Dream Theater: um dos melhores shows que veremos em 2010

Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 19/03/2010)

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Por Daniel Dystyler, Fonte: Arena Heavy
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os narradores e comentaristas esportivos, principalmente os da televisão, recebem uma chuva de críticas de tudo quanto é lado, a maioria delas por conta das gafes e erros que eles cometem. Quem fica tanto tempo falando ao vivo, invariavelmente acaba cometendo deslizes e a “turma do radar ligado” (como um famoso narrador esportivo costuma se referir) cai matando.
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Existem ainda os críticos mais severos e ácidos que dizem exatamente o contrário: Que quem fica tanto tempo falando ao vivo, invariavelmente acaba conseguindo dizer alguma coisa certa.

Sem entrar no mérito da quantidade de erros e acertos, durante os anos de dominação total da Ferrari na Fórmula 1, os locutores criaram um jargão que expressava bem a época.

Eles diziam que existiam duas disputas na mesma prova: A “Fórmula Ferrari” com os dois carros vermelhos disparados lá na frente e a “Fórmula 1” com todos os carros.

Lembrei dessa expressão enquanto eu assistia ao show do DREAM THEATER em São Paulo nesta última sexta-feira. Por que? Pois são 2 shows em 1: Tem o show do DREAM THEATER e ao mesmo tempo tem o show do baterista.

Mike Portnoy é literalmente um show!!! Um espetáculo à parte no show DREAM THEATER.

Aliás, o “Show de Portnoy” começa bem antes do show do DREAM THEATER. Mais ou menos, 1 hora antes. Eu explico:

A banda de abertura foi o BIGELF, que confesso eu não conhecia. E foi uma agradável surpresa. Com um som caindo pro lado do “Progressive Metal”, bem propício para a noite, o BIGELF conseguiu agradar ao público que aplaudiu todas as músicas, executadas com extrema competência.

Aliás, o BIGELF com seu visual “Anos 70” me fez lembrar dos primeiros vídeos de Heavy Metal que eu assistia no Som Pop da Cultura ou na Gazeta com o Mister Sam e o boneco Capivara apresentando (a maioria das pessoas deve pensar “do que esse velho tá falando ?”). Ao olhar pro palco, parecia que eu estava assistindo a um clip do CASA DAS MÁQUINAS ou aos primeiros clips psicodélicos do BLACK SABBATH como Paranoid e Iron Man.

Os 2 teclados, montados no meio do palco à frente da bateria e comandados pelo vocalista e tecladista Damon Fox, contribuíam para esse visual setentista.

Enfim, embora o BIGELF estivesse agradando, é inegável que em todo show de abertura existe uma certa ansiedade na platéia inerente às bandas de abertura, afinal o público está lá pra ver a atração principal da noite. Isso é normal e acontece em maior ou menor intensidade em todos os shows. E é exatamente aí que começou o “Show de Portnoy”:

Ao anunciar uma determinada música, o vocal do BIGELF fez um rápido agradecimento “ao Mike (Portnoy) por ter nos dado a oportunidade de conhecer a cidade de São Paulo”. E no meio dessa música, sem nenhum anúncio, eis que Portnoy em pessoa entra no palco, de bermuda, com uma filmadora na mão pra registrar o momento, filmando o público e filmando todos os integrantes do BIGELF como se estivesse produzindo um clip amador. Com a outra mão, ele “rouba” o microfone e canta a música do BIGELF.

Dá pra imaginar o nível de vibração e agitação que o público ficou ? Durante um show de abertura ? Sim, estava todo mundo curtindo o show do BIGELF, mas na boa, sem tanta adrenalina, com aquele fundinho de “quanto tempo será que ainda falta pra eu ver o DREAM ?” e o Portnoy entra no palco e responde a pergunta com um claro e sonoro: “NÃO FALTA NADA. O MEU SHOW JÁ COMEÇOU!”.

Foi o que faltava pro clima no Credicard Hall ficar quase completo.

O show do BIGELF termina logo depois e rapidamente o palco é preparado para a atração principal.

E com as luzes ainda acesas e o palco vazio, o show começa. O sistema de som do Credicard Hall executa 2 versões de sons do DREAM THEATER, em formato acústico e cantadas por um vocal feminino (Pull Me Under e As I Am). É o convite perfeito pro ginásio cantar junto. Agora sim, o clima ficou completo.

As luzes do Credicard Hall se apagam e surgem luzes de traz do palco que projetam a silhueta dos integrantes do DT contra o pano preto que escondia o palco. A silhueta que mais chama atenção é a do cara que está de pé, em cima da bateria. Ele senta, o teclado preenche o ar, o pano preto cai e começa (posso afirmar, sem medo de errar, apesar de ainda estarmos em Março) um dos melhores shows deste ano.

O “debulho virtuosista” do DT começa com os 14 minutos de “A Nightmare To Remember”, a música mais pesada do recente “Black Clouds & Silver Linings” com direito aos vocais de Portnoy na parte final. Aliás, antes de cantar esse trecho, Portnoy ainda teve tempo de perguntar ao público de São Paulo: Are you ready (vocês estão prontos) ? E a resposta veio com o ginásio inteiro gritando junto com Portnoy, “Day after day and night after night,...”. Era o “Show de Portnoy” ganhando forma.

Na sequência veio “A Rite Of Passage”, que com seu refrão melodioso (Turn the key, walk through the gate...) fez o Credicard Hall tremer de novo e a galera “subir” e entrar em um estado superior (...the great ascent, to reach a higher state).

Dessa forma, o DT começava o show nos mesmos moldes que seus ídolos declarados, IRON MAIDEN, o fizeram por muitos anos: Sempre começando com as 2 primeiras músicas do disco mais recente (a estratégia de usar uma gravação para “avisar” que o show está pra começar também é uma referência ao Iron que sempre usa Doctor Doctor do UFO como sinal que a tropa vem aí...).

Aliás, de Junho a Agosto já foi anunciada a tour de lançamento do “The Final Frontier”, novo álbum do IRON MAIDEN, que terá como banda de abertura, nada mais, nada menos que o próprio DREAM THEATER.

Na sequência, Petrucci emenda num solo maravilhoso com sweeps e passagens muito rápidas, quase como se ele dissesse “Muito prazer, meu nome é Petrucci e é esse o arsenal de coisas que eu trouxe pra vocês curtirem hoje”.

Com um banquinho na mão, James LaBrie o vocal do DT atravessa o palco, senta na frente da platéia e ouve o fim do solo de Petrucci que emenda no solo de introdução de Hollow Years. O ginásio canta a letra tão alto que é difícil ouvir a voz de LaBrie.

Depois é a hora de Jordan Rudess com seu teclado giratório fazer um solo cheio de efeitos e velocidade aonde ele “duela” contra uma versão dele mesmo em desenho animado (The Wiz, o Mago) nos telões.

Aliás, as imagens dos telões são um capítulo à parte. Mega produção com imagens super sincronizadas no tempo com a execução ao vivo das músicas. Chega a ser impressionante. E as imagens são realmente lindas, a maioria em câmera lenta que funcionam como molduras para as execuções perfeitas do DT como por exemplo a sequência com elefantes na abertura do show.

Prophets Of War traz os telões conclamando o público a gritar as palavras de ordem “Time, For, Change; Fight, The, Fear; Find, The, Truth” alternando imagens de exércitos de formigas carregando armamentos.

Wither, do disco novo é executada e novamente o Credicard Hall treme. Aliás, o solo dessa música é muito legal. É curtinho (para padrões DT), mas vale reparar e perceber que o solo é como se fosse uma declaração aberta do Petrucci dizendo “Quero avisar a todos que sou fã incondicional do Brian May do Queen”.

Para os que adoram o “Scenes From A Memory” (tem alguém que não gosta ?), o DT fez uma sequência muito bacana com Dance Of Eternity emendada em One Last Chance. E aí veio uma das maiores explosões da noite, quando ecoaram as perguntas “Daonde viemos ?”, “Por que estamos aqui ?” e a sequência natural do “Scenes From A Memory” que continuou com The Spirit Carries On. O Credicard Hall veio abaixo.

Pra fechar a noite, do clássico disco “Images And Words” (pra mim, a melhor obra do DT), Pull Me Under emendada em Metropolis Pt.1, que culminou com uma espécie de duelo entre Petrucci e Jordan que levou o público ao delírio junto com outras partes de puro virtuosismo como o “two-hands” executado com maestria pelo também excepcional baixista John Myung.

Todas essas músicas foram regidas e conduzidas por um Portnoy que claramente estava muito feliz em tocar naquela noite. Ele regeu o público com 1 mão enquanto continuava tocando com a outra, tocou de pé “metade” do show, batia com as baquetas na cabeça no tempo, vestiu a camiseta da Seleção Brasileira e até enfiou uma baqueta no nariz no meio do “debulho alucinante” de Dance Of Eternity sem parar de tocar e levar a música. Um verdadeiro show à parte.

Para o BIS, o DT tocou apenas 1 música. Apenas ??? Alguém conhece alguma banda que consegue tocar 1 música de mais de 19 minutos, no fim do show, e fazer parecer que passou voando ? Que foram 3 minutinhos ao invés de quase 20 ? Eu não conheço... Sou fã incondicional do IRON MAIDEN e toda vez que assisto o “Live After Death” ou o “Flight 666” dou aquela “pulada” na parte do meio de The Rime Of The Ancient Mariner que com seus 12 minutos fica meio cansativa. Mas o DT não fica.

Nota 10 pra uma banda que consegue tocar uma música de 19 minutos como The Count Of Tuscany (a quarta da noite do disco novo) e encerrar o show fazendo as pessoas irem pra casa sorrindo.

Sensacional.

E olha que por mim o show podia demorar umas 2 horas a mais... Forsaken, I Walk Beside You, Sacrificed Sons, Solitary Shell, Surrounded, Take The Time, só pra citar algumas que entrariam no repertório tranquilamente...

Pra encerrar este texto, uma última sugestão.

Se você é baterista, anote o seguinte: Da próxima vez que o DREAM THEATER tocar na sua cidade ou perto, você vai. Não interessa se você gosta ou não da banda, se você gosta ou não de Metal, se você já tem compromisso no dia. Você tem que ver esse show. O “Show de Portnoy”.

Você compra 1 ingresso, mas vai ver 2 shows. Aconteceu com as quase 10 mil pessoas que foram ao Credicard Hall no dia 19 de Março.

Set list:
01) A Nightmare To Remember
02) A Rite Of Passage
03) Solo: John Petrucci
04) Hollow Years
05) Solo: Jordan Rudess
06) Prophets Of War
07) Wither
08) Dance Of Eternity
09) One Last Time
10) The Spirit Carries On
11) Pull Me Under
12) Metropolis, Pt.1 - Solo: Duelo Petrucci x Jordan

Bis
13) The Count Of Tuscany

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Sobre Daniel Dystyler

Daniel Dystyler começou sua paixão por música ainda criança ao conhecer os Beatles. Mas a vida mudou completamente quando escutou pela 1ª vez os acordes do Iron Maiden. A partir daí, e por mais de 25 anos, o gosto por Heavy Metal foi só aumentando. Daniel foi roadie do Viper de 1986 a 1991, período que incluiu o lançamento dos álbuns "Soldiers of Sunrise" e "Theater of Fate". Atualmente se diverte tocando guitarra com seus amigos na banda "Number One" e é o coordenador do Festival "Kaizen Rock" que acontece em Outubro e que entre outros benefícios, gera receita para 2 entidades que auxiliam crianças e adolescentes carentes.

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