Manowar: por que o baterista brasileiro Marcus Castellani saiu da banda
Por Igor Miranda
Postado em 08 de novembro de 2021
Entre os anos de 2017 e 2019, Marcus Castellani foi o baterista do Manowar. O brasileiro, que antes tocava no tributo Kings of Steel, assumiu as baquetas na vaga deixada por Donnie Hamzik, mas permaneceu por apenas dois anos.
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Em entrevista ao Colisão Podcast, transcrita pelo Whiplash.Net, o músico revelou suas razões para ter deixado a banda. Além do desgaste interno, Castellani citou a complicada rotina na estrada e a saudade da família.
"Hoje as bandas são como empresas. Você precisa dançar conforme a política da empresa, conforme o dono quer. Tem coisas lá que eu não concordava e tinha coisas que ele não concordava. No fim, começa a dar atritos. Quando não é mais uma troca legal... você prefere ficar lá vivendo o sonho de rockstar ou prefere ficar aqui com sua família e bem?", afirmou, inicialmente.
O baterista disse que seguiu "até onde poderia" ter ido. "Fiz meu trabalho e, na minha opinião, acho que fiz um excelente trabalho. Pelas críticas, acho que entreguei o que eles queriam e o que os fãs queriam. Mas chegou uma hora em que falei: 'ah, quer saber, está bom'", disse.
A vida de um integrante de uma grande banda de rock/metal não é como muitos pensam, conforme destacou Castellani. "É uma vida louca, não é fácil. As pessoas acham que vai ser igual ao filme 'Rock Star': 'vou colocar um monte de mulher no hotel, comprar moto, Ferrari, não sei o quê'. Tinha dia que a gente nem dormia. Pousava na Rússia, fuso horário de 13 horas de diferença, daqui meia hora tinha passagem de som. Você toca, só toma um banho, pega ônibus, vai para outra cidade em uma van. Dizem: 'você conheceu a Europa inteira'. Mas tem cidade que eu estava lá e nem saí do hotel. Era da van para o hotel, tomar banho, sair, show, depois avião... é bem louco", explicou.
A vida na estrada é tão complicada que certamente facilita o surgimento de vícios, de acordo com o baterista. "A gente ouve muitas histórias dos caras que caem em bebida e drogas... se você tiver cabeça fraca, cai mesmo. É corrido demais e solitário demais. Você está sempre em deslocamento, sempre olhando para os mesmos caras. Por mais que você queira, você não conhece o cara desde sempre. Eles sim, mas eu não. Graças a Deus tinha celular, via meu filho todo dia", comentou.
Por fim, Castellani também pontuou seu incômodo ao exercer o papel de um contratado. "Eles precisam de pessoas na regra, na linha, no sentido de: 'quero que você faça isso - exatamente isso e nada mais'. Nós brasileiros já não somos assim. Quero sempre fazer e até fazer um pouco melhor para você, né? Para agradar. Em algumas coisas, dava conflito. Houve desgaste, mas não houve briga, porrada, nada a ver", concluiu.
O trecho da entrevista em que Marcus Castellani fala sobre o assunto pode ser assistido a seguir.
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