Dream Theater no Brasil: rotina, mas ainda com magia
Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 19/03/2010)
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 31 de março de 2010
Ver Dream Theater pela terceira vez na vida torna esse acontecimento uma rotina, mas não retira a magia e a novidade dele. Eu esperava de Mike Portnoy, James LaBrie, John Petrucci, John Myung e Jordan Rudess a mesma qualidade de performances que assisto desde 2005, executando com fidelidade músicas que definiram minha adolescência e começo da fase adulta. Mesmo com um palco simples, com panos que simulavam nuvens, que os fãs acharam pobres em relação às formigas e ao farol do show de 2008, a energia tomou conta de todos em 19 de março, quando A Nightmare To Remember começou a ser executada, às 22h30.
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Com tranças nas primeiras músicas, o baterista Mike Portnoy tocava com entusiasmo e força, falando constantemente com o público. Seu vocal está em plena forma, assim como suas viradas e técnica melhorada ao longo dos anos. Me decepcionei apenas pelo fim de The Prophets of War, música cantada em coro por todos com sua letra mostrada no telão, terminar com uma gravação da letra, e não com voz do batera.
John Petrucci fez um solo que abusou de bends e uma guitarra limpa logo após de A Rite of Passage. Para as pessoas que normalmente acusam o guitarrista de não possuir técnica, de "fritar" ou tocar rápido demais, seu instrumental cativou todos os presentes. O último álbum, Black Cloud & Silver Linings, mostrou sua capacidade com cordas. Ao vivo, na turnê desse trabalho, não provou ser diferente.
Jordan Rudess mostrou a diversidade de efeitos e técnica em seu teclado na improvisação após o Medley Pull Me Under/Metropolis. Nesse momento do show, próximo do final e da épica (e longa) música The Count of Tuscany, Rudess abusou dos efeitos com uma bateria extremamente rápida de Portnoy, puxando toda a banda para tocar rápido seus instrumentos. O show de guitarra, baixo, bateria e teclado não soou pretensioso, mas intenso.
Diferente desses músicos, que mantiveram sua qualidade e trouxeram novidades, James LaBrie me decepcionou um pouco. Nos últimos shows e desde o CD Octavarium, seu vocal parecia apelar menos para falsete e notas altas, ganhando uma substância na voz. Na apresentação do dia 19, sua voz sumiu em músicas calmas como Hollow Years. Seu trabalho como cantor é sempre tema de polêmica para fãs.
Por fim, John Myung estava sonoramente apagado em Black Cloud & Silver Linings, tocando músicas que não valorizam o contrabaixo. No show, além de continuar pouco notável, o baixista estava imóvel como sempre, sem chamar muito a atenção do público. Seu trabalho como músico é notável, mas ele poderia criar material que evidenciasse o baixo.
Mesmo que muitas coisas desagradem muitas pessoas, é um privilégio ver isso três vezes, de três maneiras diferentes. Pude testemunhar o crescimento da maior banda de heavy metal progressivo nestes cinco anos, e espero pelo quarto, quinto e sexto show. Vou o máximo de apresentações que puder. Este testemunho é a minha forma de demonstrar sinceridade com essa banda, e, ao mesmo tempo, estimular os fãs de rock, metal e todo o gênero musical a curtir, com carinho, seus músicos favoritos.
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