Dream Theater: 7 mil fãs vão ao delírio em São Paulo

Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 19/03/2010)

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Por Adriana Farias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.








Quem presenciou o show do Dream Theater, em 2008, na turnê "Chaos In Motion", apresentada em São Paulo, no estacionamento do Credicard Hall, se decepcionou com o palco singelo da noite de ontem, 19, na mesma casa de show. Enquanto a turnê do disco "Systematic Chaos" (2007) trazia elementos temáticos do álbum como semáforos, formigas gigantes e vários telões, o show de ontem trouxe ao palco apenas um telão de fundo e um pano representando as "nuvens negras" do novo álbum, "Black Clouds & Silver Linings" (2009).

O palco pode ter decepcionado, mas o Dream Theater continua sendo a banda de heavy metal progressivo mais representativa da atualidade. A prova disso começou às 22h30 de ontem, na introdução do show com "A Nightmare To Remember" e na seqüência com a arrebatadora "A Rite Of Passage", single do novo disco. O grupo surgiu no palco atrás de uma cortina preta onde apenas as silhuetas dos músicos eram identificáveis.

"A Nightmare To Remember" tem 16 minutos e é a primeira faixa do novo álbum que foi top 10 da Billboard, "Black Clouds & Silver Linings". A música foi selecionada pelo grupo para abrir os shows da nova turnê. Ela permeia todas as sonoridades já apresentadas pelo Dream Theater: ora é pesada, ora é calma e Mike Portnoy (baterista) canta um trecho com voz gutural.

Após o solo habilidoso e dinâmico de John Petrucci, guitarrista que já foi convidado seis vezes para compor a turnê do G3, criada pelos guitarristas Joe Satriani e Steve Vai, entra em seguida a calibrada "Hollow Years", sétimo single do grupo. Na seqüência, Jordan Rudess aparece sozinho no palco para impressionar o público. Um cartaz escrito "Go Wiz!", levantado insistentemente por um fã no camarote, prestava uma homenagem ao grande "mago" ("wizard" em inglês) dos teclados.

Com a letra na ponta da língua dos quase 7 mil fãs que lotaram a casa, a explosiva "Prophets Of War" entra para instigar o público. A canção traz referências sonoras do Muse, grupo britânico de rock alternativo que é influência declarada do vocalista James Labrie.

Com 5 minutos, "Wither", a menor música do novo disco, entra no repertório para, em seguida, emendar o que poderia ser o famoso "instrumedley" do grupo, mas é a "Dance Of Eternity" que é tocada até o fim com Mike Portnoy fazendo careta para as câmeras e enfiando a baqueta no nariz.

A surpresa da noite ficou por conta da canção "One Last Time", faixa raramente tocada nas turnês do grupo. "The Spirit Carries On" é a próxima do set, com Portnoy acendendo um isqueiro e levantando para o público. Com "Dance Of Eternity", "One Last Time" e "The Spirit Carries On", o Dream Theater apresentou, consecutivamente, as faixas 9,10 e 11 do fabuloso disco "Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory" (1999).

O trabalho mais conhecido do Dream Theater não ficou de fora. "Pull Me Under", que alcançou o 10º lugar na parada de rock da Billboard, foi emendada com a música "Metropolis" e ensandeceu o público levando até alguns fãs ao choro.

James Labrie (vocal), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclado), John Petrucci (guitarra) e Mike Portnoy (bateria) se espalharam pelo palco para o "duelo" de instrumentos. Cada um improvisou com muita técnica, à sua maneira, em cima da temática de "Metropolis".

"The Count Of Tuscany" encerra a noite perfeita com o baterista Mike Portnoy, que já recebeu 23 prêmios da revista "Modern Drummer", vestindo a camiseta da seleção brasileira e aplaudindo insistentemente a presença do público. "É incrível estar aqui de novo com vocês. Nós nos divertimos muito essa noite", berra Labrie e Petrucci arremessa um aviãozinho de papel contendo o set list. "Black Clouds & Silver Linings" é o terceiro álbum consecutivo que o Dream Theater divulga no país. O Brasil já é rota obrigatória das turnês do grupo.

Confira o set list:

"A Nightmare To Remember" (Black Clouds & Silver Linings / 2009)
"A Rite Of Passage" (Black Clouds & Silver Linings / 2009)
John Petrucci - Solo Guitarra
"Hollow Years" (Falling Into Infinity / 1997)
Jordan Rudess - Solo Teclado
"Prophets Of War" (Systematic Chaos / 2007)
"Wither" (Black Clouds & Silver Linings / 2009)
"Dance Of Eternity (Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory / 1999)
"One Last Time" (Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory / 1999)
"The Spirit Carries On" (Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory / 1999)
"Pull Me Under" (Images and Words / 1992) emendaram com "Metropolis"
Duelos (Improvisam em cima do tema da música "Metropolis")
"Metropolis" (Images and Words / 1992)

Bis
"The Count Of Tuscany" (Black Clouds & Silver Linings / 2009)

Colaboração especial: Sérgio Fernandes (baterista / Carapuça)


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Sobre Adriana Farias

Nascida em São Paulo, Adriana Farias é jornalista pela PUC-SP e autora do livro-reportagem ¨London Calling - histórias de brasileiros em Londres¨. A jornalista já foi produtora na RedeTV! e repórter da emissora PlayTV na área cultural, locais em que coleciona entrevistas importantes com grandes nomes do heavy/rock nacional e internacional, como Joey DeMaio (Manowar), David Bryan (Bon Jovi), Crashdïet, Kings of Leon, The Dickies, Kid Vinil, Angra, Sepultura entre outros. Com apenas 16 anos a autora deu início a sua colaboração ao Whiplash!, entre suas reportagens mais importantes constam os textos analisando a grande imprensa no quesito heavy/rock e a cobertura de mega shows no Brasil e na Europa. Atualmente, a jornalista tem uma dupla jornada como editora de texto na TV Cultura e repórter na Folha de S.Paulo. Entre em contato com a jornalista no blog meonthestreet.

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