Resenha - 20 anos da 89FM (Credicard Hall, São Paulo, 19/10/2005)

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Por Alexandre Cardoso
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A rádio 89 FM de São Paulo é, sem dúvida, importante para a história do rock na cidade. Sempre divulgando e apoiando o estilo, promovendo grandes shows nacionais e internacionais e mostrando engajamento com questões sociais, a 89 FM comemorou no dia 19 os seus 20 anos de história promovendo mais um show apenas com artistas nacionais, atitude louvável que mostra que o rock brasileiro tem muita força, vive um ótimo momento e bate de frente com as bandas gringas.

Fotos: Lidiane dos Santos (www.allfotos.fot.br)

A programação da rádio desde a parte da tarde estava sendo feita de uma estação móvel montada na porta do Credicard Hall, onde o público podia ver e conversar com os locutores da rádio (Zé Luís, Luka, Roberto Hais, entre outros), que também subiram ao palco da casa antes de cada show, falando um pouco sobre a história da rádio e introduzindo os vídeos que eram exibidos nos telões, mostrando diversos momentos da história da rádio.

Apesar de quarta-feira não ser um dia ideal para um show, já que no dia seguinte muita gente tinha que trabalhar, o Credicard Hall recebeu um público razoável; não contava com metade da capacidade da casa, mas quem foi lá fez bastante barulho.

Após uma vinheta animada do Porteiro Zé no telão, Marcelo D2 e banda foram os primeiros a subir ao palco. Pode-se resumir o show de D2 como uma grande festa: desde o começo da apresentação o rapper carioca teve o público na mão, gesticulando, pulando e cantando durante todas as músicas. Os músicos de sua banda não são meros coadjuvantes, pois vão de um lado pro outro, agitam e transmitem a energia com que tocam.

Com músicas de sua carreira solo e algumas versões da sua ex-banda, o Planet Hemp, Marcelo D2 mostrou porque é um músico de respeito na cena brasileira. “Vai Vendo”, “1967”, “A Maldição do Samba”, “Loadeando”, entre outras, fizeram o público cantar e dançar durante todo o show, que contou também com uma empolgante participação da cantora Pitty em “Anacrônico” (música de seu novo álbum) e em uma versão com muito groove e improviso para “Mantenha o respeito”. Na última música, executada apenas pelo DJ, toda a banda veio à frente do palco para cantar junto com D2 e público. A banda sai de cena em forma de trenzinho, ovacionada pela platéia.

Os próximos a subirem no palco foram os santistas do Charlie Brown Jr. Com uma perfomance de palco arrasadora, Chorão e sua trupe não deixaram o público parado, tocando sucessos de todos seus álbuns, como “Tamo aí na atividade”, “Champagne e água benta”, “Rubão”, “Proibida pra mim”, “Lutar pelo que é meu”, “Vícios e Virtudes”... Para muitos presentes, foi a primeira vez que puderam ver e ouvir a nova formação do Charlie Brown Jr., que além de Chorão, conta com Thiago - guitarrista que já havia tocado com a banda nos dois primeiros álbuns e já é um velho conhecido - e pelos jovens Heitor (baixo) e Pinguim (bateria e beatbox), esses sim novatos, que mostraram muito entrosamento e pegada.

Enquanto skatistas faziam manobras durante toda a noite num “half-pipe” montado na pista do Credicard Hall, Chorão também fazia das suas com seu skate em cima do palco, o que já é tradicional nos shows da banda. Além de muito skate, houve também tempo para participações especiais. Chorão chamou Marcelo D2 para “Samba Makossa” (música presente no “Acústico MTV” do Charlie Brown Jr) e, para um tributo ao Ramones, primeiro subiu ao palco o impagável Supla (que entrou dando várias cambalhotas), em uma ótima versão para “Blitkrieg bop”, seguida por “I wanna be sedated” , com Rodrigo do Deadfish nos vocais que, mesmo com algumas problemas no microfone, mandou bem e agitou o público.

Depois de uma empolgante performance do Charlie Brown Jr., o rock deu lugar ao reggae. Com uma curta participação, Alexandre do Natiruts, apenas com guitarra e voz, fez um belo tributo a Bob Marley, com destaque para “Is this love”, cantada em uníssono por todos.

Após muitos ajustes de som e palco (foi montado um grande boneco atrás da bateria), que demoraram mais de 20 minutos, subiu ao palco a última atração da noite, o Capital Inicial. Um dos ícones do rock dos anos 80, dissidente do famigerado Aborto Elétrico, o Capital fez um show burocrático e sem surpresas, tocando seus hits de hoje e ontem, como “Sem Cansar”, “Respirar Você”, “O Mundo”, “Primeiros Erros”, “Fátima” e outros. O ex-Viper Yves Passarel (guitarra) estava à vontade, cobrindo de um lado a o outro do palco, contrastando com o quieto porém competente baixista Flávio Lemos. O batera Fê Lemos bateu forte em seu instrumento, “guardado” por um enorme boneco que ficava atrás dele. O vocal Dinho Ouro Preto tinha o público na mão, arrancando gritinhos das meninas mais exaltadas, porém parecia abatido em certos momentos, inclusive errando feio enquanto tocava guitarra e tendo que ler algumas letras das músicas, coladas nos retornos de palco. Acredito que mesmo sendo uma banda consagrada, o Capital não pode se dar ao luxo de cometer tais vacilos.

Para um momento de nostalgia, Dinho chamou Bianca Jordão, vocalista do Leela, em uma participação no hino da Legião Urbana “Que País É Esse?“, cantada por todo o público. Na sequência mandaram um som do Leela, “Odeio Gostar” e um cover para “I Wanna Be Your Dog”, do The Stooges.

Quase três da manhã e chegou ao fim a festa da 89FM. Saldo mais do que positivo para todos, num evento que mostrou a força do rock nacional e a competência de uma rádio que ainda consegue oferecer algo de bom ao público paulista.

E que assim continue por muito tempo...

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