Rockfellas: Divertido, espontâneo e tecnicamente impecável

Resenha - Rockfellas (Hammer Rock Bar, Campinas, 03/10/2008)

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Por Glauco Silva
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Devo confessar que não tinha o menor interesse em comparecer a esse show, pois por uma questão de princípios sou radicalmente contra covers - além de já conhecer as bandas de abertura. Mas chega a sexta-feira, você sai do trampo stressado e louco pra tomar umas geladas, querendo escutar barulho, ver uma mulherada, e o Di'anno tá na tua cidade com uma banda competente? Não pensei muito: bora pro Hammer…

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Não assisti à apresentação do Winter Sky, que manda um heavy competente e já asisti uma boa quantidade de vezes pra não duvidar que desempenharam bem seu papel. Cheguei na casa no meio do show do Kamala, que também vive na estrada e é de um profissionalismo ímpar. A sonoridade deles não me agrada particularmente, mas o show dos caras sempre extrapola energia e gana de tocar… não identifico nada de thrash no som da banda, vejo sim como um metal (-core? sei lá) muito pesado e antenado com as ramificações mais groove do pêso. Ralph e companhia têm competência de sobra, e o futuro com certeza guarda boas para o quarteto campineiro.

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Aí chega a hora da atração principal, e eu ali de braços cruzados só esperando pra cornetar. Tocam um som, legal. Dois, bacana. Três, o negócio tá melhorando - vou pegar outra cerveja. Na quarta eu mordo a língua e tive que me render: que show divertido, espontâneo e tecnicamente impecável! O Paul estava numa noite excelente, cantou umas 15 vezes mais que em sua apresentação solo aqui no Hammer, ano passado. Do Jean não tem muito o que falar, já vi ele umas 3 vezes nessa encarnação atual do Sepultura e o cara é um cavalo: desce o braço sem dó na bateria e é muito criativo, preciso como só ele. Restavam os 2 que mais me deixavam com a pulga atrás da orelha…

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O Canisso do Raimundos sempre é criticado por causa de sua banda (acho que os bangers nunca vão esquecer as declarações do Digão na Rock Brigade, depois do Monsters Of Rock, malhando o Helloween), mas ele mandou bem em virtualmente todas as músicas. Só dava o cara ali no canto do palco, boné deixando o rosto na penumbra, e tacando arranjos até complicadinhos no meio das músicas - gratíssima surpresa, e não custa lembrar que ele mesmo criticou bastante essas declarações do guitarrista do Raimundos, na época. Pô, o cara tem anos de estrada nas costas, convenhamos, é injustiça malhar porque sua banda é de uma sonoridade mais crua (embora popular)!

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Mas aí tem o ex-guitar do Charlie Brown Jr, o Marcão (aliás, quantos radicais daqui sabem que o ex-batera Pelado passou pelo Vulcano, hein? HEIN?). Esse eu tava esperando com a risadinha sarcástica já engatilhada, só esperando a 1ª escorregada pra soltar o "não falei?"… bom, tô esperando sentado até hoje. Quebrei totalmente a cara na hora da 'Symphony Of Destruction', até colei no palco pra ver o que ele ia fazer com o solo do Friedman. Cacete, o cara mandou certinho - tá certo que aqueles bends não é todo mundo que faz idêntico, maaaaas… - e voltei pro balcão do bar, humilhado, com amigo(a)s rindo da minha feição que misturava decepção (por não poder zoar) e satisfação (com a precisão e improvisos).

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O set foi um desfile por todas as décadas do metal e classic rock: Purple, Kinks (e todo mundo acha que 'You Really Got Me' é do Van Halen), Ramones (que o Paul também homenageia em sua banda solo), Kiss, Van Halen, Stooges, White Stripes (a única que não gostei mesmo, essa banda é o fim da picada), AC/DC ('Highway to Hell' sempre levanta até defunto), Stevie Wonder (surpreendentemente ótima), Alice Cooper, Pistols… na hora da 'Breaking The Law' não pude conter as gargalhadas: o Di'anno anunciou o som como "this is a song from a bicha friend of mine"… impagável!!!

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E Iron Maiden, o leitor deve estar se perguntando… no meio do show nosso amigo que fundou a banda deixou bem claro: não tocam sons do Sepultura, do CBJ, Raimundos ou Iron Maiden, PUTA (em português claríssimo mesmo)! Mas claro que não ia passar sem essa: fecharam o longo set com uma versão enxuta da 'Sanctuary', emendando no hino 'Wrathchild'. A satisfação era mais que evidente nos rostos dos músicos e da audiência. Litros de diversão!

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Em suma, uma noite deliciosa em que assisti não ao lendário ex-vocal do Maiden, mas sim 4 chapas no palco curtindo absurdo - e passando isso ao público, num feedback mútuo e incessante - enquanto manda sonzeira de primeira. Armação comercial? Não acho que precisem disso, contando o que faturam em suas bandas principais e tendo que encarar quilômetros de estrada pra tocar. E nem que for, dane-se: todo mundo tem conta pra pagar, e é melhor arranjar um extra fazendo isso do que num escritório enfadonho. Acho que foi o último show deles - mas se mudarem de idéia, não perca a oportunidade de assistir esse show por nada, amigo leitor.

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Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.

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