Sepultura e Angra: review do site AgendaMetal RS
Resenha - Sepultura e Angra (Casa do Gaúcho, Porto Alegre, 24/05/2009)
Por Édina Poletto
Fonte: AgendaMetal-RS
Postado em 15 de junho de 2009
A noite de 24 de maio de 2009 foi histórica, não só por marcar a volta do Angra depois de dois anos, como também pelo encontro das duas maiores bandas de metal do país, Angra e Sepultura.
Como se não bastasse a escolha excelente do local, Casa do Gaúcho, onde os mais de mil fãs puderam assistir ao evento tranquilamente e com um bom espaço disponível para circular, a fila também surpreendeu muito, tanto pelo seu tamanho, quanto pela organização: não houveram tumultos. Às 19h, quando a excursão do AgendaMetalRS chegou ao local, outras várias vans chegavam junto, trazendo cada vez mais fãs entusiasmados que corriam para pegar seus postos.
TIERRAMYSTICA - Em seguida à abertura do local, em torno das 20:50h, Tierramystica, banda porto-alegrense de heavy metal melódico com forte influência andina, iniciou sua apresentação. Introduziram com New Eldorado, primeira promo da banda, onde o vocalista André Nascimento viu-se acompanhado de fãs que cantavam com ele em meio ao público cada vez maior, conforme entravam na casa. A banda, formada em 2007 pelos músicos Fabiano Muller (Guitarra), Alexandre Tellini (Guitarra), Rafael Martinelli (Baixo), Luciano Thumé (Teclados), Jesus Hernandez (Quena, Zamponha, Ocarina e Charango), Duca Gomes (bateria) e o já citado André Nascimento (vocais), vem de uma sequência de shows no ano passado, apresentando progressiva melhora nos quesitos naturalidade e presença no palco. Visivelmente, agradou ao público que assistia, principalmente quando, entre suas músicas, erguiam a bandeira do Rio Grande do Sul e a Casa bradava o coro de "ah, eu sou gaúcho". Os covers, de ótima repercursão, foram Run to the Hills doIron Maiden e Burn do Deep Purple, este último encerrando a ótima passagem da banda pelo evento.
ANGRA - Assim que todos entraram, depois de uma hora de abertos os portões, o Angra subiu ao palco ao som de Unfinished Allegro, introdução à tão famosa e sempre aguardada Carry On. Música essa que fez toda a casa participar, seja pulando, seja cantando. Edu Falaschi, que todos aguardavam conferir ao vivo se sua performance seria como os vídeos e comentários divulgados na internet na mesma semana — como aquele no Altas Horas e a repercursão no Orkut —, mostrou-se ainda muito competente a acompanhar o Angra em sua turnê de retorno, cantando tanto as músicas da fase Andre Matos (ex-vocalista) quanto as da Nova Era com qualidade, perdendo o foco em raras ocasiões.
Do entusiasmo de Carry On, a banda já emendou Nova Era. A introdução não poderia ter sido melhor, unindo as mais conhecidas músicas das duas épocas — uma a introdução ao Andre, outra a introdução ao Edu — fazendo um excelente paralelo entre ambas e marcando o retorno da banda. A volta, depois de um hiato de dois anos, está marcada também pelo retorno do baterista original da banda, Ricardo Confessori, depois da saída de Aquiles Priester (Hangar).
Edu, sempre carismático, agradeceu a cidade por tê-los acolhido tão bem. Disse que estava "feliz por poder vir a Porto Alegre em maio e não só em agosto, como em muitas cidades". Para agradecer e atender pedidos, a banda, finalmente, tocou Lisbon em POA.
O tempo de apresentação do Angra foi recheado de clássicos. Angels Cry, Make Believe, Metal Icarus, Nothing to Say e Acid Rain foram cinco deles. Dos últimos álbuns, Temple of Shadows e Aurora Consurgens, as representantes foram Waiting Silence e Course of Nature. A banda também presenteou o público com uma apresentação inédita e não esperada de Bleeding Heart: a balada foi tocada em excelente momento, e pude ver diversos fãs emocionados enquanto todos cantavam em uníssono.
Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra), Felipe Andreoli (baixo), Ricardo Confessori (bateria) e Edu Falaschi (vocal) se dispedem em meio aos clássicos coros de "olê olê olê, Angra, Angra" e de pedidos de bis. E este veio em seguida, com Rebirth. Edu brincou colocando o microfone dentro da calça durante toda a primeira parte da música, enquanto fãs bradavam-na, impecáveis. Sprend your Firefechou o show, deixando metade da casa absorta com a presença que a banda teve e a energia que esta passou em seu tão esperado retorno.
SEPULTURA – Os fãs do Angra já começavam a ir embora ou, até mesmo, a se acomodar nos degraus ao fundo da casa quando, próximo à meia-noite, enfim era chegada a hora da apresentação do Sepultura em Porto Alegre, depois de cinco anos de jejum na capital. Assim que Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Jean Dolabella (bateria) — que substitui Igor Cavalera — apareceram no palco em meio à fumaça que se erguia, a massa de fãs já estava em seus postos ovacionando a grande atração da noite.
E o barulho começou com a abertura do novo álbum A-Lex, Moloko, seguida por Filthy Rot. À essa altura, foram-se formando diversas rodas punks (espaçosas, porque o local permitia – um ponto muito positivo) em meio ao público, cujos fãs já agitados enlouqueceram, ainda mais, quando What I Do! foi tocada. O entusiasmo seguiu firme em todas as 18 músicas do set, onde a platéia não descansou um minuto sequer e acompanhou a banda em todos os pontos altos da apresentação, como Troops of Doom, Innerself, Sepulnation, Territory, Arise e Dead Embryonic Cells.
Quando todos menos esperavam, a banda brincou puxando a intro deEye of Tiger (Survivor), parando justamente na entrada da voz. Derrick ri perguntado se realmente gostaríamos de ouvir "o olho do tigre", e prossegue cantando um leve trecho em português. O idioma, aliás, já se mostra bem lapidado pelo vocalista, natural de Ohio, EUA. Antes que pudéssemos reagir à brincadeira, o som pesado da banda voltou a vigorar e Derrick prosseguiu vociferando o set.
A banda apresentou-se totalmente à vontade e com uma surpreendente energia, justificando o título de maior banda do metal nacional e fazendo jus também ao "quarto de século" de estrada. Kisser e Paulo Jr continuam excelentes como sempre. O novo baterista, Jean Dolabella, passou a noite toda destruindo a bateria e, o quinto componente do grupo, o público, retribuiu o incrível estado da banda com o maior entusiamo que se podia (ou não) esperar.
Quando os fãs já apresentavam pequenos sinais de cansaço, eis que Derrick Green volta-se para o público e cospe a já esperada frase "Are you ready? ARE YOU READY?". Gritos ensurdecedores foram respondidos ao mesmo tempo que Green introduz o maior clássico,Roots, com o praticamente lema da banda "Sepultura…do Brasil!". A Casa do Gaúcho literalmente tremeu nesta última, deixando provavelmente tanto banda quanto fãs satisfeitíssimos com a fantástica noite que tiveram.
SEPULTANGRA – Depois de um breve intervalo, o Sepultura volta ao palco junto com o Angra, para a esperada jam, nomeada por Kisser como "Sepultangra". Foi então que conferimos a já esperada Immigrant Song do Led Zeppelin. As bandas mais pareciam brincar no ambiente descontraído do que apresentar mais um show, e talvez fosse exatamente por isso que os músicos não estavam preocupados com a perfeita execução da melodia ou até mesmo da letra, onde Derrick e Edu faziam o dueto. Contudo, mostraram grande companheirismo e entrosamento e, naturalmente, conseguiram cativar a platéia que os assistia.
Em seguida, para surpresa geral, Edu anunciou que Ricardo Confessori (baterista do Angra) cantaria para o público pela primeira vez em shows: ele, que sobe ao palco com sua garrafa de Patrícia em mãos parecendo surpreso também, toma o microfone e passa a cantar Back in Black, do AC/DC. A acústica não favoreceu sua voz, porém, ele não deixou a desejar e arrendou vários elogios da platéia aturdida. The Number of the Beast, do Iron Maiden foi a seguinte e, para encerrar a maior noite do metal nacional em Porto Alegre, Paranoid, do Black Sabbath, foi a escolhida, arrancando o pessoal da pista e fazendo-os agitar na última música desse encontro fantástico.
Mais informações e fotos:
http://agendametalrs.wordpress.com/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
A música que Paul McCartney escreveu para cantar em cabarés e virou clássico dos Beatles
11 bandas que nunca fizeram um disco tão bom quanto o primeiro
TMZ divulga novos detalhes sobre a expulsão de Sid Wilson do Slipknot
Kelly Osbourne cobra pensão de Sid Wilson, ex-companheiro e talvez ex-Slipknot
Tony Iommi revela a última mensagem que recebeu de Ozzy Osbourne antes da morte
Steve Harris defende o criticado álbum do Iron Maiden que foi gravado num celeiro
A banda punk que Lemmy descartou como uma piada; "ruins para cacete"
O campeão mundial de Fórmula 1 que gravou solo de guitarra em música do Def Leppard
19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
Marty Friedman volta ao Brasil em novembro para dois shows
Tarja Turunen já participou de evento na Rússia que definiu como "humilhante"
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
Mick Jagger não volta atrás após crítica aos Beatles: "Às vezes eu digo a verdade"
5 clássicos do rock que acabaram virando vítimas do próprio sucesso
A opinião de Herbert Vianna sobre os Titãs
A canção nacional inspirada por doença e rejeitada que vendeu milhões anos mais tarde
O grande vocalista que recusou o Metallica e preferiu ficar na sua banda



Angra revisita "Make Believe" e lança vídeo ao vivo gravado no Porão do Rock
Canal gringo esmiúça "Carolina IV" do Angra: "Tem todos os instrumentos aqui!"
O álbum do Angra inspirado na maior fake news de todos os tempos
Rafael Bittencourt e o problema dos guitarristas brasileiros: "Nos EUA não tem isso"
A reação de Rafael Bittencourt ao saber que Baden Powell recusou a Casa Branca
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
10 músicas do metal brasileiro lançadas após 2000 que já entraram para a história
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



