE TOY DOLLS não é uma banda de atitude arrogante. O intuito de celebrar uma noite verdadeiramente punk rock, com o menor intervalo possível entre as músicas, diz muito a respeito da preocupação do trio inglês quanto ao repertório do show. Depois de "Ashbrooke Launderette", a banda emendou a relativamente nova "I Caught it from Camilla" (do disco "Our Last Álbum?", de 2004) com a dobradinha clássica "Bless You My Son/My Girlfriend’s Dad’s a Vicar". Com a plateia na mão, os caras executaram ainda "Olga I Cannot" e "Idle Gossip" na sequência.

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Depois de quarenta minutos ininterruptos de show, a banda já dava os primeiros sinais de cansaço. De qualquer forma, "Fisticuffs in Frederick Street", do álbum "Bare Faced Cheek" (1987), é tão direta quanto as outras composições do THE TOY DOLLS – mas contou com coro e refrão de apoio incondicional dos fãs gaúchos. Depois da curta e virtuosa instrumental "Toccata in Dm" (baseada na homônima composição clássica de Bach) o momento de maior grandiosidade e surpresa do show: a música "Alec’s Gone", do disco "Absurd-Ditties" (1993). Embora não seja a faixa de maior repercussão do THE TOY DOLLS, ela é, certamente, a que melhor deixa transparecer a energia do punk rock através de um refrão marcante.

Na reta final do espetáculo, Olga & Cia. emendaram "Harry Cross (A Tribute to Edna)" – com direito a um pequeno solo de bateria – e a instrumental "Wipe Out", antes da pausa para o primeiro bis, com "When the Saints (Go Marching In)" e "Glenda and the Test Tube Baby". De volta pela terceira vez ao palco, o THE TOY DOLLS encerrou definitivamente o seu set de quase 1h15 com a absoluta "She Goes to Finos" – certamente a música de maior apelo (e mais conhecida) entre os fãs do grupo.

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A banda e o público voltaram para casa extasiados e com a certeza de um dos melhores e mais divertidos shows do ano. A recente turnê de aniversário do THE TOY DOLLS, que iniciou em Porto Alegre, seguiu ainda para Curitiba e São Paulo. Como a banda está cercada em um mistério – não se sabe se irá encerrar a carreira, abandonar a gravação de discos inéditos ou simplesmente encerrar o ciclo de apresentações ao vivo –, quem compareceu ao Bar Opinião (diga-se a melhor casa para shows da cidade) deve se sentir um privilegiado.

Set-list The Toy Dolls:
01. Cloughy is a Bootboy!
02. Dougy Giro
03. Queen Alexandra Road is Where She Said She’d Be
04. The Death of Barry the Roofer with Vertigo
05. The Lambrusco Kid
06. Harry’s Hands
07. Spiders in the Dressing Room
08. Nellie the Elephant
09. Ashbrooke Launderette
10. I Caught it from Camilla
11. Bless You My Son/My Girlfriend’s Dad’s a Vicar
12. Olga I Cannot
13. Idle Gossip
14. Fisticuffs in Frederick Street
15. Toccata in Dm
16. Alec’s Gone
17. Harry Cross (A Tribute to Edna)
18. Wipe Out
19. When the Saints (Go Marching In)
20. Glenda and the Test Tube Baby
21. She Goes to Finos

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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