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Bryan Adams: No Rio de Janeiro, um bom show pop, e nada mais

Resenha - Bryan Adams (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 05/03/2007)

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Por Rafael Carnovale
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Segunda feira, dia quente, ótimo dia para um... show? Sim meus caros... a data carioca do show do canadense Bryan Adams (promovendo seu CD "Anthology" – coletânea de sucessos) foi marcado para o primeiro dia da semana, data improvável para eventos pop-rock. Mas os fãs não se fizeram de rogados e lotaram as dependências do agora Citibank Hall (ex-Claro Hall), ansiosos para verem a performance de um dos mais renomados artistas do pop-rock, e um "hitmaker" assumido.

Fotos: Rodrigo Scelza.

Antes de tudo vamos esclarecer um fato àqueles que estão se perguntando porque Bryan Adams está aparecendo na Whiplash!. O distinto, além de possuir boas músicas hard-rock em seu currículum, é frequentador do meio hard, tendo participando como "backing" vocal de bandas como Motley Crue, além de ser co-autor de duas faixas do clássico "Creatures Of The Night" do Kiss (uma delas a pesada "War Machine"). Logo não seria nada anormal conferir um show deste senhor, apesar de seu momento ser mais voltado para shows acústicos e flertes descarados com o pop (as músicas que emplacou nas trilhas sonoras de "Robin Hood" e "Don Juan De Marco" não me deixam mentir).

Um fato que merece ser ressaltado é a péssima escolha da configuração da casa: pista até as mesas de som e mesas em frente ao palco (com preços nada convidativos). Sou da firme opinião de que este tipo de configuração é ótimo para shows de artistas mais... românticos..., mas no caso de Mr. Adams, uma pista aberta ficaria ótima para a diversão e a empolgação do público. No mais, sobrou uma pista apertada e mesas e cadeiras lotadas por apreciadores de música, mas que não estavam nem a fim de dançar ou cantar.

Seja como for às 21h45 as luzes se apagaram e um som do estilo "british rock" começou a soar nos alto falantes. Mais que repentinamente Bryan e sua banda entram no palco (com um pano de fundo simples e ótimos efeitos de luz) para começar o som com "Can’t Stop This Thing We Started" de jeito meio meloso, lento e enrolado, seguida por "Somebody" e "Open Road". O público se levantou das mesas e colou no palco, que fora aumentado pela colocação de um praticável em nível menor, o que joga por terra a idéia de que vale a pena colocar mesas na casa em eventos deste porte. Mesmo assim a empolgação era morna e o show soava burocrático e sem "punch". "18 ‘Til I Die" e "Let’s Make A Night To Remember" deram uma aquecida na galera, e Mr. Adams pareceu sentir que era hora de aumentar o ritmo (banda parada, só seu guitarrista que agitava), dando mais força em boas músicas como "Back To You", "I Think About You" e na excelente "Summer Of 69".

Neste momento comecei a pensar nas diversas investidas de Mr. Adams no formato acústico. A morosidade do começo (que ia se desfazendo aos poucos) e o público frio me faziam pensar se não estávamos diante de um show acústico, já que o formato parecia perfeito para tal. Seguiam-se músicas como "The Best Of Me" e o momento máximo de empolgação "mela-cueca": as baladas "Have You Ever Really Loved A Woman" (do filme "Don Juan De Marco") e "Everything I Do (I Do It For You)" (do filme "Robin Hood"). Boas baladas, bem executadas pela banda (que se não era virtuosa era precisa e afinada), mas que tocadas seguidamente soaram cansativas. Novamente uma péssima escolha na colocação dos "hits". Mas quem tem que dizer se vale a pena ou não foi o público e este, principalmente a mulherada, gritou até não poder mais (choros e suspiros dividiam o espaço com "licks" e vocais).

"Cuts Like A Knife" deu início ao momento mais agitado do show (em dado momento Mr. Adams chegou a perguntar se estava convidado para o jantar, já que todos estavam em suas mesas... o mesmo chegaria a dizer que pensava estar no "Rock In Rio"), seguida por "Baby When You’re Gone" (onde Mr. Adams chamou uma srta. da platéia – coisa que vinha fazendo em todos os shows da turnê para cantar junto com ele, substituindo Mel C. – a nossa Mel C. chamava-se Gabriela, ou como ela mesma disse em inglês macarrônico "Gaybriella").

Neste momento o show seguia com um pique bem mais agradável e dançante, com "Heaven", "It’s Only Love" e "The Only Thing That Looks Good In Me Is You" e a ótima "Cloud #9", além de "Run To You", que encerrou o show... será?

Quando imaginávamos que o show tinha chegado ao fim, Mr. Adams volta só com seu violão e leva "Please Forgive Me", "Straight From The Heart", "When You Love Someone" e "All For Love" no formato acústico, numa sequência chata, cansativa, enfadonha e desnecessária. Nesta hora decidi que era o momento de deixar o Citibank Hall, certo de que este foi um bom show pop, mas que pela incapacidade de Mr. Adams, e pela frieza de alguns fãs, poderia ser bem melhor... quem sabe da próxima vez... se houver.


Stamp
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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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