Resenha - Dr Sin (Teatro Barreto Júnior, Recife, 24/07/2004)

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Por Marlos Borges
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Era grande a expectativa por esse show. A última apresentação do Dr Sin ocorrida aqui em Recife, no dia 18 de Janeiro do ano passado, deixou um “gostinho de quero mais” devido ao fato do set list curto que a banda executou naquela data, deixando pérolas como Emotional Catastrophe, Zero e Eternity de fora.

Workshop

Local/Horário: Teatro Maurício de Nassau, 15h
Eduardo Ardanuy e Fred Andrade

Com um pouco de atraso, o guitarrista Fred sobe ao palco, grande conhecido da cena musical pernambucana. Tocando músicas de seu primeiro CD, Ilusões a Granel, do Projeto Mandinga, do qual participa com o seu parceiro, o baterista Ebel Perrelli. Ele apresentou também, músicas de seu próximo CD, que deverá ser lançado ainda este ano. Foi um grande show, bem aplaudido pelo público, que na maioria estava ali como fã do Edu e acabaram conhecendo o bom trabalho de Fred Andrade.

Felizmente desta vez, não houve declarações polêmicas por parte do Edu, como as ocorridas ultimamente, que causaram furor dos fãs de Iron Maiden e Manowar. O Workshow, como o mesmo descreveu, foi bastante proveitoso, e Edu esclareceu dúvidas bastante legais, diferente do que acontece na maioria das vezes em workshops. Ele falou sobre a indústria musical, caminhos a seguir na carreira, e também sobre assuntos mais teóricos, como sonoridades e escalas. Músicas como Close to the Sky, Catch Us If You Can e Cruz (Tritone), mostram todo o poder de fogo do guitarrista que, você até pode ter um déjà vu ao ler esta frase, está com certeza entre os melhores guitarristas do Brasil, senão do mundo. Pouco depois das 18h o workshop é encerrado, com Edu gentilmente tirando algumas fotos e dando autógrafos, pois o Dr. Sin precisaria passar o som às 19h para o show de logo mais.

Show
Local/Horário: Teatro Barreto Júnior, 21h
Dr. Sin e Candelabro

Em seguida. me dirigi ao Teatro Barreto Júnior, local onde aconteceria o show, bem nos moldes da apresentação que resultou no 1º DVD da banda, 10 Anos Ao Vivo. Depois de certo atraso para o começo da passagem de som, tive a oportunidade de conferir uma “prévia” do show, com o Dr. Sin executando pedradas do calibre de Revolution, Zero e Time After Time. Em seguida a banda Candelabro, que faria abertura do show passou seu som.

Depois do atraso, quase que obrigatório em shows (estou pra ver um show começar no horário marcado), a banda Candelabro entra em cena. Com uma qualidade de som muito acima da média, a banda executou músicas de seu repertório, de muito bom gosto. O som da banda vai na linha do Dream Theater e até do próprio Dr. Sin. Apesar de ser uma banda gospel, houve muito respeito por parte do público, que aplaudiu bastante a performance, e embora eles estivessem tocando com uma banda, digamos "Pecadora", também respeitaram bastante. Destaque para todos os músicos, principalmente para o tecladista Leo Teixeira e para o guitarrista Cauê Cury.

A expectativa já era grande para a entrada do Dr. Sin, e pelo fato de o show estar sendo realizado num teatro, a expectativa ficava ainda maior, não se sabia ao certo como o público reagiria a um show do mais puro hard rock, tendo que ficar sentado, quietinho na cadeira. Porém quando as cortinas se abriram e a banda subiu ao palco, mandando logo de cara a pedrada Fly Away, o público presente se dirigiu todo para a frente do palco, o que já era de se esperar, os pernambucanos são com certeza um dos mais agitados do Brasil. Em seguida, clássico do Insinity, Sometimes é uma das canções com mais groove e felling do Dr. Sin, e possui uma letra bem melancólica, porém empolga bastante ao vivo. Time After Time dá a seqüencia, essa que na minha opinião é uma das melhores canções compostas pela banda, agora conta também com um solo matador do tecladista Rodrigo Simão, que se adequou muito bem ao estilo da banda, com uma pegada anos 70, porém, ainda sim moderna. É quase impossível se fazer um show ruim, se há no set list músicas como Karma, No Rules, Eternity, Down in the Trenches... Nessa, houve a já tradicional improvisação na sua parte II, com a jam de baixo e batera dos irmãos Busic, já executada desde os tempos de Hollywood Rock, seguidos de solos individuais de guitarra, batera, teclado e baixo... Quase vinte minutos de pura viagem instrumental. É incrível como o entrosamento da banda está cada vez maior. O que mais de dez anos tocando junto não fazem...

É então que Ivan se dirige ao microfone, e pergunta se o público conhece Bill Ward, batera do Black Sabbath... Depois de ovacionado, Ivan anuncia que vai cantar It’s Alright, música do álbum Technical Ecstasy, em que Bill faz os vocais, e como sempre manda muito bem, um momento muito interessante, e por que não emocionante? Se emendassem com Years Gone, seria perfeito. Pena que essa música, uma das minhas preferidas, foi limada do set. Zero veio em seguida, com Andria dedicando esta ao amigo e produtor do show, João Marinho, e dizendo ainda que desde o show do DVD essa música não é tocada ao vivo. Logo na introdução, a 1ª corda da guitarra se quebra, e Edu é obrigado a trocar de guitarra, usando provisoriamente sua Tagima laranja. Na seqüência, outro clássico do Insinity, Revolution, impossível não cantar seu refrão pegajoso: “People, why don’t you scream, fight for your dreams, here comes the revolution...”. E foi o que aconteceu, a música foi cantada por 101% dos presentes.

Já com o público recifense na mão, Ivan dá início à introdução de Have You Ever Seen The Rain, cover do Creedence Clearwater Revival incluído no primeiro CD da banda, que foi relançado no começo do ano. Com um refrão grudento, é cantada em uníssono pelo Barreto Júnior. Em Isolated, Edu Ardanuy mostra por que é considerado um dos maiores guitarristas do mundo (déjà vu novamente), difícil achar alguém que não se arrepie ao escutar o solo desta música, um dos clássicos do disco Brutal. No show ainda é mais engraçado, ver várias pessoas boqueabertas na execução deste solo. Perfeito. Dando seqüencia ao desfile de clássicos, Emotional Catastrophe, música que foi primeiro clip da banda, e fez bastante sucesso na MTV na época de seu lançamento, é também uma das preferidas do público, que agitou cada minuto. Era incrível a expressão de felicidade da banda, até parecia a última vez que tocavam ao vivo (ainda bem que não...), e isso refletiu em cada um dos fãs, que agitou e cantou todas as músicas empolgantemente. We Will Rock You, cover do Queen, levou o público abaixo mais uma vez, com seu refrão mais do que pegajoso, foi uma das supresas da noite. Do nada, Edu dá início a um Blues, e Andria, Ivan e Rodrigo o acompanham. Improvisos a parte, Ivan faz uns vocais, mas tudo não passa de brincadeira, de muito bom gosto por sinal!

É chegada a hora do maior “hit” da banda, Futebol, Mulher e Rock ‘N Roll, com seu refrão pra lá de “romântico”, é cantada por todos. Na tradicional parte do “Êta, Êta, Êta, brasileiro quer...” o público masculino presente enche o peito pra gritar o nome da famosa área da anatomia feminina... Para não soar machista, Andria dá uma chance para as mulheres, e emenda um “Ênis, Ênis, Ênis, brasileira quer...”, obtendo um silêncio como resposta da ala feminina... Andria então tenta mais uma vez, e nesta manda um “Alho, Alho, Alho, brasileira quer...” seguido de uma resposta mais que empolgada das mulheres, que gritaram em alto e bom som “CAR****”, para delírio masculino, que aplaudiu a sinceridade delas. Hilário. A banda agradece mais uma vez e sai do palco, retornando poucos segundos depois, emendando com a paulada Fire, mais uma do Brutal, música ideal para encerrar os shows, que no DVD, conta ainda com a particpação especial de André Matos (Shaman).

O saldo total foi muito positivo, ainda ficou aquela sensação de “Tá faltando alguma coisa...”, poisé, faltaram músicas essenciais como Stone Cold Dead, Living and Learning, The Fire Burns Cold e Danger. Realmente um “pecado” limar essas músicas do set (olha o trocadilho infame mais uma vez...). Me acho um pouco suspeito para falar, mas posso afirmar com certeza esse foi um dos melhores shows do no ano em Recife, e o Dr. Sin com certeza ganhou muitos novos fãs por essas terras, agora é só aguardar o próximo álbum de estúdio, e que Andria Busic (b/v), Ivan Busic (d/v), Edu Ardanuy (g) e Rodrigo Simão (k) retornem mais uma vez, com um show matador nas mangas novamente! Keep on Sinning!

Setlist:
Fly Away
Sometimes
Time After Time
Karma
No Rules
Eternity
Down in the Trenches
It’s Alright
Zero
Have You Ever Seen The Rain
Isolated
We Will Rock You
Revolution
Emotional Catastrophe
Futebol, Mulher e Rock ‘N Roll
Fire

Publicado Originalmente no site Dr. Sin Webhttp://www.drsinweb.tk

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