Municipal Waste: ponta-de-lança do retro-thrash/crossover
Resenha - Municipal Waste (Aram, Vinhedo, 12/03/2010)
Por Glauco Silva
Postado em 31 de março de 2010
A turma do crossover/thrash, apesar de ser uma das mais fiéis e - ao pé da letra mesmo - fanáticas platéias, é um tanto injustiçada em termos de show gringo no Brasil. Temos representantes de talento inquestionável aqui na terrinha (Bandanos, Megatherio, Violator, Blastrash, Devil On Earth, Sactor, são dezenas) mas poucos são os artistas internacionais nessa linha trazidos recentemente: tivemos em 2008 o Maquinaria com um show emocionante do Suicidal Tendencies, e no ano passado os suecos do Dr. LivingDead! quase puseram o Inferno Club abaixo - algo ínfimo se comparado aos medalhões heavy, death e thrash "tradicional" que nos visitam.
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Mas a qualidade tem compensado com sobras a quantidade, e no dia 12 começou um pequeno giro nacional da banda que é, provavelmente, a ponta-de-lança do retro-thrash/crossover: os americanos do Municipal Waste. Formado em 2001 na Virgínia, com 4 álbuns - os 3 últimos lançados pela lendária Earache da Inglaterra, que escarrou no mundo desgraças como Napalm Death, Carcass, Terrorizer, Entombed e Morbid Angel - e uma série de splits e demos, o quarteto provaria o porquê de ser um dos xodós da nova geração de thrashers, acompanhado de 2 tratores nacionais e mais uma atração internacional.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Quem abriu a noite foram os Muzzarelas, que considero uma das barulheiras mais criminalmente injustiçadas na história recente do barulho no Brasil. Já são quase 20 anos de puro punk/crossover sem concessão ou frescura alguma, regados a oceanos de cerveja e pura dedicação ao underground. O show deles é, desde que os conheci no bar Ilustrada e em festas da Unicamp como Ramones cover, algo inacreditável: uma pancada atrás da outra, caos total no palco e na frente desse, e o incrível fator cerveja chovendo - em todo show que assisti deles. Mandaram uma porrada de sons de seus seis álbuns, ligados no 220 o tempo todo, e essa mistura de Ramones com D.R.I. sempre pega os bangers e punks pelas tripas, convidando instintivamente ao mosh. Mais um p*ta show dos celerados de Campinas, com direito a uma ameaça do folclórico baixista Ete dar um mergulho do alto dos PAs, no melhor estilo Billy Milano - não rolou, mas com certeza não iam deixar ele acertar o chão com seu Rickenbacker!
Muita gente veio só pra sacar mais uma passagem do Violator por estas plagas, uma vez que toda apresentação deles (ao menos as 3 que vi) é explosiva - os caras fazem mais do que jus de serem considerados a mais importante banda de thrash metal (ao menos da geração mais recente) no underground brazuca, atraindo muito interesse mesmo da gringaiada. É algo novo? Nem. É original? Também não, muita gente faz similar. Mas o quarteto de Brasília tem aquele quê a mais difícil de identificar, e sua porradaria de thrash puríssimo, calcado na velha escolha teutônica, transformou o recinto num manicômio total - se nos Muzzarelas o pessoal agitava na roda ainda com um pouco de timidez, aqui os stagedives viraram uma verdadeira várzea. Sonzeira contagiosa como os temas de suas letras, mandaram quase o "Chemical Assault" inteiro, com a moçada gritando todas as letras… como dá gosto ver show assim, com interação absurda do público! Rendeu até mesmo elogios rasgados do pessoal do Municipal durante a apresentação desses, dizendo que iam sequestrar os candangos pra roubar uns riffs thrash. Precisão e carisma absurdos, não tem como errar no show dos caras!
Na sequência vieram os americanos do WarCry, que eram uma grande incógnita para quase todos - o que me inclui. Dei uma pesquisada no MySpace e saquei que faziam um punk hardcore, nada mais, e um amigo de Belo Horizonte e o Bruno da Criminal Attack Records elogiando bastante. Como a maioria do público era thrasher e tínhamos ouvido um boato que os caras não tocariam, ficamos na expectativa. Felizmente subiram ao palco, plugaram os instrumentos e revelaram-se uma excelente surpresa nesta noite: forte pegada de hardcore finlandês, que logo incentivou o povo a pogar. Destaque total pra baixista, que toca com um punch surpreendente e com presença de palco tão marcante quanto a do vocal… com certeza agradaram e devem conquistar maior espaço em nossa terra, uma vez que a Criminal Attack está lançando o último petardo dos caras, "When Comes the End?", aqui no Brasil - confira!
Fechando a noite cercados de expectativa, os caras do Municipal Waste entraram no palco e cara, de boa: posso afirmar com absoluta convicção que esse foi um dos melhores shows que meus cansados olhos testemunharam nesses 22 anos dedicados ao Metal. Já tinha visto vídeos impressionantes no YouTube de shows do quarteto, mas estar lá no meio da guerra é outra coisa totalmente diferente. Foi uma "guerra" desenfreada, só faltaram mesmo pranchas de bodyboard como nos shows lá fora… a única comparação que consigo fazer é com o histórico show do D.R.I. em 1990, no finado Projeto SP: rodas incessantes, stagedives sem parar, o povo se esgoelando todos os sons, walls of death moedores, incrível. 'Sadistic Magician', 'Black Ice', 'Unleash the Bastards', 'The Thrashin' of the Christ', 'Headbanger Face Rip', 'Terror Shark', 'Blood Drive', mandaram um coice atrás do outro com um fôlego impressionante, sempre interagindo em total comunhão com a platéia - foi um show pra lavar a alma de qualquer thrasher!
O saldo da noite foi mais do que positivo, até porque muita gente tinha dúvida se compareceria um público legal devido à mudança de local meio em cima da hora - e a galera de Vinhedo e região provou toda sua força, praticamente lotando a casa (que aliás, estava com um som excelente) e fazendo uma verdadeira festa, intensa e sem violência alguma. Quem compareceu pode se orgulhar de ter visto um espetáculo ímpar, feito por músicos e público extremamente apaixonados por sua música: provando uma vez mais que um show, para ser memorável, não precisa de fogos, luzes de Maracanã, toneladas de som e, muito menos, ser feito por medalhões - tanto que os americanos ficaram confraternizando com os fãs até tarde.
Enfim, mais um ponto para o underground do interior paulista! Veja por si mesmo um dos momentos desta insana noite, no vídeo abaixo (com direito a um vôo deste redator aos 1:36)!
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