Resenha - Oasis (Credicard Hall, São Paulo, 15/03/2006)

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Por Márcio Vanelli
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No último dia 15 de março, a auto-proclamada “Melhor Banda de Rock do Mundo” aterrisou em solo brasileiro para uma única apresentação do seu último disco “Don’t Believe The Truth" de 2005. Os britânicos do Oasis – encabeçados pelos cabeçudos irmãos Gallagher – trouxeram toda sua arrogância, prepotência e (excelente) música para brasileiro ver. Quinze mil fanáticos lotaram o estacionamento do Credicard Hall em São Paulo, com suas franjas mod e tênis Adidas, ensopados pela chuva torrencial que acompanhou os exatos 100 minutos de show.

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Os cariocas do Moptop abriram a noite, tocando meia hora de músicas próprias e fazendo “You Really Got Me” do The Kinks. Mas o público queria Oasis. A princípio o show seria o que os fãs já esperavam: poucas palavras de Liam e Noel, nada de grandes produções (vide shows do U2 e Rolling Stones) e o setlist padrão da turnê. Seria, se não fosse o fato de cada fã ver outros 14.999 loucos gritando cada verso das músicas e ver seus ídolos logo ali, bem pertinho. Se não fosse o hiato de 5 anos dos ingleses longe do Brasil.

Como de costume, apagam-se as luzes e entra a gravação de “Fuckin’ in The Bushes”. A galera delira. E só delira mais quando a banda entra no palco. A cada toque na bateria, ou cada teste da guitarra de Noel o público o volume dos gritos aumenta. Começa o espetáculo com “Turn Up The Sun”, logo seguida por “Lyla”. As músicas terminam, mas não o fôlego do público. Algumas pessoas passam mal – devido ao empurra-empurra e ao cansaço das horas na fila – e vão para a parte mais calma da platéia. Vem a chuva para lavar a alma e refrescar os fãs, pois “Bring It On Down”, “Morning Glory” e “Cigarettes & Alcohol” dão seguimento o setlist.

Liam aplaude a platéia, faz graça com sua meia-lua vira as costas e deixa o comando do show com Noel. A banda está em sua perfeita forma, pois os irmãos são acompanhados pelo guitarrista Gem Archer, o baixista Andy Bell e o baterista Zak Starkey (desse último, podemos destacar tanto as batidas precisas, assim como o de ter tido aulas com nada menos do que Keith Moon, ou por ser o filhote de Ringo Starr – é mole ou quer mais?). Enquanto afina sua guitarra Noel puxa papo com o público. Comenta a chuva, diz que assim São Paulo fica parecida com a cinzenta Manchester, cidade natal da banda. O novo-clássico “The Importance Of Being Idle” arranca gritos do público e só é mais aplaudido do que o velho-clássico “The Masterplan” que vem em seguida. A platéia grita o nome de Noel. Liam volta, e pede para o público as atenções para si. Discute com um fã que está na grade. “Don’t you fucking dare” diz o Gallagher quando o garoto ameaça jogar no palco uma camisa do Manchester United, arqui-rival do time do coração dos Gallagher, o Manchester City.

“Songbird” e “A Bell Will Ring” continuam o show e logo se engatam em “Acquiesce”, música que – acredite – foi lançada como b-side e faz os briguentos irmãos dividirem os vocais entre estrofe e refrão. Novamente eles dividem os vocais em “Live Forever”, uma espécie de hino para os “mad fer it” – como se chamam os fãs de Oásis.

Novamente Noel assume os vocais, dessa vez para a nervosa “Mucky Fingers”. Gem quase se vira ao avesso acompanhando a música na gaita de boca. Zak fecha com um solo de bateria, e faz por merecer os cumprimentos que recebe de Liam. O vocalista oferece a próxima música para as “ladies” e os primeiros acordes de “Wonderwall” são ouvidos com êxtase pelo público, que responde à altura cantando toda a música. Para quem estava no meio da platéia, Liam é inaudível.

Irônico, Liam oferece a próxima música para “quem estava no camarote confortável e seco”. Entra o som do teclado, e alguns acordes fazem “Champagne Supernova” tomar forma. As luzes do palco refletem na chuva e a anormal lentidão da música criam um perfeito clima épico. A perfeita tradução da catarse coletiva que acontecia vem com a próxima música “Rock’n’roll Star”. Liam canta “tonight I’m a rock’n’roll star” com um leve sorriso de quem tem certeza do que está falando.

A banda sai de cena. Todo mundo sabe que faz parte do espetáculo. O público sabe que eles voltarão para o bis. “Supersonic”, hit do primeiro álbum da banda não estava prevista no setlist. Eles não tocaram em Manchester ou em Milão. E nem para nossos hermanos em Buenos Aires. Mas os fãs pedem. Zak volta sozinho para o palco e começa a batida inicial da música, e assim fica por mais de um minuto. Não é possível, eles não tocarão. Não atendem a pedidos do público. Para os brasileiros eles atendem – mesmo no improviso – e os fãs enlouquecem. Quem continua o show é “The Meaning of Soul” do último disco.

Liam sai para respirar mais um pouco nos camarins. Noel fica com a incumbência de conduzir um dos momentos mais emocionantes do show. Enquanto ele canta “Don’t Look Back in Anger” viam-se fãs abraçados chorando e cantando, a chuva batendo no rosto do público que ainda abusava um pouco mais das cordas vocais e um Noel Gallagher que praticamente não cantava, mas que – como um experiente maestro – regia quinze mil vozes em uníssono.

No único cover da noite, o Oasis fecha sua estadia em São Paulo tocando “My Generation” dos conterrâneos do The Who. O público não quer ir embora. Quer esperar até que a última luz do palco se apague e que a última guitarra silencie. Foram 20 demonstrações de puro rock, sem firulas e sem coreografias. Emocionantemente eficiente.

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