Chuck Berry: carisma, alegria e performance animada em POA

Resenha - Chuck Berry (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 14/05/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Certamente, poucos aguardavam mais um show de CHUCK BERRY em Porto Alegre. O músico, que se apresentou na capital gaúcha em 2008 e 2009, voltou pelo terceiro ano consecutivo para mais uma noite de rock n’ roll. Diferentemente do improvável concerto, o repertório destacou novamente os clássicos da sua carreira – que já dura mais de cinquenta anos.

Fotos: Denis Azevedo

Com 83 anos de idade, CHUCK BERRY subiu pontualmente às 21h no palco do Teatro do Bourbon Country. Diante de uma platéia razoável – que esteve longe de ocupar todos os dois mil lugares disponíveis da casa –, o guitarrista esbanjou carisma, alegria e, principalmente, uma performance animada. Diferente de quando se apresentou pela primeira vez na cidade, o palco do Teatro do Bourbon Country deu margem para uma apresentação mais intimista, com o público mais próximo. Uma noite inesquecível para os fãs de Berry.

Desde o início do concerto, com “Roll Over Beethoven”, CHUCK BERRY conseguiu levantar boa parte da plateia, que assistia ao show sentada nas primeiras poltronas do Teatro do Bourbon. Enquanto que na primeira apresentação da turnê brasileira – realizada no Rio de Janeiro – Berry se mostrou apático com os flashes e com as fotografias, em Porto Alegre foi diferente. Na capital gaúcha, o músico não se incomodou com as câmeras, fez pose para algumas e até se impressionou com a recepção tão calorosa de um pequeno grupo de fãs, que estavam posicionados na frente do palco. Entre aplausos e gritos dos mais exaltados, CHUCK BERRY deu sequência à apresentação com a ótima “School Days”, a lenta “The Wee Wee Hours” e a famosa “Sweet Little Sixteen”.

Na música seguinte, “Oh, Carol”, Berry retomou, inexplicavelmente, “Sweet Little Sixteen”. Por esquecimento ou para brincar com o restante da sua banda, a lenda do rock n’ roll contou com o apoio do público, que não se importou com o fato. Com o mesmo pique do início do show, CHUCK BERRY executou mais algumas de suas maiores composições, como “Let it Rock”, até o primeiro momento inusitado do show. A exaltação de um fã da primeira fila chamou a atenção do cantor, que disse: “Temos um grande fã aqui. Qual é o seu nome?”. Devidamente apresentado ao seu ídolo, o jovem da plateia ainda conseguiu um aperto de mão de CHUCK BERRY, que motivou a repetição do gesto com uma pequena parcela do público que se concentrava na primeira fila.

Claramente mais animado do que de costume, CHUCK BERRY foi mestre na proposta de conquistar, definitivamente, os seus fãs gaúchos. Se depois de “You Never Can Tell” o guitarrista teve problemas com o seu instrumento, ele soube contornar a situação com bom humor antes da música seguinte. Com o auxílio do pianista Bob Lohr, Berry tentou, sem sucesso, afinar a sua guitarra. Um “Eu tenho 83 anos! Estou velho!” levou a plateia aos risos até o momento em que a estrela do rock trocou de instrumento com o outro guitarrista da banda, o seu filho Chuck Berry Jr. No momento da troca de guitarras, Berry tropeçou em um amplificador e por pouco não caiu. No entanto, a mesma sorte não teve Berry Jr. que, ao retornar de costas para a sua posição no palco, não viu o mesmo amplificador e caiu de costas sobre caixa. Sem se machucar, Berry Jr. conquistou igualmente a simpatia do público, em um misto de risos e aplausos.

O repertório – que ainda contou com “My Ding a Ling” e “Memphis, Teneesse” – chegou no seu momento crucial. Com a pergunta, “Eu já toquei Johnny B. Goode?”, CHUCK BERRY, em mais uma constatação do seu bom humor naquela noite, executou o maior clássico da sua carreira. Desta vez, mais uma situação inusitada: o mesmo fã fervoroso, aquele do aperto de mão, foi chamado por Berry para subir ao palco para cantar o maior hino da sua carreira, lançado originalmente em 1958. Um pouco tímido pela surpresa, o jovem fã preferiu apenas reverenciar o seu ídolo e deixar que o restante da plateia assumisse a voz durante o refrão.

Para encerrar a noite, não poderia ser diferente: “Reelin’ and Rockin’” fechou a apresentação com mais gente em cima do palco. Como de costume, as mulheres presentes foram convidadas para dançar ao lado da banda e doze delas aceitaram o convite. Com o fim da música, CHUCK BERRY deixou o palco, sem maiores despedidas, e coube a Berry Jr. apresentar o restante da banda e encerrar o espetáculo.

Em exata uma hora de show, CHUCK BERRY mostrou porque é um dos artistas mais consagrados do rock de todos os tempos. O público – que pagou entre R$ 70 e R$ 250 para assistir ao espetáculo – pouco se importou com o repertório reduzido ou com os pequenos deslizes do guitarrista. A lembrança que fica, certamente, é de mais um momento divertido e igualmente intenso ao lado de um dos criadores do rock n’ roll. Mais uma vez, o público deixou o Teatro do Bourbon Country sem ter do que se queixar.

Set-list:
01. Roll Over Beethoven
02. School Days
03. The Wee Wee Hours
04. Sweet Little Sixteen
05. Oh, Carol
06. Around and Around
07. Let it Rock
08. You Never Can Tell
09. My Ding a Ling
10. Memphis, Tennessee
11. Johnny B. Goode
12. Reelin’ and Rockin’

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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