Aerosmith: a banda ainda tem muita lenha pra queimar
Resenha - Aerosmith (Palestra Itália, São Paulo, 29/05/2010)
Por Doctor Robert
Postado em 02 de junho de 2010
Viagem para São Paulo, 60 reais. Ingresso para o show do Aerosmith na arquibancada, 150 reais. Ver o Aerosmith tocando "Kings and Queens" e "Toys In The Attic" na mesma noite, não tem preço...
Poderíamos começar esta resenha falando sobre tudo o que se passou com o Aerosmith no último ano, sobre seus altos e baixos, sobre a fatídica entrevista dada ao Fantástico... mas para que encher tanta linguiça? Indo direto ao que interessa: o show do Aerosmith foi de matar qualquer fã de verdade do coração...
Mas antes, ressaltemos: a abertura dos gaúchos do Cachorro Grande foi muito boa. Após ficar ouvindo tanta musiquinha ruim que nos foi empurrada pelos DJs que teoricamente teriam que aquecer o público, foi uma dádiva ouvir 45 minutos de rock de verdade antes do Aerosmith. E parabéns a eles ainda por terem ganho o respeito de um público que não é o deles...
Pois bem, passados cerca de 15 minutos das 9:30 (horário previsto para o início do show), o logo do quinteto bostoniano toma conta do palco ao mesmo tempo em que ouvimos Bob Dylan cantando que todos devem estar chapados, ouvimos os toques percussivos de "Eat The Rich". Começa então a avassaladora apresentação do Aerosmith, esbanjando carisma, vitalidade, e, porque não dizer também, saúde? Crises internas, câncer, depressão, dependência de drogas... nada parece deter esses caras, que como um bom vinho só melhoram com o passar dos anos...
Para dar um primeiro ataque cardíaco nos fãs mais antigos, a segunda música apresentada é nada mais nada menos que "Back In The Saddle", com Joe Perry empunhando um baixo de 6 cordas e Steven Tyler atingindo agudos celestiais... A sequência com "Love In An Elevator" serviu para ganhar o público de vez.
Rebatendo qualquer tipo de crítica que pudesse surgir, o Aerosmith fez uma apresentação impecável. E conseguiu o que parecia impossível: agradou gregos e troianos. Agradou aos fãs da chamada "era MTV" da banda, desfilando os grandes hits desta fase (e tome "Livin' On The Edge", "Cryin'", "Crazy", "Jaded", "Pink"...). E agradou mais ainda aos fãs verdadeiros da banda, aqueles que gostam de todas as fases, principalmente a fase inicial.
Da década de ouro do grupo, os anos 1970, vieram as obrigatórias "Dream On", "Sweet Emotion", "Draw The Line", "Walk This Way"... veio também "Lord Of The Thighs", do segundo álbum da banda, "Get Your Wings", que vem sido tocada bastante nesta mini excursão pela América Latina... Encerraram o show com a porrada "Toys In The Attic", faixa título de seu melhor álbum... Mas garantiram um ataque cardíaco definitivo nos fãs da velha guarda quando Steven Tyler anunciou que iriam fazer um som composto por volta de 1977, que vive sendo pedido a eles: e o que se ouve a seguir é simplesmente "Kings And Queens"... a reação deste que vos escreve foi gritar em alto e bom som "Puta que o pariu!!!". E enquanto cantava cada estrofe deste clássico, reparava na cara de interrogação de um grupo de garotas de 16 anos sentadas atrás de mim e minha esposa, que nem sequer sonha que esta canção faz parte de um certo álbum chamado "Draw The Line", cujas fitas master de gravação quase foram perdidas por Joe Perry, que usou seus estojos de transporte para esconder drogas e quase jogou as benditas fitas no lixo...
Foram quase duas horas de uma verdadeira aula de rock and roll. Steven Tyler mostrou do alto de seus 62 anos estar com a voz melhor do que nunca, continuando berrando cada agudo, cantando cada palavra com uma afinação de dar inveja a muito pupilo por aí. Joe Perry demonstrou a uma geração que entre jogar "Guitar Hero" e tocar de verdade uma guitarra existe um abismo gigantesco. Brad Whitford também brilhou, com vários solos excelentes, provando que não é nem nunca foi sombra de Perry. E Tom Hamilton e Joey Kramer esbanjaram saúde e precisão na cozinha.
Esperamos que não seja preciso esperar mais tantos anos pelo retorno da banda. E ficou claro para todo mundo: o Aerosmith ainda tem muita lenha pra queimar...
Set List:
"Eat The Rich"
"Back In The Saddle"
"Love In An Elevator"
"Falling in Love (Is Hard On the Knees)"
"Pink"
"Dream On"
"Livin' on the Edge"
"Jaded"
"Kings and Queens"
"Crazy"
"Cryin'"
Joey Kramer - solo de bateria
"Lord Of The Thighs"
Joe Perry - solo e duelo com "Guitar Hero"
"Stop Messin' Around"
"What It Takes"
"Sweet Emotion"
"Baby, Please Don't Go"
"Draw The Line"
bis
"Walk This Way"
"Toys In The Attic"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música dos Beatles que tem o "melhor riff já escrito", segundo guitarrista do Sting
As únicas três músicas do Sepultura que tocaram na rádio, segundo Andreas Kisser
Evanescence lança música inédita e anuncia novo disco, que será lançado em junho
Dave Mustaine afirma que setlists dos shows do Megadeth são decididos em equipe
O país em que Axl Rose queria tocar com o Guns N' Roses após ver Judas Priest brilhar lá
5 bandas dos anos 70 que mereciam ter sido bem maiores, de acordo com a Ultimate Classic Rock
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Anika Nilles conta como se adaptou ao estilo de Neil Peart no Rush
AC/DC nos anos 70 impressionou Joe Perry e Eddie Van Halen: "Destruíam o lugar"
Show do Guns N' Roses em Campo Grande é marcado pelo caos no trânsito
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
Mike Portnoy passa mal e vomita durante show do Dream Theater
Andreas Kisser fala sobre planos para o pós-Sepultura e novo EP
Yes anuncia detalhes do seu novo álbum de estúdio, "Aurora"
Quando Renato Russo preferiu ficar em casa com o namorado a gravar com os Paralamas
Coverdale mudou o visual para não ficar igual integrante de "banda de death metal norueguesa"
O pior álbum da história do Metallica, segundo o baterista Lars Ulrich
Por que Iron Maiden não baixou o tom para Blaze Bayley? Steve Harris esclarece

As 11 melhores músicas lançadas em 1973, de acordo com a Classic Rock
A lenda do rock que ajudou o AC/DC a abrir caminho nos EUA, segundo Malcolm Young
Nomes do rock e do heavy metal que fazem aniversário em março
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
A música do Aerosmith que ajudou a "salvar o planeta" e conquistou algo que nunca conseguiram
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



