Oasis: Arrogância, prepotência e excelente música
Resenha - Oasis (Credicard Hall, São Paulo, 15/03/2006)
Por Márcio Vanelli
Postado em 23 de março de 2006
No último dia 15 de março, a auto-proclamada "Melhor Banda de Rock do Mundo" aterrisou em solo brasileiro para uma única apresentação do seu último disco "Don’t Believe The Truth" de 2005. Os britânicos do Oasis – encabeçados pelos cabeçudos irmãos Gallagher – trouxeram toda sua arrogância, prepotência e (excelente) música para brasileiro ver. Quinze mil fanáticos lotaram o estacionamento do Credicard Hall em São Paulo, com suas franjas mod e tênis Adidas, ensopados pela chuva torrencial que acompanhou os exatos 100 minutos de show.
Os cariocas do Moptop abriram a noite, tocando meia hora de músicas próprias e fazendo "You Really Got Me" do The Kinks. Mas o público queria Oasis. A princípio o show seria o que os fãs já esperavam: poucas palavras de Liam e Noel, nada de grandes produções (vide shows do U2 e Rolling Stones) e o setlist padrão da turnê. Seria, se não fosse o fato de cada fã ver outros 14.999 loucos gritando cada verso das músicas e ver seus ídolos logo ali, bem pertinho. Se não fosse o hiato de 5 anos dos ingleses longe do Brasil.
Como de costume, apagam-se as luzes e entra a gravação de "Fuckin’ in The Bushes". A galera delira. E só delira mais quando a banda entra no palco. A cada toque na bateria, ou cada teste da guitarra de Noel o público o volume dos gritos aumenta. Começa o espetáculo com "Turn Up The Sun", logo seguida por "Lyla". As músicas terminam, mas não o fôlego do público. Algumas pessoas passam mal – devido ao empurra-empurra e ao cansaço das horas na fila – e vão para a parte mais calma da platéia. Vem a chuva para lavar a alma e refrescar os fãs, pois "Bring It On Down", "Morning Glory" e "Cigarettes & Alcohol" dão seguimento o setlist.
Liam aplaude a platéia, faz graça com sua meia-lua vira as costas e deixa o comando do show com Noel. A banda está em sua perfeita forma, pois os irmãos são acompanhados pelo guitarrista Gem Archer, o baixista Andy Bell e o baterista Zak Starkey (desse último, podemos destacar tanto as batidas precisas, assim como o de ter tido aulas com nada menos do que Keith Moon, ou por ser o filhote de Ringo Starr – é mole ou quer mais?). Enquanto afina sua guitarra Noel puxa papo com o público. Comenta a chuva, diz que assim São Paulo fica parecida com a cinzenta Manchester, cidade natal da banda. O novo-clássico "The Importance Of Being Idle" arranca gritos do público e só é mais aplaudido do que o velho-clássico "The Masterplan" que vem em seguida. A platéia grita o nome de Noel. Liam volta, e pede para o público as atenções para si. Discute com um fã que está na grade. "Don’t you fucking dare" diz o Gallagher quando o garoto ameaça jogar no palco uma camisa do Manchester United, arqui-rival do time do coração dos Gallagher, o Manchester City.
"Songbird" e "A Bell Will Ring" continuam o show e logo se engatam em "Acquiesce", música que – acredite – foi lançada como b-side e faz os briguentos irmãos dividirem os vocais entre estrofe e refrão. Novamente eles dividem os vocais em "Live Forever", uma espécie de hino para os "mad fer it" – como se chamam os fãs de Oásis.
Novamente Noel assume os vocais, dessa vez para a nervosa "Mucky Fingers". Gem quase se vira ao avesso acompanhando a música na gaita de boca. Zak fecha com um solo de bateria, e faz por merecer os cumprimentos que recebe de Liam. O vocalista oferece a próxima música para as "ladies" e os primeiros acordes de "Wonderwall" são ouvidos com êxtase pelo público, que responde à altura cantando toda a música. Para quem estava no meio da platéia, Liam é inaudível.
Irônico, Liam oferece a próxima música para "quem estava no camarote confortável e seco". Entra o som do teclado, e alguns acordes fazem "Champagne Supernova" tomar forma. As luzes do palco refletem na chuva e a anormal lentidão da música criam um perfeito clima épico. A perfeita tradução da catarse coletiva que acontecia vem com a próxima música "Rock’n’roll Star". Liam canta "tonight I’m a rock’n’roll star" com um leve sorriso de quem tem certeza do que está falando.
A banda sai de cena. Todo mundo sabe que faz parte do espetáculo. O público sabe que eles voltarão para o bis. "Supersonic", hit do primeiro álbum da banda não estava prevista no setlist. Eles não tocaram em Manchester ou em Milão. E nem para nossos hermanos em Buenos Aires. Mas os fãs pedem. Zak volta sozinho para o palco e começa a batida inicial da música, e assim fica por mais de um minuto. Não é possível, eles não tocarão. Não atendem a pedidos do público. Para os brasileiros eles atendem – mesmo no improviso – e os fãs enlouquecem. Quem continua o show é "The Meaning of Soul" do último disco.
Liam sai para respirar mais um pouco nos camarins. Noel fica com a incumbência de conduzir um dos momentos mais emocionantes do show. Enquanto ele canta "Don’t Look Back in Anger" viam-se fãs abraçados chorando e cantando, a chuva batendo no rosto do público que ainda abusava um pouco mais das cordas vocais e um Noel Gallagher que praticamente não cantava, mas que – como um experiente maestro – regia quinze mil vozes em uníssono.
No único cover da noite, o Oasis fecha sua estadia em São Paulo tocando "My Generation" dos conterrâneos do The Who. O público não quer ir embora. Quer esperar até que a última luz do palco se apague e que a última guitarra silencie. Foram 20 demonstrações de puro rock, sem firulas e sem coreografias. Emocionantemente eficiente.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
A melhor música de cada álbum do Iron Maiden, segundo ranking feito pela Loudwire
"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
Ao lidar com problemas de saúde, Dee Snider admitiu fazer algo que rejeitou a vida inteira
Metal Church anuncia seu décimo terceiro disco, o primeiro gravado com David Ellefson
Uma cantora brasileira no Arch Enemy? Post enigmático levanta indícios...
A música épica do Rush que mexeu com a cabeça de Dave Mustaine
Eagles encerrará atividades em 2026, revela Don Henley
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
"Não tenho mágoa nenhuma": Luis Mariutti abre jogo sobre Ricardo Confessori e surpreende
35 grandes músicas que o Megadeth lançou no século XXI
Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
Jão sofre fratura exposta em dedo da mão e se afasta das atividades do Ratos de Porão
Quem pode ser a nova vocalista do Arch Enemy no Bangers Open Air?


Turnê de reunião do Oasis supera Beyoncé em número de ingressos vendidos em 2025
Justin Hawkins (The Darkness) considera história do Iron Maiden mais relevante que a do Oasis
"M*rda de cachorro": a opinião de Liam Gallagher (Oasis) sobre o heavy metal
Far Out escolhe 10 músicas de rock tão ruins que acabaram ficando boas
A banda favorita de Kurt Cobain e de Noel Gallagher ao mesmo tempo
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985


