Iron Maiden: Como se os anos não tivessem passado desde 1985
Resenha - Iron Maiden (Parque Tejo, Lisboa, 09/06/2008)
Por Daniel Escobar
Fonte: Blog Daniel Escobar
Postado em 11 de julho de 2008
Quem raspava o fundo da carteira para comprar os velhos álbuns de vinil sabe o prazer que era sentar-se com um encarte nas mãos, saboreando cada detalhe daquele disco que você tinha esperado meses para sair. Diferente do CD, com sua caixa pequenina, os bolachões vinham em embalagens que mais pareciam um poster. Então era possível ver cada detalhe, principalmente quando a arte era caprichada.
Se o álbum era duplo então nem se fala. Algumas capas eram dobradas e continham um monte de fotos, letras de música etc. Eu me lembro de ficar horas admirando o encarte do disco ao vivo "Live After Death", do Iron Maiden, que trazia fotos maravilhosas de efeitos pirotécnicos, trocas de palco e motivos egípcios da turnê de Powerslave.
Foram muitas as vezes, com a bolacha rodando no aparelho de som e o encarte nas mãos, que repetia a frase: "daria tudo para ter estado neste show". Era um sonho daqueles impossíveis de se realizar. Afinal, não se volta no tempo.
Então ontem o impossível aconteceu. Voltei no tempo. Vi-me com um encarte nas mãos e repentinamente não estava mais sentado no meu quarto ouvindo "Live After Death". Estava lá, de frente com o palco. Vendo pessoalmente todos os efeitos pirotécnicos, a magia de "Powerslave" e o Eddie-múmia que ocupava quase todo o encarte do álbum e a grande parte da minha imaginação.
Músicas que nem imaginava ter a oportunidade de ouvir novamente em um show ao vivo do Maiden executadas tais como se estivem saindo do velho bolachão. "Rime of the Ancient Mariner", "Powerslave", "Revelations", "Aces High", "The Trooper" e "The Number Of The Beast" estavam lá para provar que não estava sonhando.
Deve ser uma espécie de justiça do tempo, mas além de ver recuperado um pedaço da turnê de 1985, o show de ontem ainda trouxe um saboroso gosto que os fãs daquela época não tiveram que foi ouvir os clássicos pós-Powerslave, há muito também não executados ao vivo. Cantar "Wasted Years" ou "Moonchild" junto com a banda era algo quase impensável com tantos discos e músicas lançadas em quase 30 anos de carreira do Maiden.
Assim como os velhos discos de vinil, cujo atrativo era uma bela embalagem, os clássicos vieram embalados em um palco maravilhoso, com luzes, fogos e uma atuação impecável de cada um desses músicos que inspiraram grande parte da minha adolescência e juventude.
Estava lá a parede de guitarras, com Dave, Adrian e Gers. Nicko fazendo como sempre seu fantástico trabalho atrás da enorme bateria. Steve Harris me matando de inveja ao destruir seu baixo e Bruce Dickinson com sua voz inconfundível correndo pelo palco como se os anos não tivessem passado entre a turnê de 1985 e esta.
Tudo bem que muita coisa mudou em mim desde a época em que eu admirava o encarte de "Live After Death". Ainda bem. É bom revisitar um lugar querido, mas é melhor ainda seguir em frente. É o mesmo que desejo para o Maiden, uma banda que tem feito parte de muitos momentos da minha vida.
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