Campari Rock: Tentativa de reproduzir tradicionais festivais europeus
Resenha - Campari Rock (Estância Hípica Atibaia, São Paulo, 08/04/2006)
Por Carol Oliveira e Paula Kamei
Postado em 27 de abril de 2006
Em sua primeira edição, em 2005, o Campari Rock trouxe ao Brasil a reunião do lendário grupo pré-punk MC-5; não deu outra, o festival agradou e deixou muita expectativa quanto à sua segunda edição. Enfim ela chegou, e dessa vez com uma inovação: a praticidade da metrópole foi substituída pelo clima bucólico do campo. Numa tentativa de reproduzir aqui os tradicionais festivais europeus, o Campari Rock rolou em um tranqüilo hotel fazenda em Atibaia, a 60 Km de São Paulo.
Fotos: Carol Oliveira
A primeira banda a se apresentar foi a cearense MONTAGE, que mostrou seu som eletrônico para a meia dúzia de pessoas e muitos insetos que se espalhavam pelo gramado. Com os mineiros do DIGITARIA também não foi muito diferente. O Público começou a chegar quando os WALVERDES mostravam seu rock gaúcho com uma pitada de Stooges e ao som das guitarras vigorosas do LUDOVIC, e da performance ensandecida de seu vocalista.
Ao anoitecer, e já com um público considerável no local, o Campari Rock começou a tomar a forma de um grande festival com a ótima apresentação da banda gaúcha CACHORRO GRANDE, que levantou a galera com "Você não sabe o que perdeu", "Vai t q da" e "Dia perfeito", num show cheio de energia e bom humor do debochado vocalista Beto Bruno.
Sem discos lançados no Brasil e com poucos fãs que realmente conhecem seu trabalho, o MISSION OF BURMA encarou o desafio de se apresentar para uma platéia composta, em sua maioria, por curiosos. O show começou morno, mas lá pela quarta música os vovôs do indie tomaram fôlego e enquanto a minoria de fãs cantava e dançava ao som de clássicos como "Academy Fight Song" e "This is not a Photograph" a maioria de curiosos acabou se rendendo à qualidade do grupo.
A NAÇÂO ZUMBI chegou com a tarefa de reanimar a galera depois da apresentação do MOB e teve êxito em sua missão. A batida contagiante da percussão combinada com a distirção das guitarras fez a pacata Atibaia tremer. Durante a música "Mormaço" rolou um daqueles momentos que vai ficar pra sempre na memória; enquanto Jorge du Peixe cantava "um temporal inteiro se aproxima" a chuva começou a cair. A mãe natureza foi tão precisa que muita gente chegou a pensar que a chuva fosse cenográfica.
Ao subir no palco o IRA! trouxe consigo um perturbado Edgar Scandurra, que começou gritando "Rock de tiozinho é a puta-que-pariu" e depois disso deixou o público sem entender nada ao dizer "sou vip pra caralho" enquanto mostrava a pulseira de acesso ao backstage em seu pulso. Comentários idiotas a parte, o IRA! fez um show morno que, ironicamente, só empolgou mesmo com os "rocks de tiozinho" como "Envelheço na cidade", "Gritos na multidão" e "Vitrine viva".
Depois de mais de oito horas de show o público já estava exausto, foi quando a chuva resolveu cair pra valer, o gramado se transformou num grande lamaçal e a idéia de fazer um festival no meio do mato já não soava mais tão divertida quanto antes.
Por conta do temporal o show do SUPERGRASS começou com mais de uma hora de atraso. A grande atração do evento teve que encarar uma platéia cansada e desanimada, que permaneceu assim enquanto Gaz Coombes cantava músicas do último álbum da banda; hora ao piano, hora ao violão. Felizmente na metade do show o SUPERGRASS encontrou a pegada mais Rock and Roll com as excelentes "Strange ones", "Moving", "Pumping on your stereo". O ponto alto da noite foi "Grace", que teve seu refrão "Oh Grace, Save your money for the children" cantada em alto e bom som pela galera. Já, aqueles que só conheciam a fase "Alright" da banda saíram desapontados, pois o hit, inexplicavelmente, ficou de fora.











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